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Capas: Os grandes artistas do rock progressivo

Por Roberto Lopes
Em 04/06/09

O rock progressivo, nos anos 1970 e 1980, não representou somente discos e turnês grandiosos e doses consideráveis de ousadia, experimentalismo e, inevitavelmente, pretensão. As capas de discos de muitas bandas do estilo também seguiram a tendência "perfeccionista" do gênero, sendo a mesma tratada como uma "obra de arte" a ser trabalhada e apresentada ao público.

Quem é mais velho (tipo uns trinta e cinco anos pra cima) e curtia os medalhões do estilo sabe exatamente o que era pegar o disco de vinil e curtir as belas, complexas ou intricadas imagens que diversos álbuns de rock progressivo apresentavam, com diferentes significados. Mesmo que o aparecimento do CD tenha tirado de cena esse tipo de arte, pelo menos duas gerações de fãs de progressivo tiveram o privilégio de possuir discos que, além do belo conteúdo, possuíam uma bela capa. Os artistas que serão citados neste "artigo" marcaram não só o rock progressivo, mas também a todos os admiradores de capas de bom gosto. Seus nomes representam uma referência de como realizar uma capa de qualidade, principalmente se levarmos em conta que eram trabalhos feitos, muitas vezes, no "braço" e à base de muita criatividade, pois, nessa época, os efeitos digitais ou via computadores estavam longe de serem desenvolvidos. O presente texto presta um tributo a quatro "ícones" que com certeza têm sua arte inserida na classificação do estilo e que influenciaram dezenas de outros artistas e "capistas" nas décadas seguintes.

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Hipgnosis/ Storm Thorgerson



No inicio de 1968, o grupo inglês Pink Floyd (mais especificamente seu líder Syd Barrett, ainda não totalmente consumido pelo LSD, e Roger Waters) decidiu deixar a arte gráfica das capas dos seus discos ao cargo de um jovem e promissor fotógrafo chamado Storm Thorgerson (1944-2013), na época amigo do grupo, iniciando, informalmente, a carreira de uma das mais produtivas e criativas empresas gráficas dos anos 1970, a Hipgnosis. Consolidada somente em meados de 1971, com a entrada do designer Aubrey Powell (1946-) e, em 1974, do fotógrafo Peter Christopherson (1955-2010), a empresa começaria uma grandiosa jornada artística, registrando praticamente toda a elite do progressivo inglês, sem contar um numero considerável de bandas de outros estilos, em suas capas.

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Mesmo que nem sempre as capas confeccionadas pela Hipgnosis fossem "geniais", o grande atrativo desse grupo era a variedade de estilos, efeitos e formatos que seus profissionais podiam oferecer a essas capas. As capas feitas pela empresa podiam ser de forma mais convencional, representadas por pinturas ou desenhos, ou, principalmente, nas complexas montagens fotográficas, onde Thorgerson e seus rapazes exploraram praticamente todos o meios e ferramentas disponíveis na época, como também se valendo de uma (interessante) simplicidade, ao usar, por exemplo, a foto de uma vaca na capa de um dos grupos de seu "cast". Muitas vezes os trabalhos da empresa tornaram-se referência para outros artistas gráficos que seguiram nessa linha, em especial o estúdio de Bill Smith, o principal no design visual de bandas progressivas na década de 1990, claramente influenciado pelo trabalho de Thorgerson e cia.

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Seria com o Pink Floyd que a Hipgnosis faria seus melhores trabalhos. As capas dos discos "Atom heart mother", ou "o disco da vaca" (1970), "Dark side of the moon" (1973), "Wish you were here" (1975) e "Animals" (1977) comumente (e de forma merecida) aparecem em listas de publicações especializadas que elegem as melhores capas de grupos de rock.

Além do Floyd, a Hypgnosis também rendeu outras belas capas progressivas, como nos discos "Trilogy" (1972), do Emerson Lake & Palmer; "The lamb lies down on Broadway" (1974), "A trick of the tail" (1976) e "Wind and wuthering" (1977) do Genesis; "Prologue" (1972), "Ashes are burning" (1973), "Turn of the cards" (1974) e "Scheherazade and other stories" (1975) do Renaissance; "Going for the one" (1977) do Yes; entre outros trabalhos para bandas como Brand X, UK, Alan Parsons Project, Eletric Light Orchestra e Ashra, além dos trabalhos solos de David Gilmour, Richard Wright, Nick Mason e os três primeiros álbuns de Peter Gabriel. Merece citação também a participação da empresa na confecção de capas para vários grupos ligados ao hard rock e ao heavy metal, alguns ocasionalmente e outros com maior regularidade, como o UFO, AC/DC, Black Sabbath, Rainbow, Bad Company, Wishbone Ash, Scorpions e Led Zeppelin.

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Após a dissolução da Hipgnosis, em 1983, Thorgerson continuou, com sucesso, fazendo capas para diferentes artistas, voltando a trabalhar com o Pink Floyd (paralelamente com os discos solos de Gilmour e Wright) a partir de 1987 e de bandas progressivas como o Dream Theater e grupos de diferentes estilos como o Muse, The Mars Volta, Anthrax, Audioslave, Bruce Dickinson, Phish, entre outros. Apesar de agora poder contar com um leque mais variado de efeitos visuais, o fotógrafo continua apostando não somente no requinte das capas, mas também em trabalhos criativos e diferenciados.

Para saber mais:
http://www.stormthorgerson.com

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Roger Dean



Quando falamos da carreira do grupo Yes, é quase obrigatório (chegando a soar clichê) citarmos, entre vários elementos que identificam a banda, a arte do pintor e designer inglês Roger Dean (1944-).

Tendo participado de diferentes cursos relacionados a design e arquitetura entre 1961 e 1965, e formado pelo Colégio Real de Artes na Inglaterra, Dean começou sua carreira na segunda metade dos anos 1960, chegando a ter algum contato com membros da Hipgnosis e trabalhando em design de prédios, salas e ambientes, como a casa de jazz de Ronnie Scott. Após fazer algumas capas de discos entre 1968 e 1970, Dean chamou a atenção da gravadora Atlantic e do grupo Yes, que o chamou para trabalhar no design de seus álbuns.

Dean captou com maestria, e uma certa pomposidade, o auge da banda (entre 1971-75), fazendo capas inesquecíveis para os fãs do grupo nos discos "Fragile" (1972), "Close to the edge" (1972), "Yessongs" (1973), "Relayer" (1974), entre vários outros álbuns e coletâneas, até aproximadamente 2005. Os quadros utilizados também muitas vezes podiam ser transformados em maquetes, que o grupo ocasionalmente utilizava em seus shows ou na gravação de seus discos de estúdio, como, por exemplo, no álbum duplo "Tales from the topographic oceans" (1974), onde foram utilizadas maquetes em tamanho natural nas sessões de gravação do álbum.

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Seu estilo de pintura era marcado por uma inovadora, mesmo que por vezes estranha, forma de pintar horizontes, numa espécie de arte em três dimensões apresentando monumentais paisagens, sejam montanhas, cachoeiras, planícies, ou até mesmo planetas, arte essa que foi aprimorada com o decorrer do tempo.

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Dean emprestou seu talento também a capas de outras bandas como o Asia - destaque para os três primeiros discos da banda, "Asia" (1982), "Alpha" (1983), "Astra" (1985), e no último de estúdio, "Phoenix" (2008) -, Greenslade, Uriah Heep (nos memoráveis discos "Demons and wizards" e "The magician’s birthday"), Gentle Giant, Budgie e Glass Hammer, em trabalhos solo do guitarrista Steve Howe e em projetos como o Anderson, Bruford, Wakeman & Howe. Paralelamente à realização de capas de discos, Dean sempre se manteve ocupado em outras atividades, como na realização de livros em diferentes formatos, pinturas, trabalhos relacionados à arquitetura, na realização de capas para videogames e até a realização de um filme em animação, chamado "Floating islands", tendo sua produção sendo iniciada em 2005.

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Para saber mais:
http://www.rogerdean.com

Paul Whitehead


No início de 1970, Tony Stratton-Smith, então diretor da gravadora Charisma, e o produtor John Anthony, entraram em contato com um talentoso, mas ainda iniciante, artista chamado Paul Whitehead (c.1945-) para trabalhar com as bandas progressivas da gravadora. Whitehead não só entrou rapidamente em sintonia com essas bandas, mas sua arte representou os bons tempos dessa gravadora, na primeira metade da década de 1970. Seus principais trabalhos estão nos discos do Genesis "Trespass" (1970), "The nursery Cryme" (1971) e "Foxtrot" (1972), nos álbuns "H to he, who am the only one" (1970) e "Pawn hearts" (1971) do Van Der Graaf Generator, e nos discos solo de Peter Hammill "Fool's mate" (1971) e "Chameleon in the shadow of the night" (1973), onde aparentemente chegou a tocar bateria. As capas de Whitehead tinham a característica de serem complexas e detalhistas.

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No Genesis, o estilo das mesmas tinham um caráter mais "clássico", misturando os elementos contido nas canções da banda com traços artísticos relacionados à Inglaterra vitoriana (período relacionado ao governo da rainha Vitória e do auge do império britânico, entre 1837 a 1901). Já nos discos do VDGG e dos trabalhos solos de Hammill, Whitehead costumava experimentar mais, utilizando colagens de fotografias, elementos surrealistas e de arte contemporânea, e, em alguns momentos, sendo até mais detalhista que as capas do Genesis. Posteriormente, estabilizado nos Estados Unidos, Whitehead, manteve, em escala reduzida, a confecção de capas de outros artistas progressivos, como, por exemplo, nos discos do Le Orme "Elementi" (2001) e "L'infinito" (2004), na coletânea "The colossus of Rhodes" (2004), da gravadora Musea, e na realização de alguns posters para o braço europeu da turnê de retorno do Genesis, em 2007. Atualmente, além das atividades relacionadas ao rock, Whitehead trabalha na confecção de logotipos para empresas e realiza outros tipos de trabalhos de caráter gráfico.

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Para saber mais:
http://www.paulwhitehead.com

Mark Wilkinson




Entre 1982 a 1988, tudo o que foi relacionado ao Marillion (discos de estúdio, singles, vídeos, coletâneas, álbuns ao vivo etc) recebeu a arte do pintor e quadrinista Mark Wilkinson (1952-), que ajudou a dar um caráter "mítico" a essa fase do grupo. A obra de Wilkinson lembrava vagamente os trabalhos do antecessor Whitehead, em relação ao detalhismo das capas e de muitas conterem diferentes informações sobre o disco em questão. Entretanto, o estilo de Wilkinson era bem diferente, onde, ao contrário de Whitehead, que seguia numa linha mais "tradicional" (até para se adaptar ao clima vitoriano que o Genesis apresentava nos seus primeiros discos), Wilkinson foi especialista na arte conhecida como aerografia (que se utiliza de um equipamento chamado aerógrafo que, conectado a um compressor de ar, executa pinturas por meio da pressão do ar, criando jatos de tintas). Wilkinson, com a colaboração de Fish, desenvolveu "mascotes" que foram imortalizados na memória dos fãs, como o bobo da corte que aparece na capa do primeiro disco da banda, "Script for a jester's tear" (1983) e na criança estilizada no álbum "Misplaced childhood" (1985) (o modelo vivo dessa capa, Robert Mead, apareceria novamente, mais velho, no disco ao vivo "Return to childhood", de Fish, em 2006). Esses mascotes ganharam contornos mais sombrios ou melancólicos nos singles e coletâneas da banda nessa fase. Com a saída de Fish e a gradativa mudança de rumo sonoro no Marillion, o artista (compreensivelmente) se afastou da arte gráfica da banda, mesmo que, para alegria dos fãs, tenha voltado a mostrar suas pinturas para algumas coletâneas do grupo que englobam a fase Fish, nas caixas "Curtain call" (2004) e "Early stages" (2008) e na coletânea "Best of both worlds" (1997). Wilkinson também fez capas de bandas como o Judas Priest, em discos como "Ram it down" (1988), "Painkiller" (1990) e "Angel of retribution" (2005), do grupo neoprogressivo Satellite, da turnê da cantora Kylie Minogue, em coletâneas e singles do grupo Iron Maiden e em discos solo do ex-Marillion Fish como, por exemplo, "Vigil in a wilderness of mirrors" (1990), "Sunsets of empire" (1997), "Field of crowds" (2003) e "13th Star" (2007).

Para saber mais:
http://www.the-masque.com


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Sobre Roberto Lopes

Arquivista, professor, cientista da informação e pseudo escritor de música nas horas vagas. Apesar de mais focado no Rock Progressivo e clássico, também curte metal, punk, rock alternativo e indie Rock.

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