Briga de tributos tem Blood Fire Death reclamando de Blood Fire Death
Por Emanuel Seagal
Postado em 14 de junho de 2026
A banda alemã Blood Fire Death, que há mais de 15 anos presta tributo ao Bathory, publicou um comunicado em seu Instagram reivindicando o uso do próprio nome, em meio à confusão gerada por um projeto escandinavo de mesmo nome. O detalhe que complica a queixa é cronológico: o grupo escandinavo é mais antigo na origem do que o alemão.
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O grupo da Alemanha atua desde 2010 como "Blood Fire Death, A Tribute to Bathory", e diz já ter passado de pequenas casas de shows a festivais como o Party.San e o Wolfszeit. Segundo o comunicado, foi no fim de 2024 que percebeu um segundo grupo se apresentando com o mesmo nome, sem saber de início quem eram seus integrantes.
Esse segundo grupo, no entanto, não nasceu em 2024. O projeto "Blood Fire Death, A Tribute to Quorthon and the Music of Bathory" foi concebido em 2004, no festival Hole in the Sky, em Bergen, na Noruega, mesmo ano da morte de Quorthon. Ele foi retomado duas décadas depois, nos 20 anos do falecimento do músico, em apresentação no festival norueguês Beyond the Gates, em Bergen, em 3 de agosto de 2024. A própria página oficial do grupo se identifica como ativa desde 2004.
A formação central reúne cinco músicos da cena black metal escandinava: Erik Danielsson (Watain), Ivar Bjørnson (Enslaved), Rune "Blasphemer" Eriksen (Vltimas, ex-Mayhem), Ole Jørgen "Apollyon" Moe (Aura Noir) e Bård "Faust" Eithun (Djevel, ex-Emperor). Com exceção de Erik Danielsson, o núcleo é formado por noruegueses, explicando a referência dos alemães aos "músicos noruegueses".
O projeto escandinavo carrega ainda uma ligação direta com a história do Bathory. O supergrupo levou ao palco Frederick Melander, baixista da primeira formação do Bathory, que gravou o split "Scandinavian Metal Attack", de 1984. Ele voltou aos palcos com o tributo na apresentação de 2024 em Bergen. Os dois grupos, alemão e escandinavo, tiram o nome de "Blood Fire Death", álbum lançado pelo Bathory em 1988.
A banda alemã afirma que a situação vem lhe causando problemas. O comunicado lista quatro exemplos: a emissora Arte teria perguntado sobre uma suposta apresentação "deles" no Hellfest; um promotor teria anunciado um show do outro grupo utilizando a foto da banda alemã; a agência de booking dos alemães recebe pedidos destinados ao supergrupo; e parceiros comerciais do supergrupo seguem entrando em contato com a banda alemã.
O grupo relatou ter tentado uma solução amigável antes de agir. "Entramos em contato logo no início, na esperança de uma solução que funcionasse para ambos os lados. A única resposta que recebemos foi a de que as bandas não poderiam ser confundidas, porque os logos são diferentes. Depois disso, silêncio", afirmou.
A banda separou a disputa de nome de qualquer crítica ao trabalho do outro grupo. "Isto não é sobre se opor ao trabalho de tributo. Nós respeitamos os músicos noruegueses, o amor deles pelo Bathory também é o nosso, e desejamos a eles todo o sucesso em manter essa música viva", declarou.
Por fim, justificou a decisão de proteger o nome. "O nome de uma banda é um de seus principais ativos. Depois que nossos esforços ficaram sem resposta por muito tempo, protegê-lo era o único passo que restava."
"[…] Não pedimos nada além de manter o nome que carregamos desde 2010", concluiu.
Enquanto a disputa se desenrola, o projeto escandinavo segue com a agenda cheia. O grupo dá sequência à turnê "Shores in Flames Tour 2026", que passa por festivais como Tons of Rock, Kilkim Žaibu, Copenhell, Wacken Open Air e Eindhoven Metal Meeting. Até a publicação desta matéria, o supergrupo não havia se manifestado publicamente sobre a reclamação dos alemães.
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