Esta matéria foi publicada em 24/09/06. Procura matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?
Daniel Löfquist do site CriticalMass.se recentemente entrevistou Shane Embury, baixista do NAPALM DEATH. Alguns trechos desse papo:
Sobre o fato do frontman Barney Greenway ter experimentado coisas novas nos vocais para o novo álbum:
“Todos nós somos grandes fãs de uma banda dos anos 80 chamada SWANS e já tínhamos tentado imitar o som impressionante deles e chegamos perto mas acho que na música ‘Morale’, do último álbum, chegamos quase lá. Então achamos que agora deveríamos tentar chegar ainda mais perto e acredito que o Barney realmente conseguiu. Eu adoro esse som, posso ouvi-lo o dia todo. Na verdade, Barney e eu conversamos sobre fazer algum tipo de projeto só com esse tipo de material. Então, talvez, quando tivermos algum tempo livre vamos poder compor algumas músicas nesse estilo. Quando você tem um álbum com muito material realmente rápido e mistura esse tipo de som pesado, o resultado fica ainda mais impressionante”.
Sobre como as letras da banda evoluíram com o passar dos anos:
“Eu acho que em todos os álbuns sempre tentamos passar uma mensagem política. No nosso caso acho que, mesmo quando ficamos mais velhos e amadurecidos, ainda temos um olhar bastante crítico sobre o mundo ao nosso redor. O novo álbum é provavelmente o mais próximo que já chegamos de um álbum conceitual, porque praticamente todas as músicas tratam, de uma forma ou de outra, da opressão religiosa. Mais uma vez estamos olhando pro mundo e vendo o que acontece em Israel, guerras, opressão sexual, coisas desse tipo. O tema do álbum é, mais ou menos, a questão sobre a religião em nosso mundo hoje – será que ela está realmente resolvendo algum problema e oferecendo um refúgio para as pessoas? Ou seria justamente o contrário, criando muitos dos problemas que o mundo está enfrentando hoje em dia? Você sabe, somos criaturas inteligentes. Nós realmente precisamos da religião para sabermos o que é certo e o que é errado? Então eu acho que, de certa forma, nossas letras ficaram mais maduras e não são mais do tipo ‘foda-se o governo’ ou coisa parecida. Na verdade, são muito mais profundas do que isso. Só o fato de olharmos para os noticiários ou lermos manchetes idiotas na mídia e percebermos que, na maior parte das vezes, não passam de invenções, também é uma grande fonte de inspiração. A infinidade de informações disponíveis para as pessoas hoje em dia pode realmente inspirar muitas idéias. Veja o 11 de setembro, por exemplo: quando aquilo aconteceu, eu e Mitch [Harris, guitarrista] olhamos um pra cara do outro e dissemos ‘A CIA deve estar por trás disso!’. Há tanta mentira e enganação acontecendo que não acreditamos em toda essa baboseira por aí. Há forças trabalhando para manipular coisas, como a mídia, por exemplo”.
Sobre o fato das pessoas baixarem músicas sem comprarem os álbuns:
“Sabe, no meu caso, eu trocava, vendia ou comprava fitas nos anos oitenta. Eu tinha fitas dos primeiros álbuns do DEATH e do POSSESSED antes de serem lançados. Mas, quando foram lançados, eu comprei os álbuns. Naquele tempo você tinha provavelmente quarenta bandas pra escolher e agora provavelmente tem umas quatro mil bandas, entende? Se eu tivesse dezoito anos hoje e, como naquele tempo, tivesse pouco dinheiro pra gastar e quisesse escutar alguma banda, eu provavelmente baixaria as músicas. A tecnologia permite que você faça isso. As pessoas que reclamam mais nessa questão do MP3 são as po**as das gravadoras, mas a maioria delas [é] diretamente apoiada pela Sony, Panasonic ou alguma outra empresa que produz MP3 players. Isso me deixa puto – é ridículo. Por exemplo, você compra um gravador de DVD mas não pode gravar DVDs. Isso é uma imbecilidade. Eu penso da seguinte forma: mesmo tocando em uma banda, eu ainda acho que a garotada não pode comprar tudo, já que eu cresci mexendo com fitas. Talvez eles baixem um de nossos álbuns e achem que não é tão bom. Mas eles podem baixar outro álbum, gostar e comprar. Ou eles podem pelo menos ir aos nossos shows e comprar uma camiseta, por exemplo. Então, dessa maneira, acho que isso pode funcionar a nosso favor. Então eu digo ‘Foda-se!’”.
Leia a entrevista completa no site CriticalMass.se.
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Nascido em 1970, formado em Letras pela USP e tradutor. Começou a gostar de metal em 1983, quando o KISS veio pela primeira vez ao Brasil. Depois vieram Iron, Scorpions, Twisted Sister... Sua paixão é a música extrema, principalmente a do Slayer e do inesquecível Death. Se encheu de orgulho quando ouviu o filho cantarolar "Smoke on the water, fire in the sky...".
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