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Dark Tranquillity: a temporada de shows começou com estilo!

Resenha - Dark Tranquillity (Clash Club, São Paulo, 19/01/2014)

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Por Durr Campos
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Encerrar o ano passado com um show sensacional do NILE e abrir os serviços de 2014 com o DARK TRANQUILLITY é sinal de boníssima ventura, creio eu. Se o Clash Club foi o local certo para tal evento deixo nas mãos do público decidir e comentar ao final deste texto. Particularmente gostei da qualidade sonora e iluminação, mas reprovo totalmente os absurdos preços cobrados no bar. Pagar por uma garrafa pequena de água R$ 7 (sete reais) e cerveja long-neck beirando a casa dos dez reais, dentre outras atrocidades, é vergonhoso. Fica o hashtag #querovernacopa para refletirmos sobre como iremos nos portar perante abusos desse tipo. De bico seco ou não, o fato é que os que saíram de casa no domingo para conferir a ocorrência viram cinco suecos serem responsáveis por um dos concertos mais bacanas e simpáticos dos últimos anos em São Paulo. Não deixando por menos, o grande GENOCIDIO fez as honras e abriu com maestria a noite. Acompanhem nas linhas e fotos a seguir.

Passenger: O projeto de Anders Fridén, do In FlamesJethro Tull: a fúria de Ian Anderson pra cima do Led Zeppelin

Texto: Durr Campos
Fotos: Fernando “The Wizard” Yokota. Set completo em
http://www.flickr.com/photos/fernandoyokota/sets

Genocidio

Para este que vos escreve é sempre um prazer estar em frente a uma das bandas mais importantes do heavy metal feito neste país. O Genocidio é daqueles seletos que vão ficando melhor com o tempo, prova disso é o salto técnico incrível ouvido no mais recente trabalho de estúdio, “In Love with Hatred”, certamente uma das melhores coisas lançadas ano passado. Dali tocaram quatro temas: “Birth of Chaos”, “Kill Brazil”, “In Love with Hatred” e “‘Till Nothing Do Us Apart”, não necessariamente nesta ordem.

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Dentre os destaques menciono “Numbness Sunshine”, uma das minhas favoritas do quarteto. Não tem jeito, sinto uma pegada hardcore old school e algo do Morbid Angel fase “Altars of Madness” nela. Já a “Settimia”, um dos higlights em “The Clan” (2010), é outra das que nasceram para os palcos. Ferocíssima e detentora de uma melodia espa(e)cial, não me canso dela. Murillo Leite (vocal/guitarra) perguntou se alguém ali conhecia o “Posthumous”, clássico lançado há quase 18 anos. A barulheira vinda da plateia confirmou que sim e “The Sphere of Nahemah” tomou conta do local de forma sublime. Esta é uma das joias do repertório da banda, sem dúvidas, tanto quanto “Uproar”, do igualmente essencial “Hoctaedrom” (1993), lindeza que encerrou a participação da rapaziada.

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Um adendo aos navegantes: Aos que não conhecem a trajetória do Genocidio, procurem informar-se, pois se trata de uma verdadeira instituição da música pesada nacional. Percebi certo desprezo por parte de poucos que ficavam por ali perambulando trabalhados no desdém. Cá para nós, só perde-se com isso, amigos e amigas. E não, não fui pago por eles para escrever isso, relato porque RESPEITO é bom e todos gostam!

Line-up
Murillo Leite – vocais/guitarra
Wanderley Perna – baixo
João Gobo – bateria
Rafael Orsi – guitarra

Set-list - Genocidio
Birth of Chaos
Kill Brazil
Transatlantic Catharsis
Cloister
In Love with Hatred
Numbness Sunshine
‘Till Nothing Do Us Apart
The Sphere of Nahemah
Settimia
The Clan
Uproar

Sites relacionados:
http://www.genocidio.com.br
http://www.youtube.com/user/Genocidioofficial
https://www.facebook.com/genocidiobr

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Dark Tranquillity

Quando o Dark Tranquillity esteve aqui pela última vez há três anos e meio não pude assisti-los, mas guardo na memória os comentários altamente positivos dos sortudos que foram ao Carioca Club naquele Dia dos Namorados de 2010. A data combinou, pois há muito romanticismo na arte dos suecos, mesmo quando a velocidade e peso fazem-se presentes. Suas harmonias são únicas e pioneiras no que mais tarde veio a ser o death metal melódico típico de Gotemburgo. Quem não se chocou ao ouvir o “The Gallery” (1995) exatamente quando foi lançado? Tive uma fita K-7 em mãos devido uma amiga brasileira em intercâmbio na cidade natal da banda e precisei desembolsar uma bela quantia à época para encomendar o CD importado. Tornei-me obcecado por um par de anos por aquilo. Anos mais tarde pude vê-los ao vivo na Europa e minha admiração só cresceu.

Sendo assim, no último domingo minha expectativa era grande e não houve decepção. Mikael Stanne é um frontman como deve ser. O rapaz possui aquela suavidade típica dos escandinavos, um gentleman, mas emana energia e pujança quando canta. Performance impecável e simpatia sem medida. Lógico que o público reconhece e interage lindamente com a banda quando algo assim ocorre. Eu diria que tínhamos ali uma aula de como se portar em cena. Da formação original ainda temos o guitarrista Niklas Sundin e o baterista Anders Jivarp, ambos pouco festivos, mas não menos talentosos. Já o outro responsável pelas seis cordas, Martin Henriksson, possui uma pegada mais na linha do Stanne e está sempre sorrindo, algo que já fazia antes, mas era encoberto pelos dreadlocks. O aparentemente tímido tecladista Martin Brändström é outro exímio em seu instrumento. A beleza ímpar de seus timbres e texturas fazem toda a diferença no conjunto desde que entrou na gangue em 1999.

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“The Science of Noise” me garantiu que os músicos sabiam a que vieram para esta segunda investida em nossa terra, até porque ela é uma das mais empolgantes no mais recente “Construct”, lançado em maio do ano que passou. Neste décimo trabalho de estúdio, posso afirmar que o Dark Tranquillity retomou a magnitude de “Fiction” (2007), superando seu antecessor, “We Are The Void”. Sobre este derradeiro citado, vale a curiosidade de ter sido o único a contar com o baixista Daniel Antonsson (ex-Dimension Zero e Soilwork), o qual substituiu Michael Nicklasson, que por dez anos emprestou seu talento ao DT (1998-2008). A ótima “White Noise/Black Silence” do “Damage Done” (2002) colou perfeitamente e ficou ainda mais bonita com o beijo de Mikael em nossa bandeira. Sem querer parecer ufanista, muito pelo contrário, mas a sinceridade com que fez aquilo me arrancou um sorriso de canto a canto. Já neste ponto menciono as projeções trazidas para ilustrar cada uma das canções do set, uma melhor que a outra e matematicamente sincronizadas.

A seguinte, “What Only You Know”, uma das melhores dentre as mais recentes, mescla bem o que o DT faz com excelência: unir melodias, urdiduras (“cores”) modernas/alternativas e vocais ora rasgados ora limpos. Sendo uma composição de Brändström é até natural ser guiada pelas teclas, o que adicionou uma dose extra de beleza ali. Antes dela Stanne disse que sentira saudades do Brasa. A belíssima “The Fatalist” arrancou suspiros e não houve quem reclamasse de sua inclusão no repertório, pelo menos se me basear na reação espontânea da audiência. A qualidade da mesma é a única responsável por seu sucesso, idêntico para “Zero Distance”, que teve sincronia perfeita com o clipe oficial exibido no telão. Já assistiu? Confirma ao final desta página. Mais uma nova com a interessante “The Silence in Between” e um retorno ao “Fiction” em “The Mundane and the Magic”. Dentre elas muita gratidão por parte da banda e visível contentamento por estarem compartilhando aquele momento conosco.

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“Vou precisar da participação de vocês nesta”, pediu Mikael antes de soltar a conhecidíssima “Monochromatic Stains”, provavelmente a mais festejada pelos fãs em “Damage Done”. Eu cito a parte da letra que mais me agrada: “Sought trust in shapes of combined results/ That trickles from a less than solid case. Fought off attacks of resurfaced lust/ Burn the gracing grounds…”, daí vem o refrão delicioso com “What will give in first/ The body or the lash/ Monochromatic stains/ Who will cave in first/ The leader or the fake/ Monochromatic stains.” Todos cantaram e ficou bonito o negócio. O “Haven” (2000) infelizmente ficou registrado apenas por conta de “The Wonders at Your Feet”. Não que ela seja carente de brilho, ao contrário, mas o álbum que marca a entrada de Martin Brändström e a troca de instrumento de Martin Henriksson, outrora baixista, poderia ter pelo menos mais um item executado (Nota do redator: Minha sugestão seria “Emptier Still”). Isso sem falar do fato de que neste trabalho houve a última contribuição de Anders Fridén como engenheiro de som. Sabem que estou a falar do vocalista do In Flames, certo? Aquele que cantou em “Skydancer” (1993) e sempre se manteve por perto de seus amigos de longa data. Na contramão, Mikael Stanne registrou um ano após o debut do grupo de Fridén, o lendário “Lunar Strain”.

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Estão sentindo falta de alguma coisa? Que tal “To a Bitter Halt” para adentrarmos em “Projector”, aquele item na discografia do Dark Tranquillity responsável por afastá-los consideravelmente do estilo que ajudaram a fomentar e sobre o qual mencionei em um dos parágrafos acima. Lançado em 1999, Stanne encarnou um verdadeiro barítono e dividiu opiniões. O fato é que o registro venceu a prova do tempo e hoje muitos o consideram como seu favorito. A banda estava a fim de surpreender e, nas palavras de Stanne, “relembrar algumas coisas que nunca tocamos antes”. Foi aí que surgiu “Silence, and the Firmament Withdrew”, do meu apaniguado “The Gallery”. Pronto, bastava emendar com “Midway Through Infinity” e eu poderia me considerar o homem mais afortunado do mundo! Ela não veio, mas a surpresa continuou sendo esplendorosa. “Sei que é domingo e muitos irão trabalhar amanhã. Obrigado por virem. Amamos vocês por isso!", disse Mikael antes de anunciar a sensacional “Terminus (Where Death Is Most Alive)”, de “Fiction”.

Outra de “Construct” que mantém aquela ponte entre passado e presente do DT, “State of Trust” é um primor de composição. Uma grande amiga esperava por ela com empolgação e não teve seu desejo frustrado. Ficou tão boa quanto a versão em estúdio. Aliás, vou dizer o mesmo de “Endtime Hearts”, do mesmo disco. As letras nesta hodierna obra são em minha opinião o grande barato. Se verificadas com mais afinco, há de se perceber que possuem uma carga obscura salutar. Eu diria que são mais racionais ao tratar das questões envolvendo religiões e fé. A “construção” da realidade é individual, mas por isso passível dos mais diversos equívocos. Lembro-me de ler Stanne dizendo que pretendia provocar seus ouvintes a uma postura mais cética sobre si próprios através das letras em “Construct”. O guitarrista Niklas também versava sobre a temática filosofando acerca dos mistérios cerebrais: “Eles (os nossos cérebros) evoluíram para encontrar padrões e conexões onde não há nenhuma, mas - como dizem - afirmações extraordinárias requerem evidências extraordinárias. Eu raramente quero falar sobre coisas não-musicais, mas como um amante da ciência e cético eu tenho que aproveitar a oportunidade para recomendar aos interessados em UFOs ou teorias da conspiração a lerem ‘O Mundo Assombrado pelos Demônios’ (Título original: ‘The Demon Haunted World’), de Carl Sagan”, disse em entrevista à New Noise Magazine (leia a mesma aqui, em inglês). De fato o escritor nova-iorquino, morto em 1996, foi uma mente das mais brilhantes da ciência contemporânea. Cientista, astrobiólogo, astrônomo, astrofísico, cosmólogo, escritor e divulgador científico, Sagan é autor de mais de 600 publicações de sua área e mais de 20 livros de ciência e ficção. Foi um grande defensor do ceticismo e promoveu a busca por inteligência extraterrestre, instituindo o envio de mensagens a bordo de sondas espaciais, destinadas a informar possíveis civilizações alienígenas sobre a nossa existência.

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Peço perdão ao leitor pela enorme digressão, mas acho prudente adentrarmos mais intensamente ao mundo de uma banda tão inventiva quanto o Dark Tranquility. Para amenizar a supracitada leitura, relembremos um dos maiores sucessos comerciais da banda, “ThereIn”, um convite a cantar junto, em especial o refrão: “It was solid/ Yet everchanging/ It was different/ Yet the same/ So I starve myself for energy...” É como a letra também diz, encontra-se nisso a beleza (Nota do redator: Citando o trecho “Therein lies the beauty”). E quando algo tá bom que fique ainda melhor porque “Lost to Apathy” foi como estar em casa de tão confortável que é ouvir esta belezura. Em ambas o telão citou parte das letras e gerou aquele atrativo extra. O encore foi um show em si. Iniciou com a exuberante “Lethe”, seguida de “Punish My Heaven”, isto é, estávamos mesmo perambulando pela “galeria”. Quase ouvi um “Come and dance through my vanity's halls. Welcome to my exhibition! (Nota do redator: Menção ao início da faixca-título de ‘The Gallery’)”. Para mim o melhor momento da noite. Como se não bastasse, “Misery's Crown” ainda estava ali engatilhada para cingir o desfastio concebido por um ato inolvidável.

Line-up
Mikael Stanne – vocais
Martin Henriksson – guitarra
Niklas Sundin – guitarra
Anders Jivarp – bateria
Martin Brändström – teclados, programações

Set-list Dark Tranquility
The Science of Noise
White Noise/Black Silence
What Only You Know
The Fatalist
Zero Distance
The Silence in Between
The Mundane and the Magic
Monochromatic Stains
The Wonders at Your Feet
To a Bitter Halt
Silence, and the Firmament Withdrew
Terminus (Where Death Is Most Alive)
State of Trust
Endtime Hearts
ThereIn
Lost to Apathy
Encore:
Lethe
Punish My Heaven
Misery's Crown

Links Relacionados
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Sobre Durr Campos

Graduado em Jornalismo, o autor já atuou em diversos segmentos de sua área, mas a paixão pela música que tanto ama sempre falou mais alto e lá foi ele se aventurar pela Alemanha, país onde reside atualmente e possui família. Lendo seus diversos artigos, reviews e traduções publicados aqui no site, pode-se ter uma ideia do leque de estilos que fazem sua cabeça. Como costuma dizer, não vê problema algum em colocar para tocar um Scum do Napalm Death, seguido de Substance do New Order ou Black Celebration do Depeche Mode, daí viajar no tempo com Stormbringer do Deep Purple, se acabar ao som do Bounded By Blood do Exodus e finalizar o dia com alguma coisa do ABBA ou Impetigo. Simples assim.

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