Death metal progressivo

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Por Roberto Lopes
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Como já discutido em artigos anteriores na seção Ummagumma, a cena prog metal foi um dos novos cenários surgidos no rock progressivo após a década de 80, que renovou e revitalizou o estilo, mas que também atraiu críticos, que não viam com bons olhos a junção do progressivo clássico com elementos ligados ao heavy e ao thrash metal. Mas dentro da cena do metal progressivo, surgiu uma pequena e ainda mais radical proposta que uniu elementos do rock progressivo com o de bandas e grupos ligados ao death e ao black metal, criando uma espécie de "death prog metal", se é que um termo assim pode ser utilizado. Não que a junção fosse impossível, pois vários grupos de death já citaram terem influência de progressivo em sua música (o grupo Entombed chegou a gravar uma cover de "21st century schizoid man" do King Crimson), mas aparentemente o que era improvável apenas unindo elementos do heavy metal ficava ainda mais inverossímil em relação ao metal extremo. Mas nada que o talento e ousadia de alguns músicos não pudessem resolver e, no final da década de 90, essa inesperada proposta tomava forma e se consolidava, atraindo fãs de ambos os estilos e, de certa maneira, os promovendo. Aqui estão citados os grupos mais representativos dessa junção ou os que consolidaram a mistura bem sucedida entre o progressivo e o metal extremo.

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Cynic - A história e discografia do Cynic foi curta e instável, mas o grupo pode ser considerado o grande precursor em unir elementos do death e thrash com o progressivo (e algumas pitadas de jazz e experimentalismo). Formado em 1987, na Flórida, a banda após um período de excursões, hiatos e algumas demos, somente lançaria seu primeiro, e único, disco em 1993, chamado "Focus". O disco é uma salada de estilos e de influências e, apesar da influência death ser uma das mais nítidas, com certeza é um trabalho difícil de receber um simples rótulo, onde é percebido também influências de jazz, progressivo e até mesmo música eletrônica. Apesar da boa receptividade de público e crítica para com o trabalho, a insistente instabilidade do grupo faria com que o mesmo encerrasse as atividades em 1994. O grupo se reuniu repentinamente no final de 2006, com alguns shows esporádicos nos EUA, e, em 2007, a banda pretende seguir em alguns shows na Europa, sem planos aparentes de algum novo trabalho em estúdio.

Opeth - O grupo oriundo da Suécia talvez seja a banda que melhor conseguiu unir o prog com o death metal ou talvez a que soube apontar os mais diferenciados caminhos para essa mistura. Em seus primeiros trabalhos lançados na segunda metade dos anos 90, apesar da mistura de estilos ser nítida, faltava um certo refinamento nessa proposta por parte da banda, problema que seria resolvido nos discos "Still life" (1999) e mais nitidamente em "Blackwater park" (2001), em que eram percebidas influências tanto de bandas de metal extremo como nítidas influências de grupos progressivos como King Crimson e Camel. Um interessante exemplo da versatilidade do grupo pode ser visto nos álbuns conceituais "Deliverance" (2002), grandioso, muito pesado e com belas passagens de mellotron a cargo do Porcupine Tree Steve Wilson, e na segunda parte "Damnation" (2003), melancólica e lenta, com resquícios de Pink Floyd em algumas partes. Juntos mostravam um grupo que não só experimentava a junção dos dois estilos, mas que também se arriscava a utilizá-los em contextos distintos. "Ghost reveries" (2005), o ultimo álbum de estúdio lançado pela banda até o momento, resgata a mistura bem sucedida entre elementos progressivos e do metal extremo e, apesar de algumas baixas recentes na formação da banda, a mesma continua na ativa e com uma agenda de shows cheia.

Meshuggah - O grupo, também sueco, apesar de não possuir uma influência tão nítida de progressivo quanto o Opeth e de não ter uma sonoridade tão misturada quanto o trabalho do Cynic, possuiu uma interessante proposta de juntar elementos do thrash, death e math rock com pitadas de elementos progressivos. A banda afirma que, entre uma gama variada de influências, artistas progressivos também aparecem como fonte de inspiração para sua música (como Dream Theater, Tool e até mesmo Mike Oldfield). A consolidação da banda viria em seu segundo disco "Destroy erase improve" (1995), onde a proposta musical do grupo viria a ser solidificada. "Chaosphere" (1998) com a grandiosa faixa "Elastic", com mais de quinze minutos, e o disco seguinte, "Nothing" (2002, regravado em 2006), um pouco mais lento e com influências de jazz-rock, mostraram que os bons resultados obtidos pelo grupo não eram efêmeros. A banda, na ativa, pretende lançar mais um disco de estúdio em 2007.

The Gathering - O grupo holandês tem sua adição à galeria do "metal progressivo" regada a controvérsias e atualmente se afastou dos elementos ligados ao doom e black metal. Em seus primeiros discos, a banda seguia por um caminho basicamente ligado ao black e ao doom metal, com apenas algumas pitadas progressivas aqui e ali, fato que começaria a mudar no disco "Nighttime birds" (1997), onde se percebia o eficiente vocal de Anneke van Giersbergen, e mais nitidamente com o trabalho "How to measure a planet?" (1999) onde o grupo soube melhor dosar misturas de elementos progressivos, do black e do doom metal (aqui já em doses bem menores) e do trip-hop. Nos discos seguintes, "If then else" (2001), "Souvenirs" (2003) e no último, "Home" (2006), a banda se afastaria de vez da proposta doom, trazendo sua sonoridade para outros tipos de metal e para o rock alternativo e o indie rock.

Death - Dizer que o Death deva ser classificado somente como prog metal seria forçado e um tanto pretensioso. O grupo, liderado pelo talentoso Chuck Schuldiner (1967-2001), na verdade foi um dos que consolidou a cena death/thrash nos EUA nas décadas de 80 e 90, com clássicos como "Scream bloody gore" (1987) e "Human" (1991). Mas o grupo surpreenderia em seu último trabalho de estúdio, "The sound of perseverance", lançado em setembro de 1998, talvez o disco que melhor obteve uma eficiente mistura entre o progressivo e o death metal. Influenciado principalmente por Dream Theater e com várias faixas longas, algumas entre seis e oito minutos, o disco mostra uma interessante proposta que une grandiosidade e momentos mais "melodiosos" com o peso tão característico do grupo, incluindo uma excelente versão do clássico do Judas Priest, "Painkiller".


É claro que existem outros bons exemplos de bandas que conseguiram bons resultados (e o fórum da seção Ummagumma está aberto para mais sugestões), mas, no aspecto de consolidação dessa proposta, essas cinco bandas com certeza garantiram seu espaço, seja no rock progressivo, seja no cenário do metal extremo.


Roberto Lopes, 28, é arquivista e moderador do Ummagumma, onde é conhecido como bobblopes. O Ummagumma é um fórum que procura discutir todas as vertentes do progressivo. Todos estão convidados a visitá-lo e discutir a música progressiva, desde os medalhões sinfônicos até as bandas mais experimentais.


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Sobre Roberto Lopes

Arquivista, professor, cientista da informação e pseudo escritor de música nas horas vagas. Apesar de mais focado no Rock Progressivo e clássico, também curte metal, punk, rock alternativo e indie Rock.

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