Em 06/07/2006 | Azul Limão: Primórdios do Heavy Metal no Brasil

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Azul Limão: Primórdios do Heavy Metal no Brasil


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Azul Limão – A história de um dos melhores representantes do Heavy Metal cantado em português, e uma das mais empolgantes bandas do heavy metal tupiniquim, contada com o auxílio de um dos seus fundadores, Vinícius Mathias.

Entrevista originalmente publicada no site Metal Lost.

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Formado no início dos anos oitenta no Rio de Janeiro pelo guitarrista Marcos Dantas e o baixista Vinícius Mathias, completaram o time o vocalista Rodrigo Esteves e o baterista Ricardo Martins. Individualmente, a qualidade dos músicos é uma coisa que vale ressaltar. Após algumas demos feitas “na raça”, algumas músicas sendo executadas na rádio fluminense FM, shows e popularidades em ascensão, conseguem lançar o debut álbum por uma gravadora pequena, em 1986.

“Vingança” demonstra ótimo nível de qualidade técnica, boas composições e um “feeling” notável, fazendo com que o Azul Limão começasse a se consolidar como um dos maiores nomes brasileiros do heavy metal “oitentista”,tanto entre as bandas que cantavam em português como as que cantavam em inglês.O álbum, apesar das condições de gravação “precárias”, tem ótima qualidade, com todos os instrumentos e vocais bem nítidos, e trouxe faixas como “Satã Clama Metal” (que foi o primeiro hit da banda), "Você Não Faz Nada", “Não Vou Mais Falar” e “O Grito”, esta última, além da belíssima letra, uma das grandes composições em se tratando de metal brasileiro,e ainda com um instrumental muito inspirado que completa a letra.

No ano seguinte é lançado o EP “Ordem & Progresso”, com seis faixas, sendo algumas que não haviam entrado no lançamento anterior e um cover para “Princesa do Prazer” (Dorsal Atlântica), destaque para a empolgante, e dotada de um refrão bastante grudento, “Solidão”. Outra pérola do metal nacional, e ainda com qualidade de gravação superior ao seu antecessor, mas que foi o último lançamento da banda.

Recentemente estes registros foram relançados em vinil, por uma gravadora brasileira, “Dies Irae”, e o EP “Ordem & Progresso” veio com alguns bônus extraídos de uma demo de 1984.

Além dos dois álbums, a banda também consta em sua discografia os discos lançados em 2001: “Pegasus, The Tapes I”, com demos de 83 a 89, e “Amazona, The Tapes II”, com músicas raras e outtakes.

Planos para o futuro, como um vídeo-clipe também estão sendo cogitados, como conta o baixista Vinícius Mathias na entrevista a seguir.


Sobre o nome da banda, de quem são os créditos pela escolha, quais outros nomes estavam sendo cogitados na época, e o que acharam os outros membros da banda?

Vinícius Mathias: Quem sugeriu o nome foi um batera da fase embrionária do Azul Limão chamado Fábio, vulgo Bebezão. Não me lembro de outros nomes cogitados. Pra ter ficado esse, imagina os outros, nem vale a pena lembrar.

Voltando ao início, em 1981, consta na história que a banda foi formada por você e Marcos Dantas junto com Beto Martins na guitarra/vocal e Sales na bateria para tocar em um festival de colégio. O que você lembra daquela primeira apresentação?

Vinícius Mathias: A semi-final do referido festival, foi no auditório do colégio São Marcelo na Gávea. Foi a primeira vez em que toquei num amplificador grande e com P.A. A final foi no teatro João Caetano, com um equipamento espetacular. Foi muito bom pra mim.

Também nessa época, a banda tinha apenas duas músicas próprias “Gdansk” e “Ruas do centro”, ambas composições de Beto Martins. Alguém tem algum registro dessas músicas, ou mesmo as letras? Alguma base ou riff foram aproveitados em outra música?

Vinícius Mathias: Não sei se o Beto tem o registro. Quando o Marcos assumiu as guitarras isso tudo ficou pra trás.

Em 1982, Marcos entrou no conjunto de rock´n´roll Turbo, após alguns shows, Marcos decide montar uma banda de rock pesado, usando o nome Azul Limão. Para o vocal foi chamado Rodrigo Esteves, e Ricardo Martins para a bateria. Depois de tentar com alguns amigos, você foi à escolha óbvia para completar o line-up. Por que você não foi prioridade para o posto de baixista da banda?

Vinícius Mathias: Eu estava envolvido com outros projetos. Acho que não foi propriamente uma escolha, o baixista deles pulou fora bem em cima de outro festival e o Marcos se lembrou de mim.

No início, sem repertório próprio, a banda tocava músicas do AC/DC e Judas Priest. Quais eram os covers que constavam no repertório inicial da banda?

Vinícius Mathias: Whole Lotta Rosie e Breaking the Law.

A primeira Demo – Tape, veio com as músicas “Azul Limão”, “Pégasus” e “Johnny Voltou”. Reza a lenda que a voz da sua namorada aparece no final de “Johnny Voltou”. Quem era a dita cuja, e qual foi à reação de vocês ao escutarem a fita depois?

Vinícius Mathias: Realmente aquilo foi uma ex namorada minha quem gravou. Depois de seis horas de gravação no horário corujão, acho que pintou uma certa narcose por cansaço e tivemos aquela idéia. No dia seguinte quando ouvimos, pensamos, “Que merda!”.

Com a fita gravada, mandaram à cópia original para a Rádio Fluminense FM, e ficaram apenas com uma cópia caseira. Depois, a notícia de que a rádio tinha perdido a fita ou apagado por engano. De quem foi a “brilhante” idéia de ter entregado a cópia original,e quantos anos em média vocês tinham quando gravaram essa fita?

Vinícius Mathias: Nós todos éramos muito inexperientes, não dá pra ficar dizendo que foi culpa de alguém especificamente.

O Western Club foi um local onde a banda se apresentou no início da carreira. Quais suas recordações das apresentações no bar Western Club em 1983?

Vinícius Mathias: Lembro-me das merdas dos meus baixo e amplificador, ambos Giannini e do Serguei amarradão por que o Rodrigo cantou Mercedes Benz da Janis.

Também em 83, a banda grava sua segunda demo-tape, com duas músicas: “Não vou mais falar” e “Grito de Amor”. Mandam uma cópia para a rádio Fluminense FM, e em outubro, a rádio começou a executar “Não vou mais falar”.

A popularidade da banda no Rio de Janeiro aumentou consideravelmente, e os shows também. Foi nessa época que a banda teve as suas primeiras experiências com a polícia, já que o nome Azul Limão não dava noção exata ao contratante de que tipo de banda de rock ele estaria contratando.

O que você pode nos contar sobre essas “experiências”, já que o “rock” da banda era muito auto e cheio de energia, e o público “metaleiro” serem fatores atípicos para aquela época, além do fato do Azul Limão se valer do nome para se apresentar em locais que bandas com esse som não conseguiriam?

Vinícius Mathias: Certa vez, fomos tocar num bar chamado “Bar do Violeiro”, vê se pode! Na passagem de som tocamos “Time” do Pink Floyd. Quando começou o show, a gerente, que era uma anãzinha, ficou horrorizada com o público e com o volume no qual a banda tocava. Ficou torrando o saco pra abaixar depois de cada música. Uma hora o Marcos se encheu e disse “Não é o som que é alto, você é que é muito baixinha”. Daí a mulher chamou a polícia, que só chegou depois de terminado o show.

Em janeiro de 1984, gravam uma terceira demo-tape sempre num esquema barato usando um período de 6 horas de estúdio, com mais três músicas próprias: “Artistas em Cena”, “Brilho” e “Johnny Voltou” (com um novo arranjo). Quais eram as dificuldades de se gravar as músicas naquela época, com tempo e recursos mínimos?

Vinícius Mathias: Era isso mesmo, recur$o$ mínimos = pouco tempo. Mas nós superávamos isso ensaiando muito antes de gravar.

Com a nova demo-tape, a Fluminense FM passa a executar “Artistas em Cena” e “Brilho” na sua programação, e o “Azul Limão” passa a ser bastante conhecido no circuito rock do Rio de Janeiro já formando um público fiel que o acompanhava em todos os shows pela cidade. Como era a relação entre a banda e os fãs naquela época?

Vinícius Mathias: Naquela época, todo mundo tinha uma banda de Rock. Todos se conheciam, eram amigos e iam uns nos shows dos outros. Os palcos eram mais baixos, o público ficava mais próximo, o quê gerava uma maior intimidade.

Com a intensificação dos shows, a banda ainda sem empresário, tomou alguns calotes. Quais experiências ruins dessa época sem empresário, você consegue detalhar com clareza?

Vinícius Mathias: Como éramos nós mesmos que produzíamos os shows, tínhamos maior controle sobre os acontecimentos. Uma vez tocamos em Duque de Caxias, abrindo pro Herva Doce, e o produtor fugiu com a grana da bilheteria. Underground é foda!

Ainda no final de 1984, chamam a atenção do selo B. B. Records, de Billy Bond, que os convida para gravar um compacto, mas o selo desistiu de lançá-lo porque o som era muito pesado e não poderia ser executado nas rádios FM mais populares. A banda ficou muito decepcionada, ou pensaram algo do tipo “foda-se, vamos seguir adiante que deus ajuda quem trabalha duro”?

Vinícius Mathias: Não ficamos decepcionados. Não nos interessava lançar compacto, capa grande é que era legal. Depois, o Billy Bond era um tremendo picareta, e ficar amarrado por contrato com ele não seria muito bom. Mas fizemos uma boa gravação de “Satã Clama Metal” no estúdio da Polygram que acabou sendo tocada pela Fluminense.

No começo de 1985, resolveram expandir seus horizontes tocando fora do Estado do Rio de Janeiro. Na ocasião juntaram forças com os amigos da Dorsal Atlântica para uma série de shows. Conte-nos a experiência de ter dividido o palco com essa outra lenda do metal nacional. Guardadas as devidas proporções, imediatamente vem a minha mente as gloriosas turnês do Accept ao lado do Judas Priest!

Vinícius Mathias: É clichê, mas é verdade “A união faz a força”. A Dorsal tinha uma mística muito legal. Era muito interessante ver o efeito da presença do Carlos sobre os fãs. Eu adorava bater papo sobre música com ele e fazer farras com o Cláudio e o Marcos Animal.

Algumas bandas conhecidas da cena chegaram a dividir o palco com a banda. Quais bandas na época eram mais apegadas ao Azul Limão, e por quê?

Vinícius Mathias: Me lembro da Dorsal, do Metalmorphose e do Stress. Tinha também, os festivais com várias bandas das quais eu não me lembro bem. Chegamos a dividir o palco com Celso Blues Boy e Robertinho do Recife no Circo Voador.

Mas não foram somente bandas de heavy metal. Quais os nomes mais inusitados que a banda chegou a dividir o palco, e quais eram os comentários dos outros grupos a respeito da sonoridade do Azul Limão?

Vinícius Mathias: Uma vez tocamos com uma banda chamada “Felix Culpa”, coisa de neurótico analisado. Mas eu nem gosto de lembrar, e se houve algum comentário, não quero nem saber.

Em janeiro de 1986, a banda decide gravar uma nova demo-tape para tentar um contrato com um dos selos especializados que começavam a aparecer na época. Gravam seis músicas: “Não vou mais falar”, “O Grito”, “Sangue frio”, “Você não faz nada”, “Satã clama metal” e ”Vingança” (que por problemas na gravação, não foi colocada na demo-tape). José Nilton, do selo carioca “Heavy”, fez uma proposta para lançar o primeiro álbum da banda a partir da própria demo-tape adicionando mais algumas músicas para completar a duração de um LP. No estúdio Master com seus oito canais e muita disposição do técnico Leco, regravaram “Vingança” e “Satã clama metal”, e completaram a fita com “Abertura”, “Portas da imaginação” e “Fora da lei”. Como foi esse processo, já que as condições do estúdio não eram das melhores?

Vinícius Mathias: As condições do estúdio eram ótimas. Tinha a limitação pelo número reduzido de canais, mas já teve gente que gravou com muito menos e isso não matou ninguém. O Leco foi extremamente competente e deu a maior força pra gente.

O ano é encerrado com um histórico show no Circo Voador junto com outras bandas do cenário heavy metal nacional: Stress e Dorsal Atlântica. Conte-nos a respeito desse show:

Vinícius Mathias: Depois do Rock in Rio I, as coisas começaram a melhorar, e pra quem tinha disco era mais fácil fazer divulgação. Era o caso dessas três bandas. Circo Voador, casa cheia, tocando entre amigos. Foi tudo de bom.

Em março e abril de 1987 o Azul Limão grava algumas músicas planejando um próximo álbum, mas o selo heavy estava ocupado com outros grupos e não garantiria o lançamento naquele ano. Por que você acha que aconteceu esse transtorno, já que as vendas do “Vingança” tinham sido relativamente boas?

Vinícius Mathias: O selo Heavy estava muito ocupado com a produção do “Antes do Fim” da Dorsal, o plano Cruzado tinha ido pro espaço, ficou tudo mais difícil de novo. Nós queríamos que o disco fosse lançado naquele mesmo ano, então, a única solução foi lançar o disco por outro selo.

No mesmo ano que saiu “vingança”, o disco Inox, da banda de mesmo nome, e liderada por Paulinho Heavy, velho conhecido dos bangers oitentistas, chegou a vender 60 mil cópias, mesmo a banda tendo feito pouco mais que meia dúzia de shows, acabando em seguida,e mesmo com a boa vendagem nunca alcançaram a popularidade do Azul Limão. Você ainda tem alguma lembrança de mais ou menos quantas cópias foram vendidas do “Vingança” e “Ordem e Progresso” ?

Vinícius Mathias: Vingança – 2000 cópias. Ordem e Progresso – 1000 cópias. Os nossos discos já são lançados como raridade. Hehehehe!

Enquanto a banda começava os planos para lançar o disco sucessor de “vingança”, alguns problemas internos aconteceram. A banda já não se reunia mais para ensaiar, e Ricardo e Rodrigo já não se falavam muito bem desde um acidente de carro envolvendo os dois. O que você pode nos contar a respeito desse acidente?

Vinícius Mathias: Esse acidente, que não passou de um incidente, apareceu como pivô ou gota d’água pro fim da banda erroneamente.

O selo “Point Rock” se interessa em lançar o novo trabalho da banda, e num acordo com a “Heavy” adquire a fita. No final do ano foi lançado o novo álbum, um EP, “Ordem e Progresso”, com as excelentes músicas “Ordem & Progresso”, “Brilho”, “Tema de Primavera (Vivaldi)”, “Rotina”, “Solidão” e “Princesa do Prazer (cover da Dorsal)”. As gravações da bateria tinham sido feitas com Ricardo, que sairia da banda e seria substituído por Alexandre Reis. Os constantes atrasos de Ricardo nos shows contribuíram para o desgaste e falta de interesse para com a banda, e o estopim foi em um show em agosto de 1987, no Caverna II. O que realmente aconteceu naquele dia?

Vinícius Mathias: Na verdade, o Ricardo já vinha reclamando de estar ficando surdo de tão alto que nós tocávamos e vinha perdendo o interesse. Ele vinha se atrasando pros ensaios e nós instituímos uma multa por atraso, daí já viu né? As bandas tocavam cada vez mais esporro, cada vez mais speedy e nós entramos nessa de otários. Se vocês ouvirem nossos discos, vão perceber que nós nos dávamos melhor nas musicas que não tinham essas características. O Azul Limão queria ser Progressivo.

Durante o ano de 1988 o heavy metal brasileiro começou a ficar bastante conhecido no exterior através de bandas que cantavam em inglês e faziam um metal mais agressivo que o tradicional. No segundo semestre, o Azul Limão parou. Estava completamente “fora de moda” cantar em português. E apesar do “Ordem e Progresso” ter uma qualidade de gravação superior ao “Vingança”, e de músicas tão boas quanto as do primeiro disco, o Azul Limão mostrava sinais de cansaço. Como a banda reagiu a perda do interesse do público nos shows e o caminho que a cena tomava (desfavorável a banda)?

Vinícius Mathias: Não creio que os fãs tenham perdido o interesse. Os shows estavam sempre lotados. Havia menos shows, o quê afetava todas as bandas, como eu disse, fim do plano cruzado. Veja, eu não sou branco nem europeu. Não tinha a pretensão de competir com as bandas lá de fora no mercado deles, tocando um estilo musical que eles inventaram. Seria melhor tocar Samba e Bossa Nova. Os metaleiros acham que o Metal é o estilo mais sofisticado de música que existe e que os melhores músicos do mundo tocam esse estilo, acreditem isso não é verdade. Naquela época tinha uns caras que começaram a tocar uma coisa que eles chamavam de “Heavy Metal trabalhado”, basicamente convenção do começo ao fim da música, sem groove. Isso é tocar pro próprio umbigo e nem eu, nem o Ricardo estávamos nessa.

Ainda surgiu uma proposta da Point Rock de lançar uma versão em inglês do “Ordem & Progresso”. As “versões” das letras já tinham sido feitas, mas Rodrigo não se sentia confortável em cantá-las. Quais os outros empecilhos que dificultaram a realização do “novo” disco?

Vinícius Mathias: Foi só isso mesmo. Uma coisa é compor em inglês, outra coisa é traduzir ou fazer versão. Essa não era a nossa.

Um convite para Rodrigo cantar ópera na Espanha (desde 1987 ele já se dedicava ao estudo de ópera) apagou de vez o sonho de viver de rock de sua cabeça. Com a saída do Rodrigo, você também abandona o barco. A banda ainda fez um show de despedida em janeiro de 1989. Como você, Rodrigo e o Marcos lidaram com o fim da banda, apesar de que todos tinham começado a banda sem muitas pretensões comerciais e a cobrança de fazer do Azul Limão virar um emprego acabava com a magia da época em que era apenas uma questão de diversão?

Vinícius Mathias: Antes de o Rodrigo ir pra Europa eu estava tentando vender um projeto de disco solo, mas pensei, “com essa política econômica vou acabar ficando com os discos entulhando a sala sem vender nem um”. Daí, mudei o projeto para uma bolsa de estudos pela lei Sarney e fui estudar durante um ano no MUSICIANS INSTITUTE of Hollywood na Califórnia. O Tal show de despedida foi pra mim. Eu lidei muitíssimo bem com o fim da banda. Eu sabia que isso de Metal, não faz parte da nossa cultura e seria muito difícil viver disso aqui, e estava indo estudar música numa das melhores escolas do mundo. Que mais eu poderia querer?

Também em 1989, Marcos reúne amigos de outras bandas para fazer três shows usando o nome Azul Limão: André Chamon (Stress) na bateria, Tavinho Godoy (Metalmorphose) no vocal e Augusto no baixo. Celso Sukov (Metalmorphose) também participou como guitarrista convidado destes shows. Após o show, junto com o Viper, no Dama Xoc em São Paulo, todos se empolgam e decidem registrar duas composições novas em uma demo-tape: “Amazônia” e “Nada a perder”. Marcos envia a demo-tape para alguns selos, mas não obtém resposta positiva. Após o último show, em julho de 1989, no então “templo do metal carioca”, o Caverna II, a banda encerra as atividades. Marcos e André formam o X-Rated. Qual a posição e opinião, sua e a do Rodrigo, em relação ao fato do Marcos ter usado o nome Azul Limão nesses shows e ter gravado as duas músicas?

Vinícius Mathias: Eu penso que sobrando apenas um dos membros originais da banda, esta ficou muito descaracterizada. Teria sido melhor ter colocado outro nome.

A banda ainda chegou a se reunir, anos mais tarde, com sua formação original, em duas oportunidades nas quais o Rodrigo esteve de férias no Brasil: 31 de julho de 1993 e 26 de agosto de 1995, no Garage, o local preferido das bandas underground da época no Rio de Janeiro. Todos recordaram os bons tempos e a “mágica” esteve presente novamente por algumas horas naquelas noites de inverno. Como foram esses shows, e o que ele representou particularmente para você?

Vinícius Mathias: Local preferido, o Garage? Aquilo lá é um LIXO. Mas é o único lugar que deixa a gente tocar. Hahahahaha! Essa banda marcou muito a minha vida e muita coisa que eu consegui foi devido à ela. É sempre muito bom tocar com aqueles caras que se tornaram alguns dos meus melhores amigos. Isso não tem preço!

O que você pode nos adiantar sobre o possível clipe do Azul Limão quer estaria sendo produzido, e se existem planos para relançamento dos discos em CD.

Vinícius Mathias: O clipe vai ser mais uma coletânea de imagens do tempo em que a banda estava em atividade com “Satã Clama Metal”, grande hit da banda como trilha. O CD deve estar saindo do forno lá pelo meio do ano.


Escutando “Vingança” e “Ordem e Progresso” hoje, duas décadas depois, percebe-se que as letras eram ingênuas e as gravações precárias, mas o heavy metal feito pela banda ainda continua extremamente original, criando um estilo próprio com a marca Azul Limão, que destoa de inúmeras bandas que aparecem dia após dia, muitas delas sendo meras cópias do que vem fazendo sucesso por aí. Hoje em dia, apesar de pouco conhecido entre os rockeiros e headbangers da nova geração da cena brasileira, o azul limão ainda permanece na memória daqueles que viveram aquela época de ouro, onde tudo era feito com muita garra e disposição, não existia facilidades como a internet, tudo era muito underground, e as bandas tocavam pelo simples prazer de fazer rock and roll, mesmo sem todo o profissionalismo de hoje em dia. Definitivamente, a mágica existia.

Vingança (1986)

1. Abertura
2. Portas da Imaginação
3. Satã Clama Metal
4. Sangue Frio
5. Fora da Lei
6. Não Vou Mais Falar
7. O Grito
8. Você Não Faz Nada
9. Vingança

Ordem e Progresso (1987)

1. Tema da Primavera (instrumental de Antonio Vivaldi)
2. Rotina
3. Ordem & Progresso
4. Solidão
5. Brilho
6. Princesa do Prazer (cover da Dorsal Atlântica)

Pegasus, The Tapes I (2001)
(demos de 83 a 89)

1. Pegasus
2. Azul Limão
3. Johnny Voltou ('83)
4. Grito de Amor
5. Não Vou Mais Falar
6. Artistas Em Cena
7. Johnny Voltou ('84)
8. Brilho
9. Amazônia
10. Nada a Perder

Amazona, The Tapes II (2001)
(músicas raras e outtakes)

1. Entrada no Harem
2. Satã Clama Metal
3. Sonhar Nunca é Demais
4. Comando Visão
5. Salve-se Quem Puder
6. Meta Z
7. Regras do Jogo
8. Não Vou Mais Falar
9. Satã Clama Metal

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Sobre Victor Kataóka

Kataóka representa aqueles que prezam por nomes como Saxon, Accept, Manowar, Judas, Virgin Steele, Alice Cooper, Queensryche, Warlock, Savatage, Budgie, Dio e etc. Trajando o manto do Fortaleza EC, conseguiu ver com muito sacrifício quase todas as suas bandas favoritas ao vivo, e acredita que acima do AC/DC, somente os Beatles. Com o H2R, resenha Heavy Tradicional, Hard Rock, e o seu vício: N.W.O.B.H.M, o que não o impede de prezar demais por rock progressivo e psicodélico. Apesar de ser de 88, dentre 500GB de mp3 em um HD de valor inestimável, 95% do conteúdo vem dos anos 60,70 e 80. Não resenha Melodic, industrial, extremo, sinfônico, Power, New, Grunge e vários outros etc...

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