"Que desgraça é essa?"; quando Tim Maia não aprovou o trabalho de um roqueiro brasileiro
Por Bruce William
Postado em 13 de maio de 2025
"Pela introdução já deu pra sentir que é brasileiro", disparou Tim Maia ao ouvir "Rio do Delírio", de Lobão e Os Ronaldos (youtube), em um teste cego promovido pela revista Bizz em outubro de 1985. A seção, chamada Cabra-Cega, convidava músicos a comentar faixas sem saber de quem eram. Ao ouvir a música, Tim não perdoou: "A música não é ruim... parece o Lobão... ele tá com um funk novo bom, 'Decadence...', mas essa não dá pé."
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Mesmo com a crítica ácida ao colega, Tim não era avesso ao rock nacional. Muito pelo contrário. Ainda assim, ele elogiou o impacto das novas bandas brasileiras e demonstrou estar por dentro da transformação que o rock vinha provocando no cenário. "Os bossanoveiros estão grilados agora, e vão grilar ainda mais com essa rapaziada nova, esse pessoal doidão aí... RPM, Ultraje, Cinema a Dois... Esses sim é que vão arrebentar."
A fala vinha carregada de peso, especialmente por vir de alguém que já havia torcido o nariz para a Jovem Guarda nos anos 60. "'Ih, lá vem o Tião Maconheiro', diziam, e saía todo mundo fora." Mas na época, aos 42 anos, Tim dizia ver com entusiasmo a entrada do rock na MPB. "Ele tem curtido e dá força ao rock que invadiu a MPB", escreveu o jornalista Antonio Carlos Miguel no texto que acompanhava a entrevista.
Seu comentário sobre a estrutura da indústria também era direto: "Aqui ninguém sabe cantar. Tem que chamar um negrão americano e levar às gravadoras para ensinar toda essa gente." E emendava: "O artista brasileiro tão muito pomposo, tem que ser mais coleguismo, união e mais inteligência."
Mesmo entre elogios e críticas, o Tim de sempre estava ali: visceral, imprevisível e sincero. E no meio de uma virada no cenário musical brasileiro, ele parecia saber exatamente quem estava com a maré, e quem, como dizia, "não dava pé".
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