O cantor que viu o Metallica ao vivo e achou que a banda não iria a lugar nenhum
Por Bruce William
Postado em 14 de junho de 2026
Hoje parece quase impossível imaginar alguém vendo o Metallica no começo dos anos 1980 e concluindo que aquela banda não teria futuro. Mas o cenário era bem diferente. O heavy metal que dominava clubes, revistas e gravadoras valorizava cada vez mais visual, refrões acessíveis e músicos capazes de parecer estrelas antes mesmo de vender muitos discos.
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O Metallica não oferecia nada disso. James Hetfield, Lars Ulrich, Cliff Burton e Kirk Hammett subiam ao palco com roupas comuns, cabelos desgrenhados e músicas rápidas, agressivas e pouco amigáveis para o rádio. Não havia maquiagem, coreografia ou preocupação em suavizar o que estavam fazendo.
Foi nesse contexto que Dee Snider, vocalista do Twisted Sister, assistiu ao grupo ainda em seus primeiros anos. Sua banda havia passado muito tempo no circuito de clubes de Nova York e conhecia bem a dificuldade de transformar dedicação em sucesso. Mesmo assim, ele não conseguiu enxergar no Metallica algo que pudesse alcançar um público muito maior, relembra a Far Out.
"Eles tinham acabado de chegar, e eu estava fazendo minha maquiagem, como sempre", lembrou Snider. "Este é um caso clássico de que ninguém acerta sempre. Lembro claramente de estar ao lado do palco vendo o Metallica com Marc Mendoza e dizer para ele: 'Esses caras têm muita raça, mas nunca vão chegar a lugar nenhum'."
A avaliação não vinha necessariamente de desprezo. Snider percebeu a entrega da banda, mas ela parecia deslocada em relação ao que a indústria buscava naquele momento. Enquanto grupos de hard rock e glam metal trabalhavam com imagem cuidadosamente construída, o Metallica parecia interessado apenas em tocar mais alto, mais rápido e de maneira cada vez mais pesada. O primeiro álbum, "Kill 'Em All", lançado em 1983, reforçava essa impressão. Músicas como "Motorbreath", "Whiplash" e "Metal Militia" tinham energia suficiente para incendiar um clube, mas dificilmente pareciam candidatas a tocar nas rádios ao lado das grandes bandas comerciais da época.
O que Snider não podia prever era que o próprio distanciamento do Metallica em relação ao mercado se tornaria uma de suas maiores forças. A banda construiu público pela estrada, pelas trocas de fitas e por uma ligação intensa com fãs que viam naquele som algo muito mais verdadeiro do que a produção polida oferecida pelas gravadoras.
A ascensão ocorreu sem seguir o caminho convencional. Durante boa parte dos anos 1980, o Metallica cresceu sem depender de videoclipes, singles tradicionais ou uma imagem cuidadosamente adaptada para a televisão. Cada disco aumentava o alcance da banda, mas sem abandonar completamente a agressividade que havia causado estranhamento no começo.
Quando "Master of Puppets" chegou em 1986, já estava claro que aqueles músicos não precisavam se encaixar no padrão dominante para lotar arenas. Poucos anos depois, o lançamento do álbum conhecido como Black Album levaria o Metallica a um patamar comercial que quase ninguém poderia ter previsto naquela noite observada por Dee Snider.
O vocalista do Twisted Sister contou a história justamente porque sabia o quanto havia errado. Sua previsão nasceu de uma lógica que parecia razoável naquele momento: uma banda tão pouco preocupada com imagem e rádio provavelmente teria dificuldade para avançar. O Metallica acabou mudando a lógica em vez de obedecer a ela.
Snider viu coração, barulho e convicção, mas não imaginou que aquilo bastaria para construir uma das maiores bandas do planeta. Às vezes, o erro não está em deixar de reconhecer o talento. Está em acreditar que o público só aceitará aquilo que já conhece.
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