Resenha - Aurora Consurgens - Angra

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Por Carlos Eduardo Garrido
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Depois do excelente “Temple of Shadows” que marcou um direcionamento mais experimental e com uma veia mais próxima do Prog Metal, muito era esperado para o novo lançamento da principal banda do Metal brasileiro. E eis que finalmente é lançado “Aurora Consurgens”, que leva o mesmo nome do livro de São Tomás de Aquino e é oitavo disco de estúdio da banda, se contarmos os EPs “Freedom Call” e “Hunters And Pray”. Porém ao contrário do seu antecessor, este não é um álbum conceitual. Apesar de as letras das músicas de certa forma falarem todas sobre um mesmo tema, os sentimentos que compõe a personalidade humana, tais como amor, ódio, depressão, alegria dentre outros, o álbum não segue uma historia.

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Tratando da parte musical mais especificamente, que aliás é o que interessa, o álbum segue uma linha parecida com a do ToS, porém é mais pesado e direto. Mas não se engane, quando eu digo que ele é mais direto quero dizer que não tem tantas baladas e nem muitas viagens por outros estilos, porém as músicas continuam intricadas e cheias de momentos virtuosos, com todos os integrantes mostrando que são ótimos músicos. Afinal ainda estamos falando do Angra, que por mais que lancem discos diferenciados continua mantendo sua personalidade e raízes intactas. Outra mudança está na forma de cantar de Edu Falaschi, que aliás é um dos destaques desse novo álbum, criando linhas vocais um pouco mais agressivas e rasgadas, mas sem deixar sua veia melódica de lado.

Uma coisa que deve chamar a atenção do fã mais atento é que apenas uma música foi composta pelo guitarrista Rafael Bittencourt, que normalmente era quem compunha a maior parte do material do grupo, e aqui escreveu somente algumas letras. As outras foram compostas pelos outros integrantes, ora sozinhos e ora em parcerias entre eles, a não ser pelo baterista Aquiles Priester que não foi responsável por assinar nenhuma das faixas do disco.

O álbum abre com a empolgante “The Course of Nature”, que tem um excelente refrão e uma parada no meio que lembra muito a música King do álbum solo do vocalista Edu Falaschi. Na seqüência temos aquela que como citado anteriormente é a única composição de Rafael no CD, a veloz e melodiosa “The Voice Commanding You”, séria candidata a melhor do álbum, e que conta até com um coral de canto gregoriano em sua metade num momento de rara beleza. Excelente música!

Outro grande momento é “Ego Painted Grey”, que mostra o lado progressivo da banda. Ela começa lenta, apenas levada no vocal e no baixo inspirado de Felipe Andreoli, depois ganha peso e segue cadenciada até o fim. “Breaking Tiés” é a balada do álbum, uma bela composição que poderia estar facilmente no projeto Almah, pois se assemelha muito as composições lá encontradas, não é à toa que recebe a assinatura do vocalista.

O speed metal volta à tona com as boas e pesadas “Salvation: Suicide”, “Window to Nowhere” e “Sream Your Heart Out”, todas com grande trabalho da dupla de guitarras e bons refrões (principalmente a primeira e a terceira). “So Near So Far” é composição mais pretensiosa e longa do álbum, lembra um pouco o estilo da “The Shadow Hunter” do disco anterior, porém sem a mesma inspiração e brilho, ainda que seja uma bela música. Enquanto que “Passing By” é a mais cadenciada e também aquela que menos se destaca.

E para fechar, como já é tradição nos discos do Angra, temos a canção mais calma e tranqüila do disco, nesse caso a bela “Abandoned Fate” que é completamente acústica e poderia figurar fácil dentro do ToS.

Na versão japonesa ainda temos a bônus “Out of This World”, uma semi-balada bastante legal cantada pelo guitarrista Rafael Bittencourt. Não sei porque esses japoneses gostam tanto de faixas extras, só pro coitado do fã mais radical ter que desembolsar ainda mais grana para comprar um CD importado...

Vale lembrar que a produção ficou mais uma vez por conta de Dennis Ward e mais uma vez ficou perfeita, totalmente cristalina, mesmo com o direcionamento um pouco mais pesado adotado pelo grupo neste “Aurora Consurgens”. E como em time que ganha não se meche, a arte gráfica também ficou com a mesma artista responsável pelas anteriores, a portuguesa Isabel de Amorim, que dessa vez criou uma arte bem estranha.

Rock Brigade Records, 2006

Track-list:
1. The Course Of Nature 4:30
2. The Voice Commanding You 5:26
3. Ego Painted Grey 5:37
4. Breaking Ties 3:29
5. Salvation: Suicide 4:21
6. Window To Nowhere 6:00
7. So Near So Far 7:07
8. Passing By 6:31
9. Scream Your Heart Out 4:24
10. Abandoned Fate 3:10

Line Up:
Edu Falaschi – Vocal
Kiko Loureiro – Guitarra
Rafael Bittencourt – Guitarra
Felipe Andreoli – Baixo
Aquiles Priester - Bateria

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Sobre Carlos Eduardo Garrido

Jornalista formado. Descobriu o Heavy Metal aos 15 anos de idade e desde então, não vive mais sem esse estilo de música. Suas bandas preferidas são Metallica, Iron Maiden, Savatage, Angra, Blind Guardian, dentre muitas outras. Através do jornalismo conseguiu unir suas duas paixões: escrita e música. Além de colaborar com o Whiplash, mantém o blog ociocomcafe.blogspot.com.

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