Em 19/01/2001 | Resenha - Rock In Rio III - 19/01 (Rio de Janeiro, 19/01/01)

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Resenha - Rock In Rio III - 19/01 (Rio de Janeiro, 19/01/01)


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Sepultura
Por Fernanda Zorzetto

Após quase um ano sem tocar no Brasil, o Sepultura volta ao país para se apresentar na terceira edição do Rock in Rio, aproveitando para divulgar seu mais novo trabalho, o álbum “Nation”, que foi gravado no Rio de Janeiro e é o segundo com o vocalista Derrick Green.

Depois de afirmarem na coletiva que estavam preparados para enfrentar uma baixa qualidade do som, foi exatamente o que enfrentaram. Para variar, o som começou embolado e muito baixo e ficou assim até o final do show. Isso já aconteceu algumas vezes com a banda, por motivos confusos até, em shows aqui no Brasil onde o Sepultura dividiu palco com bandas internacionais.

Apesar disso, o Sepultura prova mais uma vez a que veio, fazendo o público quase inteiro agitar do começo ao fim numa apresentação de cerca de 1 hora, sem intervalos.

A banda sobe ao palco com quase lotação total e abre o show com "Roots Bloody Roots" que, como em todos os shows do Sepultura, o público presente canta e pula junto. Percebia-se na Cidade do Rock que até quem não era fã, e estava ali para ver outras bandas, foi contagiado e foi agitar junto.

Tocaram ainda “We who are not as Others”, “Territory”, “Refuse/Resist”, “Propaganda”, “Choke” e as clássicas "Troops of doom" e “Desperate cry” que fizeram os fãs das antigas cantarem junto.

O novo álbum, “Nation”, está com lançamento previsto para março/abril, mas a galera já pôde conferir duas faixas; "Saga" e "Sepulnation". A Segunda pareceu, inclusive, ter agradado muito ao público.

O show foi encerrado com o tradicional medley de “Arise” e “Dead Embryonic Cells”, também muito aguardado em todos os shows da banda.

Igor, como sempre, dá uma aula de batera deixando todo mundo de boca aberta e Derrick parece estar mais confiante no palco, o que fez com que ele voltasse com mais força no vocal. A banda já havia se apresentado na segunda edição do Rock in Rio e voltou para fazer, sem dúvida, um dos shows que mais agitou o público no Rock in Rio III.

Rob Halford
Por Fernanda Zorzetto

Rob Halford, a “rainha do metal” (apelido dado por ele mesmo), volta ao Brasil para tocar pela segunda vez no Rock in Rio e deixa o país com mais fãs de seu trabalho, com certeza.

Halford é um vocalista muito polêmico, não só por sua homossexualidade assumida, mas também pelos projetos que desenvolveu depois de sair do Judas Priest e pelos quais foi odiado por todos. Além disso, foi considerado um traidor do metal depois de ter sido um dos ícones do estilo nos anos 80.

Deixou o Judas após participarem da segunda edição do Rock in Rio (em 91). Sua trajetória foi marcada por ter formado a banda Fight, que não alcançou o sucesso e o reconhecimento que ele esperava. Foi então que decidiu se empenhar em um projeto chamado Two, que lançou um álbum com forte utilização de elementos eletrônicos. Foi o momento de ser detestado. Apesar disso, Halford disse na coletiva que antecedeu o Rock in Rio III, que não se arrepende de nada que tenha feito.

O show de sexta foi também oportunidade para divulgar seu novo álbum, com o velho estilo. De título auto-explicativo, “Resurrection” marca sua volta ao metal. Na coletiva, Halford disse também que depois de tanto tempo longe do metal, ele volta com muito mais paixão.

A banda que o acompanha em seu novo trabalho e que mostrou muita competência na apresentação do Rock in Rio é formada por Mike Chlasciak e Patrick Lachman nas guitarras, Ray Riendeau no baixo e Bobby Jarzombeck na batera.

O show começa, e muita gente que havia decidido descansar depois do Sepultura para ter energias para o show do Iron, levantou para assistir. Muitas músicas de “Resurretion” fizeram o público apenas observar de início, sem muita agitação. Mas clássicos do Judas como "Electric Eye" e "Breaking The Law" no final da apresentação fizeram o público animar. Vale ressaltar que "Breaking The Law" foi inteira cantada pelos fãs presentes, Halford não disse uma palavra sequer, para decepção do público que queria, depois de tanto tempo e ansiedade, ouvir o velho Halford cantando essa clássica do Judas. Inclusive, mais decepção para quem esperava “Painkiller” que, apesar de o público gritar pedindo, não foi tocada.

O show termina com Halford segurando e mostrando ao público uma bandeira brasileira e os guitarristas quebrando seus instrumentos no palco.

A única falha do show foi Halford não ter trocado palavras com o público, nem mesmo ao entrar ou sair do palco. Porém, Halford fez um excelente show, sem dúvida. Muita gente que não conhecia seu novo trabalho acabou se interessando. Vale lembrar também que Halford continua sendo um vocalista muito bom e que o trabalho novo, apesar de lembrar muito sua época no Judas, traz muito mais agudos (sim, mais!). O metal pode ganhar muito com trabalhos e shows como esse, resta a você acreditar em sua “ressurreição” ou não.

Iron Maiden
Marcos A. M. Cruz

Existem na vida três coisas que até hoje não consegui compreender direito: A Teoria da Relatividade, o que se passa pela cabeça das mulheres e o que diabos acontece com alguns fãs do Iron Maiden!

No caso destes últimos, é notória a insatisfação que apresentam com qualquer atitude tomada pela banda - basta notar que quando foi anunciado o retorno do Bruce nos vocais e a adoção de três guitarras, muitos começaram a reclamar que os caras iriam "sujar seu passado" (quem dera se eu pudesse assistir ao Led Zeppelin com o John Bonham...), outros chiaram um monte com o "Brave New World", dizendo que com este trabalho o som da banda descambou de vez para o "Heavy Metal Melódico", pode isso???

O que a grande maioria alega é que eles deveriam adotar uma postura mais "ousada" - bolas, ainda bem que eles continuam fazendo o que sempre fizeram, sem participação especial de DJ's, adoção de ritmos eletrônicos ou baladinhas radiofônicas - cumpre lembrar certas bandas que resolveram mudar radicalmente seu som, e o resultado saiu uma grande caca...

Quanto à tão propalada "estagnação criativa"... antes de mais nada, não nos esqueçamos que como todos bons amantes de futebol que eles são, sabem muito bem que em time que está ganhando não se mexe, certo?

Por outro lado, a proposta da banda SEMPRE FOI fazer Heavy Metal Tradicional, coisa no qual indiscutivelmente sempre foram extremamente competentes... e no caso específico deste show era de esperar que não houvessem grandes novidades, pois a partir dele será produzido um DVD oficial registrando esta turnê para a posteridade, daí portanto a razão do setlist ter sido extremamente previsível - aliás, basicamente o mesmíssimo em toda a turnê... OK, eu também queria ouvir a banda tocando "Phantom Of The Opera" ou "To Tame A Land", mas fazer o quê?

Mas vamos ao show propriamente dito. Pessoalmente estava um tanto apreensivo com o som em si, pois até o show do Sepultura estava tudo soando muito estranho, a bateria e as guitarras estavam sem peso, tanto que mudei diversas vezes de lugar na ânsia de me situar melhor... felizmente os técnicos de som conseguiram acertar a coisa, e o som melhorou consideravelmente (embora acho que poderia ter sido um pouco melhor...)

Um fato que não consegui apurar com precisão é se Bruce realmente quebrou ou não a câmera que estava preparada para filmar o baterista Nicko McBrain. (Para quem tiver uma cópia do vídeo, basta checar logo no começo do show, quando ele sobe na plataforma próxima à bateria, e joga alguma coisa para trás do palco).

Abrem o set com três canções do novo álbum: "The Wicker Man", seguido de um "Boa noche Rio de Janeiro" dito por Bruce, que serve de introdução à "Ghost Of Navigator", emendada com "Brave New World". Depois prosseguem com "Wratchild" e "Two Minutes to Midnight", antes de uma pequeníssima pausa, onde Bruce agradece o pessoal do Halford, do Sepultura, os fãs da Argentina e os brasileiros, e aproveita para dar uma alfinetada em Britney Spears & congêneres, relembrando a todos que esta é uma noite de Metal, antes de anunciar a próxima canção: "Blood Brothers", seguida de "Sign Of The Cross", "The Mercenary" e "The Trooper", onde a platéia reage com energia (quem disse que o público estava apático???). Outro pequeno intervalo, onde Bruce enaltece a platéia brasileira e anuncia a gravação do DVD, antes de prosseguirem com "Dream Of Mirrors", e depois na seqüência "The Clansman", "The Evil That Man Do" (com a tradicional participação do Eddie, que "apanha" de Janick Gers), "Fear Of The Dark" (outra no qual a platéia veio abaixo) e "Iron Maiden". No bis: "Number Of The Beast", "Halloweed Be Thy Name" e "Sanctuary".

A única surpresa acontece ao final do show, quando a banda resolve registrar este momento histórico batendo uma foto de si mesma tendo a platéia ao fundo, e depois retorna com "Run To The Hills", onde estava prevista a participação especial de Jimmy Page, que declinou do convite alegando dores na coluna (motivo pelo qual inclusive foram canceladas recentemente algumas apresentações de Page com o pessoal do Black Crowes).

Poucas horas antes do show, Page esteve juntamente com Adrian Smith no Rock in Rio Cafe, na cerimônia de entrega de uma guitarra Fender doada pelo Iron Maiden a Page, que ficará exposta durante cerca de um mês no local, e posteriormente será leiloada, com a arrecadação sendo destinada à "Casa Jimmy", instituição mantida pelo guitarrista que assiste menores e adolescentes, atuando basicamente no Rio de Janeiro.

Resumo da ópera: grande show, como seria de se esperar. Bruce como sempre agitando muito, correndo de um lado a outro; Nicko continua com seu bom humor (pena que este que vos fala não tenha conseguido vê-lo direito ao vivo, pois estava um tanto quanto "escondido" atrás da bateria, e sequer no vídeo que tenho em mãos ele aparece legal!). O restante da banda aparentava um certo cansaço, mas que não comprometeu de forma alguma a apresentação, redondíssima, diríamos que quase perfeita - algo que somente grandes bandas podem proporcionar.

Ademais, participar de um show do Iron é como se dirigir a uma espécie de ritual sagrado: se o participante não se encontra preparado e de espírito aberto para isto, não irá se ajustar à coisa; este que vos fala perdeu um par de tênis, levou uma verdadeira porrada no estômago e contraiu um princípio de pneumonia - mas digo para todos a plenos pulmões: VALEU A PENA!!!

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