Black Pistol Fire: dupla representa o rock de garagem
Resenha - Black Pistol Fire - Black Pistol Fire
Por Fabio Hoffmann
Postado em 20 de junho de 2013
Frente à incessante criação de bandas derivadas desse boom indie(antigo boom emo)que se espalham por todo o globo, fica difícil evitar as comparações, o que acaba deixando bandas novas fadadas ao estereótipo. Porém, as comparações não se restringem unicamente ao som, uma vez que também são aplicadas ao estilo dos integrantes e à própria formação da banda.
O curioso é que essas comparações parecem ter efeito cumulativo. Os Black Keys cansaram de ser assemelhados ao White Stripes quando caíram no radar do grande público, por sua vez, o Black Pistol Fire é alvo de comparações não só à banda de Jack White como à dupla de Akron, Ohio também. Perceberam a bola de neve?
Natural de Toronto, Canadá, o trio que denominava-se The Shenenigans não demorou para se dissipar, formando o duo composto por Kevin McKeown(guitarra/vocal) e Eric Owen(bateria), que formam o Black Pistol Fire. A dupla que não encontrava espaço em meio à crescente presença de bandas eletrônicas e de indie rock que nasciam na terra do curling viu-se forçada a migrar para o sul, onde finalmente se estabeleceu em Austin, Texas.
Uma vez em Austin, o BPF incorporou todo o componente blues e os arranjos típicos do rock sulista americano às suas composições, processo que viria a criar o primeiro álbum da banda em 2011, intitulado simplesmente como "Black Pistol Fire".
A faixa de abertura é "Cold Sun", iniciada com um delicioso riff que não demora a ser acompanhado pela bateria precisa de Owen, desencadeando a primeira porrada sonora do álbum. Isso prova que pra funcionar, um bom cd deve ter como primeira faixa uma música estourada(salvo exceções, lê-se "Suck it and see", dos macacos). A faixa ainda nos presenteia com um refrão chiclete, e aos 02min07seg, começam a se formar novos riffs que vão muito além da já costumeira dupla de versos que fazem parte do especial incorporado às músicas que umas bandinhas de pop compõem.
A segunda faixa, "Suffication Blues" mostra o porque das comparações com os Black Keys. Realmente, o riff de abertura lembra bastante "I Got Mine" dos Keys. Não parei pra comprovar, mas não me surpreenderia se ambas tivessem sido compostas no mesmo tom. Ainda assim, isso não reduz a qualidade da música, onde a banda mostra sua veia blues em ritmo sempre acelerado.
"Where You Been Before" também estampa as características blues da dupla, onde somos apresentados a uma levada sulista agradável aos ouvidos, porém, decorridos 01min08seg de música, McKeown mostra pela primeira vez sua capacidade como solista, que agrada tanto quanto as escalas destrinchadas no final da faixa.
"Jezebel Stomp" segue uma cartilha semelhante que acompanha os versos iniciais com riffs bem trabalhados em ritmo menos acelerado e fecha com um solo de fazer fechar os olhos e balançar a cabeça.
"You're not the only one" é o tipo de música que te transporta pra um pub mal iluminado, de onde você observa a banda da escuridão. Destaque para o refrão viajante e para bateria de Owen, que parece especialmente pulsante.
"Trigger on my fire" desencadeia uma sequência que eu considero a santa trindade do álbum, que acompanha "Sort me out" e "Jackknife Darlin". As três são faixas que eu classifico como "all rise", o que significa que são músicas que só crescem. Somando isso a refrões tão sensacionais quanto ao da faixa de abertura e ao de "Silent Blue"(a ser mencionada), pessoalmente fico dividido entre as cinco para eleger uma favorita do álbum. Caso você não saiba, ficar dividido entre cinco músicas quanto a favorita é a característica de um ótimo cd.
"Black Eyed Susan" é o momento em que paramos para respirar. Única música "calminha" do álbum, a faixa tem uma levada bem anestésica, podendo agradar até mesmo aqueles que não curtem rock; imaginem-se curtindo um bom country.
A décima faixa é "Silent Blue"(mencionada acima). Voltamos aos riffs em levada acelerada! Conduzindo uma música que não é necessariamente pesada com plena harmonia entre os instrumentos e uma ponte que suaviza antes da porrada que é o refrão, a dupla cria uma música que é simplesmente revigorante.
"Without Love" aparece para consolidar o lado blues do BPF mais uma vez; tem uma pegada que lembra, em partes, as composições de Chuck Berry. O refrão é acompanhado por um ótimo riff, e aos 01min14seg há uma mudança de ritmo que nos dá a capacidade de viajar. Lembram do pub mal iluminado? Pois é, estamos de volta!
Acompanhando os efeitos de sua antecessora, a 12ª faixa, "Bottle Rocket", tem versos que fazem qualquer um querer fazer um twist à la John Travolta e Uma Thurman. O refrão é explosivo!
Da mesma forma que abriram o álbum de forma explosiva, fecham com a cataclismática "So Heavy", que traz elementos que nos remetem a Zeppelin e Radio Moscow. A bateria de Owen se despede de forma dilacerante. Como já é de costume, aos 02min36seg há uma completa inversão de ritmo que só faz a música crescer, e quem paga o preço são os tímpanos.
Não me lembro da última vez em que ouvi um álbum e simplesmente adorei todas as músicas, principalmente quando se tratava de uma banda ainda desconhecida. Acho que este acontecimento foi o principal fator que me fez escrever esta resenha.
Comparações sempre serão feitas, porém, a melhor forma de apresentar um trabalho de qualidade(perdoem minha pieguisse) ainda é demonstrar paixão ao tocar, e essa paixão transpareceu ao longo das 13 faixas do debut do Black Pistol Fire.
1. Cold Sun Nota: 10
2. Suffication Blues
3. Where You Been Before
4.Jezebel Stomp
5. You´re Not The Only One
6. Trigger On My Fire
7. Sort Me Out
8. Jackknife Darlin
9. Black Eyed Susan
10.Silent Blue
11.Without Love
12.Bottle Rocket
13.So Heavy
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