Em 02/07/2006 | Primeira resenha de "A Matter Of Life And Death"

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Primeira resenha de "A Matter Of Life And Death"


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Texto: Héctor Prat

Tradução: Jefferson Camargo - JEFFMETAL

Fonte: Iron Maiden Brasil

Um enviado especial do website espanhol Rafabasa.com escreveu uma resenha sobre o próximo álbum do Iron Maiden, A Matter Of Life And Death.

Seguindo à risca o contrato que assinamos com a EMI, vou escrever tudo o que for possível sobre o dia de hoje, Quinta, 29 de junho, ao meio-dia (13 horas na Espanha e 8 da manhã no Brasil), que não será nada além da sensação que as 4 músicas que irei ouvir deixaram em mim. Quanto às entrevistas, fontes próximas à gravadora e como dito no próprio contrato, dizem que as entrevistas não poderão ser publicadas antes de 1º de agosto (não 29 de junho como disse anteriormente, então peço desculpas). Se algum outro veículo de mídia publicar tais entrevistas, estará quebrando o contrato que os convidados assinaram em Londres.

Pra começar, vou explicar como foi o dia em que encontramos a banda para ouvir o álbum e fazer entrevistas, para que você possa ter uma idéia do caminho que esse álbum toma. Lá pelas 8 da manhã de 23 de junho, sexta feira, um ônibus pegou os membros da imprensa espanhola e da grega (o resto da imprensa européia já tinha ido a Londres em encontros anteriores) e nos levou para um lugar a 90 minutos de Londres. Cercado de florestas, longe de tudo, a primeira coisa que encontramos no caminho foi uma breve descrição do novo álbum (o desenho do Eddie com o capacete e as armas cruzadas), e Eddie nos recebe com um ar desafiador. Por falar nisso, não sabemos qual é a capa definitiva e a banda não deixou escapar nada sobre o assunto, embora de acordo com o tema do álbum e confirmado por Harris que traz como tema guerra/religião, nós podemos imaginar onde os tiros irão acertar (Isso não podia ter sido dito num momento mais oportuno).

Eddie nos indica que chegamos no local da audição do álbum, o quartel general da banda, perto de Reading, uma bela casa do século 16 no interior da Inglaterra, onde moravam alguns bispos, Alvin Lee (do Ten Years After. Aliás, esse cara parece pra cacete com o Nicko. Grande guitarrista e vocalista!) e ninguém menos do que David Gilmour (guitarrista e vocalista do Pink Floyd). Lá fomos muito bem tratados, com comida e bebida ('gazpacho' entre outras coisas). 3 garotas vestidas de enfermeiras se encarragaram de que nada nos faltasse. No quintal dessa bela casa, nos encontramos com uma tenda militar com máquinas de fliperama lá dentro, enquanto no outro pátio, podíamos brincar de tiro no prato. Tudo com clima de guerra, de acordo com 'A Matter Of Life And Death'.

Pouco antes de ouvir o álbum, nos ajeitamos nos devidos lugares numa das salas dos estúdios Sarm (não é o mesmo lugar onde o disco foi gravado, em Londres também), localizada na mesma casa. Ao entrarmos, nos deparamos com total segurança, e nos arranjamos para sentar e ouvir o álbum, cuidadosamente e individualmente guardado num baú, trancado com um cadeado e com uma chave para abrí-lo. Nesse momento, lhes conto as sensações que tive. Essas são as simples impressões que tive depois de um primeiro contato com o novo material. O álbum pode ser descrito de muitas formas, mas um adjetivo que o descreve bem é PERIGOSO.

'A Matter Of Life And Death' é complexo, cadenciado por ser épico, com músicas muito longas e várias passagens instrumentais, principalmente de teor progressivo, o que pode ser interessante aos mais megalômanos, porém excessivo e até mesmo chato para aqueles que buscam por 'riffs' e poder nas músicas. O novo trabalho da Donzela é uma espécie de continuação de Dance Of Death (embora seja um grande passo à frente) com produção parecida com a do Brave New World, bem Kevinshirleyniana, com algumas pitadas, nada mais, da produção de Martin Birch. Em termos gerais, os momentos de mais ação e mais acelerados tem um ar de 'Brave New World' embora os momentos mais climáticos e instrumentais seguem na trilha de Dance Of Death (e vão muito, mas muito além disso), sobretudo em seus momentos mais épico-teatrais e experimentais como 'Paschendale', é a principal referência para este novo 'A Matter Of Life And Death'.

Para entendermos bem, não é um disco que vai satisfazer àqueles que pedem por uma volta no tempo da banda, uma revisada nas composições mais rápidas e diretas. O único exemplo de hit fácil de ouvir é 'Different Worlds'( e talvez 'The Pilgrim'), que seria uma escolha para o primeiro single, embora parece que finalmente 'The Reincarnation Of Benjamin Breeg' tenha sido escolhida (ainda esperamos confirmação da EMI). Logo receberemos a confirmação sobre o primeiro single.

'A Matter Of Life And Death' convencerá poucos na primeira ouvida, podendo até ficar duro de aguentar lá pelo final, tem ótimas canções que se a pessoas forem maduras, poderão passar a gostar e até mesmo quem não é fã. Ele contém a fórmula habitual de intro-passagem lenta, estrofe cadencidada, passagem instrumental rápida, instrumental lenta e longa, refrão lento e o outro, mas que se for ouvido com atenção muito tesouros serão descobertos. Agora sim, saindo de minha posição de fã incondicional de Maiden, me arrisco a dizer que muitos irão perder a paciência antes da última música.

O IRON MAIDEN foi capaz de me surpreender como eu nunca poderia imaginar com os 72 minutos de 'A Matter Of Life And Death', não só por suas composições (encontramos até uma balada no álbum com violões, na linha de 'Journeyman', assim como faziam os trovadores antigamente) exceto pela voz de Dickinson que usa aspectos incomensuráveis e experimentais de sua voz, surpreendendo com tons suaves e delicados. De fato, é nas músicas onde participou da composição em que mais usa sua voz, se destacando com detalhes. A sombra de Bruce se estende e sua importância é clara em 'A Matter Of Life And Death'.

Outro detalhe a se destacar é a grande utilização de teclados, muito usados nos momentos mais climáticos para sustentar alguns refrões. Peculiar também (e uma pena, no meu entendimento) é notar que Dave Murray participou somente de uma única composição, que traz um dos melhores temas do álbum, 'The Reincarnation Of Benjamin Breeg'. Também é interessante notar que sua única música foi escolhida como single, ao meu ver muito acertadamente, e meu pedido é que tenha mais doses de Murray nos próximos álbums (que lhes asseguro que terão).

Se o grupo liderado por Steve Harris colocou um pé nas águas do progressivo em 'Dance Of Death', em 'A Matter Of Life And Death', ela mergulha totalmente. Sem dúvida, esse é um álbum perigoso como lembra o seu título, uma questão de vida e morte. Ele será ou amado ou odiado, poucas opiniões serão de meio termo ou indiferentes, num álbum recomendável para os grandes fãs da banda que acompanham sua evolução desde o começo e não renegam 'Dance Of Death' (ou a sonoridade pós-Birch, em geral). Eu estou agora em total estado de veneração, e com certeza me surpreenderei muito mais a cada nova audição.

Quanto ao assunto, não podemos comentar mais do que essas 4 músicas (por isso não falei muito os títulos nessa pré-resenha). As escolhidas foram:

DIFFERENT WORLDS: é realmente um mundo totalmente diferente do resto do álbum. É a chave que abre o álbum, mas que não representa em nada do seu restante. A razão por ter sido escolhida para abrir o álbum (e um dos possíveis nomes do primeiro single) certamente é por ser a música mais curta, com pouco mais de 4 minutos, abre de forma excitante e de fácil assimilação tanto pra o velho ouvinte como para o novato. Também é a que mais pode chegar a ser executada nas rádios. Música rápida, com guitarras dobradas habituais, 'Different Worlds' tem uma sonoridade bem similar a das músicas mais rápidas de Brave New World. De fato, tanto sua estrutura quanto seu refrão lembram muito a faixa título do álbum. Como curiosidade, tem um refrão bem 'feliz', que não é comum na Donzela, que contrasta com a sombriedade que aparece no resto do álbum. Atenção para a performance de Bruce Dickinson. GRANDIOSA!

THE LONGEST DAY: Épica, como a maioria do álbum, relembra a desembarcação na Normandía (ao que me pareceu, a letra fala de praias e sangue) ela começa com as típicas guitarras cavalgantes do Maiden, junto de uma levada de baixo repetitiva, envolvidas numa atmosfera cativante que relembra bastante os momentos tensos que antecedem um ataque. O desembarque para se fazer efetivo num refrão pegajoso, que certemente será cantado logo de cara, e Bruce Dickinson mais uma vez está insuperável. Como é rigor no álbum, a música dá lugar a uma longa passagem instrumental com toques progressivos e melódicos. Canção de tempo médio e MAJESTOSA!

OUT OF THE SHADOWS: com certeza é a música do Iron Maiden onde mais se nota a influência de Bruce Dickinson. Não é a toa que ele é o principal compositor do tema. O começo engana pois parece que vai vir um super riff com guitarra limpa, mas acaba vindo uma balada, onde voltamos a descobrir um Dickinson de forma inédita, pouco parecido com aquele dos álbums da 'besta'. Bruce deve estar feliz e orgulhoso por colocar no álbum uma música que tem muito mais a ver com sua carreira solo do que com um disco do Maiden. Parecida, muito parecida com 'Tears Of The Dragon'. Também se nota um caráter mais experimental, demonstrando grande originalidade e retornanado à lances de guitarras que nunca tinhamos ouvido os 3 fazerem (nem quando eram 2), impressionante como aparece por trás, durante o refrão final.

THE REINCARNATION OF BENJAMIN BREEG: acertou se disse que esse é o primeiro single do álbum (espero confirmação da EMI ainda) e como disse antes, é o único tema em que Dave Murray participa da composição. Com uma das intros mais atmosféricas da história da banda, ela tem o contraste mais obscuro e declinante com os riffs mais porrada do resto do álbum. É esse contraste que dá o toque mágico e com coros que arrepiam os cabelos. Um tema que se destaca pela sua ambientação, em uma excepcional viagem musical, comandada pelo piloto Bruce Dickinson, e suas experimentações vocais. Imaginem uma montanha russa de subidas e descidas espetaculares, que em suas passagens do meio parecem estar dentro de um tunel numa velocidade que não da pra freiar, para ir de 0 a 100 de novo quando chega à luz. Essa seria uma metáfora perfeita para definir 'The Reincarnation Of Benjamin Breeg'. Em seus mais de 7 minutos, há também lugar para riffs de meio tempo, riffs cavalares (galopantes), e para o deleite de todos, a marca registrada dos duetos de guitarra nos interlúdios.

Numa crítica posterior, irei completar a resenha com os temas restantes. Embora o álbum necessite de mais de uma audição para sua assimilação, minha primeira impressão é muito positiva, encorajadora, e ainda continuo impressionado com o risco que a banda resolveu assumir. Sim, esse que escreve é o membro nº14.829 do Fã Clube Oficial do Iron Maiden. Depois da audição do álbum, eles começaram a chegar (calmamente), os protagonistas, que se dispuseram no andar superior em diferentes grupos. Os grupos entrevistados não poderiam estar dispostos de outra forma senão: Bruce Dickinson sozinho, Steve Harris sozinho, Dave Murray e Adrian Smith e por fim, Janick Gers e Nicko McBrain. Eu tive o prazer de entrevistar Steve Harris de um lado e Dave Murray e Adrian Smith do outro. O conteúdo dessas entrevistas será publicado no dia 1º de agosto. Até lá, UP THE IRONS!!!

Enviado por Felipe Dicler.

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