A música favorita de todos os tempos de Brian Johnson, vocalista do AC/DC
Por Bruce William
Postado em 31 de outubro de 2025
Brian Johnson viveu música antes mesmo de subir ao microfone do AC/DC. Nascido em 1947, descobriu o rock em casa, doente, quando a voz de Little Richard atravessou o rádio. A lembrança ficou gravada no corpo: "Meu queixo caiu, e eu fiquei pensando: 'Que diabos foi isso?' Era brilhante, fiquei arrepiado." A partir dali, passou a caçar cada minuto de som que pudesse encontrar e, quando os Beatles apareceram, estava na idade certa para acompanhar a trajetória.
Décadas depois, já com estádios nas costas, foi ao programa Old Fashioned Rock 'n' Roll Radio Show, de Joe Walsh, e recebeu a pergunta direta: qual a sua música favorita? Johnson não precisou pensar muito, conforme relatou a Far Out: "Assim, de cabeça, a coisa que me faz sorrir toda vez que ouço é 'Get Back'. E se você prestar atenção na bateria do Ringo ali, é sensacional." A escolha diz bastante sobre seu critério: menos virtuosismo exibido, mais canção que anda sozinha no groove.

O encanto por "Get Back" ganhou novas camadas quando Peter Jackson exibiu, no documentário homônimo, Paul McCartney puxando a música de improviso, na frente da câmera. Não é a faixa mais intrincada do catálogo, mas é aula de concisão: riff, batida e melodia que chegam sem esforço aparente. Johnson resumiu com a ironia de quem já ouviu a frase certeira e a desculpa preguiçosa: "Lembro que alguém me disse: 'Ah, eu poderia ter escrito isso'. E eu respondi: 'Então por que você não escreveu?'"
Há também um reconhecimento de origem. Para Johnson, os Beatles mostraram que caras comuns, de um norte industrial de sotaques marcados, podiam mudar o jogo. Ele sempre teve por McCartney uma reverência que beira o pânico de fã. No QFM96's Torg & Elliott, contou que travou ao encontrá-lo: "Eu não sabia o que dizer pra ele... E aí o Ringo Starr entrou ao lado dele... E ele disse: 'Olá, Geordie'... E eu respondi: 'Olá, Paul. Sir Paul. Sua excelência. Sua majestade'... Eu não conseguia falar." O gelo quebrou, o respeito ficou.
Com o tempo, o constrangimento virou amizade, e "Get Back" permaneceu como bússola pessoal. Johnson não está apontando para a música "mais complexa" nem para a "mais importante" dos Beatles; está destacando uma peça que mostra como simplicidade bem tocada, bateria no ponto e baixo que empurra dizem mais do que arranjos engenhosos em demasia.
O papel de Ringo Starr é parte central desse veredito. Ao elogiar a bateria "sensacional", Johnson está ouvindo o que muitos ignoram: acento, escolha de prato, a folga que deixa a canção respirar. É a mesma lógica que sustenta tantos clássicos do AC/DC onde nada sobra, nada falta, e que explica por que "Get Back" ainda "faz sorrir toda vez que toca".
Factualmente, "Get Back" saiu como single em 1969 e voltou ao centro da conversa em 2021 com a série de Jackson; Johnson, por sua vez, segue defendendo que a boa canção não precisa provar nada além do que a própria pulsação entrega. Às vezes, é só isso: três acordes, um refrão direto e um baterista que sabe exatamente onde não tocar.
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