Em 27/08/2011 | Resenha - Destruction (Carioca Club, São Paulo, 27/08/11)

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Resenha - Destruction (Carioca Club, São Paulo, 27/08/11)


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Antes de falar do que realmente interessa aos nossos leitores, preciso comentar sobre algo que me indignou no Carioca Clube durante a apresentação da banda DESTRUCTION. A história é simples, pessoal: quem não sabe lidar com Heavy Metal NÃO pode se envolver com ele! Tudo fica ainda mais complicado quando estamos nos referindo à equipe de seguranças. O que vimos foram fãs apaixonados pelo trio alemão serem expulsos da casa por fazerem crowding surfing, isto é, quando alguém é levantado pelo público e parece estar surfando sobre as cabeças das pessoas. Quem conhece os shows de Thrash Metal e Hardcore – para ficarmos nos estilos que mais chamam a citada modalidade – pelo mundo afora sabe que é perfeitamente corriqueira a prática desta brincadeira (sim, as pessoas estão ali para se divertir!). Encontrei alguns dos expulsos após o concerto e pude perceber a tristeza deles, alguns tendo inclusive perdido mais de cinco músicas. Repudiamos tais atitudes e aconselhamos aos seguranças que se quisessem evitar o crowding surfing bastaria ter impedido que as pessoas caíssem próximas ao palco. Nada demais para os grandalhões, concordam? Pedimos que a produção fique atenta a isso nas próximas vezes, mesmo sabendo que em nada tiveram culpa do ocorrido.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Texto e fotos: Durr Campos

Agora falando da música, posso afirmar que o DESTRUCTION fez um dos melhores shows em terra brasilis. Parece pouco, mas os alemães já estiveram seis vezes em turnê por aqui, o que dá ao concerto do último sábado o status de memorável. Segundo informações que obtive pouco antes da abertura do Carioca Clube, o vocalista/baixista Schmier esteve meio irritado durante a passagem de som e não foi diferente durante algumas músicas já no show: o homem não se entendeu direito com o um dos microfones e atirou o pedestal longe por duas vezes. Em contrapartida, o guitarrista Mike Sifringer era só sorriso e riffs. Muitos riffs! Nem preciso comentar, mas o que este músico faz com as seis cordas faz corar de inveja muito marmanjo de nariz empinado, tipo bem comum na cena, diga-se.

Um show que começa com “Curse The Gods” não pode dar errado, pode? Mesmo após 25 anos, este clássico ainda soa contemporâneo e necessário. Os primeiros versos “Allah, Buddha, Jesus Christ/ Whatever Your God May Be...” são de arrepiar! Quase me esqueci de fotografar tamanho o impacto. Como se não bastasse a sequencia foi com a não menos essencial “Mad Butcher”, do clássico EP Setence of Death (1984) e regravada em outro EP (autointitulado) três anos após. As novas “Armaggedonizer” e “Hate Is My Fuel”, ambas do aclamado álbum Day of Reckoning (2011) só confirmaram o sucesso que a bolachinha tem feito no país. Inclusive esta última foi super bem recebida desde que começou a circular pelos programas de rádio especializados no início do ano.
Schmier falou algumas frases em português, finalmente abriu aquele sorriso que lhe é peculiar e conclamou os headbangers a unirem-se. Era hora do hino “Eternal Ban”, do fabuloso Eternal Devastation (1986). Perdoe-me se pareço meio empolgado demais com a apresentação, mas é humanamente impossível ficar parado ao ouvir um refrão assim: “United we stand- eternal ban/ together we are strong - eternal ban (traduzindo: “Unidos nós estamos - banimento eterno/ Junto nós somos fortes - banimento eterno)”. À época do lançamento isso causou um impacto poucas vezes visto no underground mundial. “Life Without Sense” foi precedida de Schmier se lembrando de sua primeira passagem pelo Brasil, em 1989.

“Devolution”, do disco de mesmo nome lançado em 2008, manteve o público nas mãos, bem como a poderosíssima trinca “Days of Confusion”, “Thrash Till Death” e “Nailed To The Cross”, que nos levaram direto ao absurdamente veloz e pesado The Antichrist (2001). “Metal Discharge” soou bem melhor que a versão de estúdio editada em 2003 (nota do redator: o álbum foi bastante criticado pela produção que, segundo os fãs, pareceu um tanto descuidada). A deixa foi perfeita para o solo de bateria do recém-chegado Vaaver, polonês que segura as baquetas do DESTRUCTION desde o ano passado. Vale lembrar ainda que, de acordo o próprio Schmier, um dos finalistas para tal posto foi do brasileiro Marcelo Moreira (Almah e Burning In Hell). Sem pausa, viajamos no tempo direto ao indefectível Infernal Overkill (1985) com “Tormentor”, “Death Trap” e “Invincible Force”. O impacto causado não pode ser descrito em palavras, quem esteve lá sabe do que estou falando e podem compartilhar suas impressões no fórum logo abaixo. “Tears of Blood”, do All Hell Breaks Loose (2000), encerrou o set regular da noite. Em seguida, o que se ouviu foram os berros dos fãs chamando pelo nome da banda assim que puseram os pés fora do palco.

Assim que a frase “The End Is Near” foi ouvida nos PA’s, indicando os primeiros versos da introdução do já mencionado EP Sentence of Death, a euforia tomou conta do Carioca Clube. O mosh-pit que se abriu em “Total Desaster” dividiu, literalmente, o local em dois. Da primeira a última nota o que se seguiu foi uma mistura de suor, lágrimas e headbangin’. Só de observar já era de tirar o fôlego! “The Butcher Strikes Back” só elevou a temperatura e os ânimos, além de ter sido responsável por um dos momentos mais estreitos entre fãs e banda. A emoção contagiou o trio que em retribuição deixou que a plateia indicasse a derradeira. Como era de se esperar, tendo em vista a dinâmica do repertório, “Bestial Invasion” foi a escolhida e nenhuma outra poderia finalizar tão bem quanto. Saíram ovacionados, merecidamente.

Antes do DESTRUCTION, o pessoal do Red Front aqueceu de forma bastante convincente com seu Thrash Core. A banda foi a vencedora da etapa paulista do Metal Battle, concurso promovido pela revista Roadie Crew no intuito de selecionar um nome do cenário metálico brasileiro para nos representar na eliminatória, que acontece sempre durante o famoso festival alemão Wacken Open Air. Apesar de não concordar com alguns pontos de vista dos caras nos inflamados discursos durante sua apresentação, é inegável o talento do quinteto.

Set-list do Destruction:

1. Curse the Gods
2. Mad Butcher
3. Armaggedonizer
4. Hate Is My Fuel
5. Eternal Ban
6. Life Without Sense
7. Devolution
8. Days of Confusion
9. Thrash Till Death
10. Nailed to the Cross
11. Metal Discharge
12. Drum Solo
13. Tormentor
14. Death Trap
15. Invincible Force
16. Tears of Blood

Encore

17. The Butcher Strikes Back
18. Total Desaster
19. Bestial Invasion

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Sobre Durr Campos

Graduado em Jornalismo, o autor já atuou em diversos segmentos de sua área, mas a paixão pela música que tanto ama sempre falou mais alto e lá foi ele se aventurar pela Alemanha, país onde reside atualmente e possui família. Lendo seus diversos artigos, reviews e traduções publicados aqui no site, pode-se ter uma ideia do leque de estilos que fazem sua cabeça. Como costuma dizer, não vê problema algum em colocar para tocar um Scum do Napalm Death, seguido de Substance do New Order ou Black Celebration do Depeche Mode, daí viajar no tempo com Stormbringer do Deep Purple, se acabar ao som do Bounded By Blood do Exodus e finalizar o dia com alguma coisa do ABBA ou Impetigo. Simples assim.

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