Union Sundown: Myspace é o Patrimônio da Humanidade?
Por Eduardo Carvalho
Fonte: Meu espaço underground
Postado em 17 de agosto de 2012
No universo do myspace encontramos a maior biblioteca de áudio pública do planeta. Basta estar conectado a internet, digitar o nome da banda ou artista que você procura no google, e ao lado a palavra "myspace". Provavelmente você encontrará o som que está buscando. Desde artistas amadores, compositores clássicos como Bach, artistas de jazz, blues, rock e bandas clássicas como Beatles, Pink Floyd, Led Zeppelin entre outros.
Quase tudo está no myspace. Mas qual o futuro do myspace? Como rede social, talvez já tenha fracassado, se pensarmos no recente sucesso do Facebook. O fato é que hoje o myspace é a maior biblioteca pública de música do planeta. Exagerando: uma banda ou artista que não está no myspace, não existe completamente. Lamentavelmente as recentes mudanças do site tornaram as pesquisas mais lentas, atualmente é preciso ter paciência. Mesmo assim, ainda é o melhor lugar para se encontrar bandas independentes. Encontramos bandas do mundo inteiro que nascem e morrem todos os dias. Mas seus registros continuam disponíveis, passam a integrar o patrimônio sonoro do mundo no espaço do myspace.
Nas camadas mais subterrâneas é possível encontrar verdadeiras pepitas. Muitas, infelizmente, deixaram de exisitir na realidade, mas continuam a habitar o submundo do myspace. É o caso do Union Sundown www.myspace.com/unionsundownband
Em uma cidadezinha do sul da Inglaterra, chamada Swansea, havia uma banda chamada Union Sundown. Apareceu no myspace em 2008 e durou apenas um pouco mais de um ano. Lançando um marcante EP com 4 faixas, esta banda é mais um exemplo de bandas promissoras que morrem antes mesmo de serem conhecidas pelo público. Da para se ter uma idéia do potencial da banda escutando a faixa Ignition, um hardrock explosivo com muita personalidade. Começando com com uma intro de batera e um riff poderoso de guitarra, segue com os vocais ardidos e melodiosos de Antony Jones, que lembram Robert Plant na sua boa fase. A faixa segue de forma progressiva com vários climas interessantes cheios de peso e melodias. Um prato cheio para fãns do Led Zeppelin em busca de novidades. Os climas de batera são realmente impressionantes, levadas com pedal duplo com viradas cheias de virtuosismo, lembrando o lendário baterista do Rush (Neil Peart).
Destaque também para os arranjos de guitarra, especialmente o solo, com uso extremamente criativo do slide. Outra faixa que ainda é possível escutar no myspace é Sinful Times. Uma levada bastante diferente dos padrões intercaladas com arranjos intensos de batera e guitarra acompanhados de linhas nostalgicas e melancólicas de vocal. Infelizmente as outras faixas já não estão mais disponíveis. A versão acústica de 2036, a melhor faixa do EP, só dá uma visão muito diminuta da beleza da versão plugada., que infelizmente já não está mais disponível.
Depois de seu primeiro album, que parece nunca ter sido lançado, a banda se apresentou no festival Metalcamp (Festival que ocorre anualmente na Slovenia e que já contou com partcipação de bandas como Motorhead, Slayer, Sepultura entre outras). Parece que tanto o enfoque e o estilo das novas músicas não se encaixaram no festival. Provavelmente este deve ter sido o motivo do fim da banda, associado aos conflitos que acompanham estas crises que toda banda passa ao longo de seu desenvolvimento.
Na realidade é possível observar uma mudança de enfoque no álbum como é possível observar escutando as faixas Ghost e A Life Impossible. Tem-se a impressão de que a banda buscou um formato mais pop, se compararmos com o EP. Mesmo assim o resultado ainda é muito interessante. A Life Impossible tem um sotaque que lembra muito The Police. Anthony Jones atualmente tem um novo projeto chamado The Phanthom Light. Em uma linha bem diferente, mais introspectivo e talvez um pouco mais melancólico.
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