Os discos do Nazareth na década de 80
Por André Molina
Postado em 22 de setembro de 2009
Uma polêmica é mantida entre os fãs da banda escocesa Nazareth até hoje. A banda produziu bons discos na década de 80? No Brasil o grupo atingiu bastante popularidade neste período por causa de algumas baladas. Além do sucesso de "Love Hurts", que foi lançada ainda em meados da década de 70, a banda emplacou "Dream On" e "Love Leads To Madness" em 1982 e "Where Are You Now" em 1983. As baladas mudaram um pouco a imagem original do grupo. Enquanto na década de 70, a banda era conhecida como um vigoroso nome do Hard Rock, nos anos seguintes o Nazareth passou a ser conhecido pelas chamadas "músicas lentas", que tocavam em festas de adolescentes, bares e casas noturnas.
Após a virada da década de 70 para a 80, a fórmula utilizada pelos escoceses já se encontrava estagnada e a banda passou por um período difícil. O Nazareth tentou se renovar e mudou o estilo.
O início da década
Em 1980, a banda lançou o álbum "Malice In Wonderland", que teve como principais canções a bem humorada "Holiday" e a balada "Heart’s Grown Cold", que ainda é uma das mais pedidas nos shows. Fora as duas canções, muitos fãs consideram que o grupo se perdeu no restante do LP. Quem sustenta uma grande admiração pelo trabalho é o novo baterista da banda, Lee Agnew. O filho de Pete Agnew, que substituiu Darrell Sweet, diz que considera o álbum um dos melhores do grupo. Outro grande momento do LP é a canção "Showdown At The Border", que apresenta uma boa melodia, mas peca um pouco na falta de peso. No restante do repertório, não existe nenhuma surpresa. É fácil perceber que o Nazareth da década de 80 seria um grupo bem menos pesado.
The Fool Circle
Em 1982, a banda lançou "The Fool Circle", que se apresenta com menos peso ainda. Destacam-se a canção de abertura "Dressed To Kill", "Let Me Be Your Leader" e "Pop The Silo". Apesar de demonstrar mais unidade no novo estilo que deseja criar, a banda comete um pequeno equívoco e faz uma versão "meio latina" do clássico "Cocaine", conhecida na voz do lendário guitarrista Eric Clapton. No disco ainda, o grupo começa a utilizar bateria eletrônica, demonstrando influência das novas bandas que surgiam no início da década de 80. Ainda nesta época, foi filmado um show da turnê de lançamento deste disco que atualmente pode ser conferido em um DVD chamado "Hair Of The Dog Live". No vídeo a banda demonstra muito mais peso que no próprio álbum.
Direcionamento Pop
Após patinar um pouco no início da década de 80, os escoceses gravaram o ao vivo "Snaz" e, em seguida, lançaram o seu melhor álbum na década. Em "2XS", o Nazareth soube equilibrar melhor o direcionamento Pop que adotou. O LP inicia com a canção "Love Leads To Madness", que se tornou grande sucesso. Além de ser lançada em videoclipe, a música ainda fez parte da novela global "Sol de Verão". O disco também emplacou a balada "Dream On", que continua no set list dos shows da banda até hoje. Fora a retomada dos hits, o trabalho ainda apresentou melhor unidade. Apesar de utilizar bateria eletrônica como detalhe, os arranjos não foram comprometidos. O "2XS" ainda incluiu canções que devem ser mencionadas como "Boys In The Band", "Back To The Trenches" e "Games". Muitos fãs consideram o álbum a obra prima do grupo na década de 80.
Sound Elixir
Por causa do sucesso obtido com "2XS", o Nazareth optou em manter a mesma fórmula e lançou um álbum nos mesmos padrões. A estratégia foi correta. Em 1983, os escoceses fizeram "Sound Elixir", que emplacou "Where Are You Now" – uma balada que segue o mesmo estilo do sucesso "Dream On". É importante mencionar que desta vez o grupo voltou a deixar sua sonoridade menos pesada e mais limpa, sem comprometer a qualidade. Destacam-se no LP a pesada para padrões oitentistas "Whippin’ Boy" e "Rags To Riches". Ao lado de "2XS", o álbum apresenta o que de melhor foi feito pelo Nazareth na década de 80.
Perda de identidade
Já em 1984 o Nazareth demonstra que exagerou na utilização de elementos da música pop da década de 80. Ao lançar o LP "The Catch", a banda escocesa recebe diversas críticas. O trabalho abusa da bateria eletrônica, teclados e sintetizadores. A canção "Party Down", que abre o LP, é bem próxima do estilo New Wave que foi consolidado por grupos como The B52-s e Devo. O disco não agradou, principalmente, os fãs conservadores da década de 70. O excesso de elementos oitentistas causou um desequilíbrio musical na fórmula do grupo. O disco também não atingiu o objetivo pretendido pela falta de uma grande balada com apelo comercial. Porém, o trabalho expôs algumas canções interessantes. Destacam-se "This Month’s Messiah", que apresenta uma sonoridade mais pesada, lembrando o estilo tradicional da banda escocesa e a interpretação de "Ruby Tuesday" (conhecida balada dos Rolling Stones).
A retomada das raízes
Dois anos depois de confundir os fãs e lançar o álbum "menos Nazareth" da discografia, a banda avaliou a possibilidade de resgatar a sonoridade e o estilo que trouxeram a consagração mundial. Em 1986, chegou às lojas de discos de todo o mundo o LP "Cinema". Apesar de retomar as raízes, o excesso de cuidado resultou em um disco pouco ousado. "Cinema" é um trabalho que agradou fãs, mas não surpreendeu. Mais pesado que o álbum anterior, o disco ainda trazia algumas faixas com bateria eletrônica. O destaque pela retomada do estilo foi do guitarrista Manny Charlton, que incorporou mais sua identidade na obra devido a utilização de seus riffs. Outro integrante da banda que voltou a apresentar um desempenho semelhante ao dos grandes discos da década de 70 foi o vocalista Dan McCafferty. Vale mencionar as canções "Just Another Heartache", "Other Side Of You" e a bela balada "A Veteran’s Song".
Fim de década
No último ano da década de 80, o Nazareth gravou o disco que ao lado de "The Catch" é um dos menos admirados pelos fãs. A banda fechou os anos 80 insistindo em uma fórmula que não deu muito certo. Se em "The Catch" os escoceses fizeram uma versão para canção dos Stones, no presente trabalho o Nazareth apresentou um novo arranjo para a canção "Piece Of My Heart", famosa na voz da lendária cantora da década de 60, Janis Joplin. Já nas demais canções o grupo demonstrou exaustão e pouca inspiração. Parecia realmente que o Nazareth desejava que a década acabasse. Percebe-se no álbum que o excesso de teclados e a falta de peso voltaram a figurar. O trabalho é recomendado somente para os fãs mais fanáticos. Pode se destacar no álbum o Hard Rock psicodélico "Back To School" e "Girls".
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