Deep Purple
Por João Paulo Andrade
Postado em 06 de abril de 2006
O Deep Purple teve início em 1968, com o nome Roundabound (felizmente logo abandonado). A banda se apresentava na América, a início como acompanhantes do artista Chris Curtis. A primeira formação, que lançou três discos de pouca repercussão ("Shades of Deep Purple", "Book of Talyesin" e "Deep Purple") contava com o vocalista Rod Evans, o guitarrista Ritchie Blackmore, o baixista Nick Simper, o baterista Ian Paice e o tecladista Jon Lord. O nome Deep Purple foi sugerido por Ritchie Blackmore, retirado de uma música que sua avó gostava.
Em 1969 resolveram arriscar uma mudança no direcionamento musical da banda, convidando o vocalista Ian Gillan e o baixista Roger Glover, e passando a buscar um estilo que misturasse música clássica européia ao hard rock que surgia na inglaterra com as bandas Yardbirds e Led Zeppelin. O primeiro álbum com esta formação, com o sugestivo nome de "Concerto For Group & Orchestra" foi recebido com respeito (e um pouco de estranheza) pela crítica. Não foi, todavia, um grande sucesso de público. Dariam uma virada em 1970 com o álbum "Deep Purple In Rock", que com seu hard rock direto e bem feito rapidamente chegou ao topo das paradas transformando imediatamente o Deep Purple em uma banda grande e influente. São deste disco alguns dos primeiros grandes clássicos da banda, entre outros, "Speed King" e "Child in Time".
"Fireball", de 1971, confirmou o sucesso da banda, e com o álbum "Machine Head" (um dos clássicos do rock de todos os tempo, lançado em 1972) atingiram o auge. Constam deste álbum dois de seus maiores hits, "Smoke On The Water" (com um dos riffs mais marcantes da história do hard rock) e "Highway Star". A turnê que se seguiu rendeu um outro álbum clássico, "Made In Japan".
"Who Do We Think We Are" de 1973 marcou o início de uma fase ruim para a banda, que culminou com a saída do vocalista e baixista pouco antes do início da turnê. Durante um curto período de tempo o vocalista Paul Rodgers (que havia tocado com o Free) assumiu o vocal do Deep Purple, até sair da banda para montar seu projeto Bad Company, sendo substituído por David Coverdale. O baixo foi assumido por Glenn Hughes. Com esta formação lançaram o excelente "Burn" em 1974, boa fase que não iria durar muito em virtude de problemas entre Ritchie Blackmore e David Coverdale.
"Stormbringer" de 1974 foi novamente um retrocesso, que culminou com a saída do guitarrista Ritchie Blackmore (que viria a formar o Ritchie Blackmore's Rainbow poucos meses depois). Para seu lugar foi recrutado o guitarrista Tommy Bolin (que tocava jazz/fusion com a banda de Bill Cobham).
Em 1976 a morte de Tommy Bolin por uma overdose de heroína foi a gota d'água para que a banda fosse oficialmente desfeita. David Coverdale, Jon Lord e Ian Paice participariam do Whitesnake, Ian Gillan viria a tocar alguns meses com o Black Sabbath (além de seguir carreira solo com a Gillan Band) e Roger Glover se juntou à banda de Ritchie Blackmore.
Durante anos houveram boatos de que a banda estaria prestes a armar uma reunião que se concretizou apenas em 1984. Apesar de ter sido reunida uma das melhores formações da banda, com Ian Gillan, Ritchie Blackmore, Roger Glover, Jon Lord e Ian Paice, o lançamento do álbum "Perfect Strangers" confirmou que a banda já não era a mesma em estúdio. Sua sonoridade estava americanizada e se assemelhava mais ao Rainbow ou Whitesnake que ao Deep Purple original. Após a gravação de um novo álbum, "The House Of Blue Light", em 1987, Joe Lynn Turner (que havia tocado com Ritchie Blackmore no Rainbow) assumiu o lugar de Gillan. Após extensas turnês a banda finalmente lançou "Slaves & Masters" em 1990.
Gillan voltou à banda em 1992 e em 1993 a banda lançou o album "The Battle Rages On", com duas faixas fantásticas, "The Batlle Rages On" e "Anya" tocadas em um show em Birmingham em comemoração aos 25 anos da formação da banda.
Infelizmente, este show marcou a saída do guitarrista Ritchie Blackmore devido aos atritos que continuavam. Foi substituído por Joe Satriani e mais tarde Steve Morse, dono de um estilo muito mais técnico e preciso. O álbum "Purpendicular" de 1996 foi aplaudido mundialmente por público e crítica, com a banda conseguindo resgatar grande parte de seu prestígio.
Logo após, a banda concebeu "Live in Olympia", um álbum ao vivo que traz seus principais sucessos juntamente com suas músicas mais recentes. Vale destacar a passagem que a banda teve em março de 1997 pelo Brasil, tocando em várias cidades.
Em 1998, o Deep-Purple lança "Abandon", um álbum pesado no velho estilo de In Rock mas não tão bem recebido pela crítica. Interessante a banda ter incluído uma versão atual de "Bloodsucker" (do álbum "In Rock") batizada desta feita de "Bludsucker". Pouco convincente pelo fato de Ian Gillan não possuir a mesma voz de anos atrás.
Em 2002 seria a vez de Jon Lord, alengando que estava velho e precisava se aposentar, anunciar sua saída amigável da banda. Para seu lugar foi anunciado Don Airey.
Em 2003 lançam o álbum "Bananas", sucesso de público e também de crítica, mostrando que o Deep Purple de Steve Morse, mesmo que muito diferente daquele dos tempos do mestre Ritchie Blackmore, ainda é inspirado e seus integrantes se divertem amplamente com ele. A banda veio ao Brasil para divulgar o disco e gravou participação no humorístico Casseta e Planeta, da televisão.
Agradecimentos: Albertino Viveiros, José Augusto F. dos Anjos e Augusto Chamy Amorim Ferreira
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