O rock progressivo, nos anos 1970 e 1980, não representou somente discos e turnês grandiosos e doses consideráveis de ousadia, experimentalismo e, inevitavelmente, pretensão. As capas de discos de muitas bandas do estilo também seguiram a tendência “perfeccionista” do gênero, sendo a mesma tratada como uma “obra de arte” a ser trabalhada e apresentada ao público.
Quem é mais velho (tipo uns trinta e cinco anos pra cima) e curtia os medalhões do estilo sabe exatamente o que era pegar o disco de vinil e curtir as belas, complexas ou intricadas imagens que diversos álbuns de rock progressivo apresentavam, com diferentes significados. Mesmo que o aparecimento do CD tenha tirado de cena esse tipo de arte, pelo menos duas gerações de fãs de progressivo tiveram o privilégio de possuir discos que, além do belo conteúdo, possuíam uma bela capa. Os artistas que serão citados neste “artigo” marcaram não só o rock progressivo, mas também a todos os admiradores de capas de bom gosto. Seus nomes representam uma referência de como realizar uma capa de qualidade, principalmente se levarmos em conta que eram trabalhos feitos, muitas vezes, no “braço” e à base de muita criatividade, pois, nessa época, os efeitos digitais ou via computadores estavam longe de serem desenvolvidos. O presente texto presta um tributo a quatro “ícones” que com certeza têm sua arte inserida na classificação do estilo e que influenciaram dezenas de outros artistas e “capistas” nas décadas seguintes.



Mesmo que nem sempre as capas confeccionadas pela Hipgnosis fossem “geniais”, o grande atrativo desse grupo era a variedade de estilos, efeitos e formatos que seus profissionais podiam oferecer a essas capas. As capas feitas pela empresa podiam ser de forma mais convencional, representadas por pinturas ou desenhos, ou, principalmente, nas complexas montagens fotográficas, onde Thorgerson e seus rapazes exploraram praticamente todos o meios e ferramentas disponíveis na época, como também se valendo de uma (interessante) simplicidade, ao usar, por exemplo, a foto de uma vaca na capa de um dos grupos de seu “cast”. Muitas vezes os trabalhos da empresa tornaram-se referência para outros artistas gráficos que seguiram nessa linha, em especial o estúdio de Bill Smith, o principal no design visual de bandas progressivas na década de 1990, claramente influenciado pelo trabalho de Thorgerson e cia.
Seria com o Pink Floyd que a Hipgnosis faria seus melhores trabalhos. As capas dos discos "Atom heart mother", ou “o disco da vaca” (1970), "Dark side of the moon" (1973), "Wish you were here" (1975) e "Animals" (1977) comumente (e de forma merecida) aparecem em listas de publicações especializadas que elegem as melhores capas de grupos de rock.
Além do Floyd, a Hypgnosis também rendeu outras belas capas progressivas, como nos discos "Trilogy" (1972), do Emerson Lake & Palmer; "The lamb lies down on Broadway" (1974), "A trick of the tail" (1976) e "Wind and wuthering" (1977) do Genesis; "Prologue" (1972), "Ashes are burning" (1973), "Turn of the cards" (1974) e "Scheherazade and other stories" (1975) do Renaissance; "Going for the one" (1977) do Yes; entre outros trabalhos para bandas como Brand X, UK, Alan Parsons Project, Eletric Light Orchestra e Ashra, além dos trabalhos solos de David Gilmour, Richard Wright, Nick Mason e os três primeiros álbuns de Peter Gabriel. Merece citação também a participação da empresa na confecção de capas para vários grupos ligados ao hard rock e ao heavy metal, alguns ocasionalmente e outros com maior regularidade, como o UFO, AC/DC, Black Sabbath, Rainbow, Bad Company, Wishbone Ash, Scorpions e Led Zeppelin.
Após a dissolução da Hipgnosis, em 1983, Thorgerson continuou, com sucesso, fazendo capas para diferentes artistas, voltando a trabalhar com o Pink Floyd (paralelamente com os discos solos de Gilmour e Wright) a partir de 1987 e de bandas progressivas como o Dream Theater e grupos de diferentes estilos como o Muse, The Mars Volta, Anthrax, Audioslave, Bruce Dickinson, Phish, entre outros. Apesar de agora poder contar com um leque mais variado de efeitos visuais, o fotógrafo continua apostando não somente no requinte das capas, mas também em trabalhos criativos e diferenciados.
Para saber mais:
http://www.stormthorgerson.com



Tendo participado de diferentes cursos relacionados a design e arquitetura entre 1961 e 1965, e formado pelo Colégio Real de Artes na Inglaterra, Dean começou sua carreira na segunda metade dos anos 1960, chegando a ter algum contato com membros da Hipgnosis e trabalhando em design de prédios, salas e ambientes, como a casa de jazz de Ronnie Scott. Após fazer algumas capas de discos entre 1968 e 1970, Dean chamou a atenção da gravadora Atlantic e do grupo Yes, que o chamou para trabalhar no design de seus álbuns.
Dean captou com maestria, e uma certa pomposidade, o auge da banda (entre 1971-75), fazendo capas inesquecíveis para os fãs do grupo nos discos "Fragile" (1972), "Close to the edge" (1972), "Yessongs" (1973), "Relayer" (1974), entre vários outros álbuns e coletâneas, até aproximadamente 2005. Os quadros utilizados também muitas vezes podiam ser transformados em maquetes, que o grupo ocasionalmente utilizava em seus shows ou na gravação de seus discos de estúdio, como, por exemplo, no álbum duplo "Tales from the topographic oceans" (1974), onde foram utilizadas maquetes em tamanho natural nas sessões de gravação do álbum.
Seu estilo de pintura era marcado por uma inovadora, mesmo que por vezes estranha, forma de pintar horizontes, numa espécie de arte em três dimensões apresentando monumentais paisagens, sejam montanhas, cachoeiras, planícies, ou até mesmo planetas, arte essa que foi aprimorada com o decorrer do tempo.

Para saber mais:
http://www.rogerdean.com



Para saber mais:
http://www.paulwhitehead.com




Para saber mais:
http://www.the-masque.com
Roberto Lopes, 30, é arquivista e moderador do Ummagumma, onde é conhecido como Ummagumma é um fórum que procura discutir todas as vertentes do progressivo. Todos estão convidados a visitá-lo e discutir a música progressiva, desde os medalhões sinfônicos até as bandas mais experimentais.
Esta é uma matéria antiga do site Whiplash.Net. Quer saber por que destacamos matérias antigas?
Todas as matérias da seção Ummagumma
Os comentários são postados usando scripts do FACEBOOK e logins do FACEBOOK, HOTMAIL, AOL ou YAHOO, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de exclusiva e integral autoria e responsabilidade dos usuários que fizeram uso deste sistema (citados na assinatura de cada comentário). Caso você considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato. Os responsáveis pelo site podem excluir comentários que julgarem inadequados e fornecer informações sobre os comentários a reclamantes se solicitados.
Arquivista, professor, cientista da informação e pseudo escritor de música nas horas vagas. Apesar de mais focado no Rock Progressivo e clássico, também curte metal, punk, rock alternativo e indie Rock.
Mais matérias de Roberto Lopes no Whiplash.Net.
QUEM SOMOS | RSS | FACEBOOK | TWITTER | NEWSLETTER | APPS | ANUNCIAR | ENVIAR MATERIAL | FALE CONOSCO
Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria. Os textos não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será retirado do site.
Em abril de 2012 Whiplash.Net teve 1.078.971 visitantes únicos, 2.974.068 visitas e 10.616.661 pageviews. Ver stats.