New prog: renovação ou equívoco?

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Por Roberto Lopes
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O rock progressivo durante seus quase 40 anos de existência, apesar de receber coerente análises e classificações por parte do público e da crítica especializada, também teve de agüentar a criação de novas e estranhas classificações, a grande maioria sem muito critério e, muitas vezes, sem nenhum sentido. Mas, felizmente, de todas as subdivisões criadas a partir dos anos 90 (e que até hoje insistem em serem inventadas em alguns espaços prog), apenas o prog metal e o post rock é que realmente conseguiram se consolidar, por terem mostrado ser duas cenas consistentes, com identidade própria e que realmente mereciam algum tipo de classificação em separado. Esses cenários também renderam grupos que obtiveram considerável sucesso artístico durante boa parte da década de 90 (Dream Theater, Queensryche, Mogway, Tortoise, entre outros...). Recentemente outra classificação apareceu de forma tímida na imprensa britânica, denominada de new prog (não confundindo com o termo neoprogressivo, já consolidado), também chamado de nu-prog e de post-prog. Em pouco tempo, essa classificação passou a ser usada em determinadas bandas, que atualmente recebem o termo com certa desconfiança, em alguns espaços na Internet, ainda que nem no meio prog o mesmo tenha ainda "vingado" ou recebido alguma atenção mais forte até o momento.

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Apesar de um tanto confuso, principalmente por ainda não haver uma discussão sobre o subestilo, existe um certo consenso de que o new prog seria uma nova geração de bandas, a maioria surgidas na segunda metade dos anos noventa, que busca unir elementos do rock progressivo (em especial Pink floyd e Rush) com de outros estilos como o indie rock (mais especificamente Pixies), grunge (em especial Nirvana) e até um pouco de punk e hardcore. Num primeiro momento, pode-se confundir esse estilo com o post rock, que também tem uma queda para rock alternativo, mas no new prog as influências progressivas não são tão nítidas e a fonte de inspiração oscila muito mais entre o prog e o alternativo do que no post rock. Talvez pudesse também ser colocado numa categoria ligada ao indie rock/rock alternativo, como o shoegaze, estilo oriundo dos anos 80 que unia o alternativo com pitadas de space rock. Mas as influências progressivas em bandas classificadas como "new prog" são muito mais fortes e nítidas do que as ligadas ao shoegaze por exemplo. Pode-se dizer que o estilo seria uma espécie de "meio termo" entre a junção do prog rock e o indie rock.

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Radiohead
Radiohead
Mesmo que não relacionado a esse subestilo, o grupo inglês Radiohead talvez possa ser citado como uma espécie de precursor para o mesmo. Formado em 1987, o grupo em seus primeiros trabalhos, o EP "Drill" (1992) e o disco "Pablo Honey" (1993), aparentavam que a banda seria apenas mais um nome no cenário do rock alternativo e do britpop, ressaltado pelo primeiro single de sucesso do grupo, "Creep". Mas isso seria abruptamente mudado nos discos seguintes "The bends" (1995) e o aclamado "Ok computer" (1997). Nesses álbuns, a banda adicionaria vários novos elementos e influências em seu som, que se afastavam um pouco do punk e do indie rock, e evidenciava o talento do vocalista Thom Yorke. Músicas como "Just", "Fake plastic trees" - esta regravada pelo Marillion - e "Paranoid android" mostravam que a banda seguia por um rumo bem diferenciado de outros colegas ingleses como o Blur e Oasis. Os álbuns "Kid A" (2000), "Amnesiac "(2001) e "Hail to the thief" (2003) não só confirmaram essa mudança sonora como mostraram um grupo transitando com surpreendente tranqüilidade entre diferentes estilos como o rock alternativo, rock progressivo (com especial influência de bandas como Can e Pink Floyd), jazz e musica eletrônica, somando-se a isso a algumas pitadas de experimentalismo e de letras introspectivas. A banda lançou recentemente um novo trabalho, "In rainbows", com uma interessante proposta onde os fãs via Internet davam um lance livre e pessoal para adquirir as músicas do trabalho. O álbum em si foi muito bem recebido pela crítica e aparentemente o grupo manteve a qualidade dos trabalhos anteriores.

Pure Reason Revolution
Pure Reason Revolution
Se podemos colocar o Radiohead como uma espécie de "pai" para esse estilo, claro que com a devida cautela, que outras bandas podem ser "incluídas" no "new prog"?

Dos grupos "incluídos", alguns tendem a cair seu som mais para o rock progressivo, como é o caso das bandas Pure Reason Revolution e Coheed and Cambria, esse último classificado também como Emo. Álbuns como "The dark third" (2006), do Pure Reason e os dois volumes do trabalho "Good Apollo, I'm burning star IV" (o primeiro volume lançado em 2005 e o segundo em 2007) do Coheed, indicam duas bandas que bebem tanto na fonte do classic rock (Led Zeppelin, Queen), do progressivo (Pink floyd, Rush) e do punk rock, obviamente com resultados bem diferenciados de um grupo para outro.

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Muse
Muse
Outras bandas que também são classificadas apresentam influências menores de progressivo, mas o suficiente para serem incluídas no gênero. Nessa forma, são citadas as bandas Mew, Muse e Oceansize. Dos três, o Muse é o que conseguiu maior reconhecimento comercial e artístico, principalmente com o aclamado disco "Black holes and revelations" (2006), considerado pela crítica como uma das melhores junções de progressivo e rock alternativo dos últimos anos. Já o Oceansize, sendo talvez o mais influenciado pelo prog, caindo por influências ligadas ao Floyd, Can e Tortoise, também mistura elementos do shoegaze, vanguarda e bandas alternativas como Jane’s Addiction e Verve, com destaque para o álbum "Everyone into position" (2005). O dinamarquês Mew apresenta uma queda para uma sonoridade mais introspectiva, com resquícios do space rock e de pop rock. Seu disco "And the glass handed kites" (2005) é seu trabalho de maior repercussão. Outras bandas classificadas nesse estilo, como o Dredg, Mistery Jets e Doves, não são muito conhecidas ou ainda possuem sua classificação musical, seja ligada ou não ao progressivo, vaga.

Apresentando a classificação do subestilo e as bandas que integram o mesmo, vem a pergunta se a classificação pode vingar ou se é apenas um equívoco e que logo cairá no esquecimento. É cedo para tirar conclusões, porém o termo new-prog, apesar de vago (sem contar sua variações ainda mais vagas de nu e post prog), tem certo sentido e aparenta classificar de forma coerente bandas alternativas que não caem para o progressivo e ambient como o post rock, mas que não apresentam apenas alguns sinais de influência progressiva, como no shoegaze. Mas a real consolidação do termo só acontecerá realmente caso o meio progressivo também o adote ou que pelo menos discuta se o mesmo é uma classificação válida; caso contrário o mesmo terá boas chances de não se manter e cair em desuso, mas isso só o tempo trará a resposta.

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Porém, independentemente de o "new-prog" vingar ou não como um novo estilo de rock progressivo, o mesmo é mais um bom sinal que confirma a influência do progressivo no cenário rock contemporâneo.

Mais informações: existe um minúsculo verbete no Wikipedia, artigos isolados pela rede e resenhas de discos das bandas citadas no artigo.

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Roberto Lopes, 29, é arquivista e moderador do Ummagumma, onde é conhecido como bobblopes. O Ummagumma é um fórum que procura discutir todas as vertentes do progressivo. Todos estão convidados a visitá-lo e discutir a música progressiva, desde os medalhões sinfônicos até as bandas mais experimentais.

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Sobre Roberto Lopes

Arquivista, professor, cientista da informação e pseudo escritor de música nas horas vagas. Apesar de mais focado no Rock Progressivo e clássico, também curte metal, punk, rock alternativo e indie Rock.

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