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Alice Cooper: "Hey Stoopid" é uma de suas obras mais inspiradas

Resenha - Hey Stoopid - Alice Cooper

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Por Neimar Secco
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

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O retorno de Alice Cooper ao sucesso comercial parecia consolidado com TRASH, o álbum anterior (já resenhado por mim aqui no whiplash.net). Mas se TRASH encontrou estrada livre para sua viagem ao sucesso, HEY STOOPID encarou um certo “congestionamento”.
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HEY STOOPID foi lançado em junho, e no auge da era grunge (1991). Foi um álbum de “férias escolares”, assim como SCHOOL’S OUT tinha sido em 1972.
Quanto à qualidade do álbum, praticamente tudo em HEY STOOPID é melhor do que em seu antecessor imediato, TRASH: produção, arranjos, execução, até mesmo os convidados especiais.

O álbum abre com a faixa título. Se no já citado SCHOOL’S OUT, a mensagem era “rebele-se”, “Hey Stoopid” trazia um Alice “amigo mais velho” que advertia quanto à ‘estupidez’ ou ‘burrice’ de se deixar dominar pelas drogas.
(...)
Hey, hey, hey, hey, hey stoopid
What ya tryin' to do
Hey, hey, hey, hey, hey stoopid
They win you lose
Hey, hey, hey, hey, hey stoopid

C'mon girl, it's a better day
Get your foot out of that grave
Don't let that one love tear your world apart
C'mon babe, kick that stuff
Show the street it ain't so tough
Quit lyin' around with a crippled, broken heart

Now I know you've been seeing red
Don't put a pistol to your head
Sometimes your answer's heaven sent
Your way is so damn permanent

(...)

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Contando com as participações especiais de Slash no solo ‘intermediário’ da música e de Ozzy no verso “you know, I know”, além de Joe Satriani, que, aliás, toca em quase metade do álbum (5 faixas), ‘Hey Stoopid’ foi o primeiro single desse trabalho.

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Muitos fãs vêem HEY STOOPID como uma espécie de continuação de TRASH, e Alice, com certeza, manteve em boa parte do álbum a mesma temática de seu antecessor. Mas HEY STOOPID é mais diversificado, tanto sonoramente como nos temas.

A impressão que se tem com o álbum é que Alice Cooper estava mais focado em fazer um hard rock mais próximo de suas características artísticas e pessoais do que simplesmente repetir a fórmula ‘acessível’ de TRASH.

A segunda faixa, 'Love's A Loaded Gun', é um dos ‘tesouros escondidos’ da obra de Alice Cooper. A letra trata de um amante ciumento ao extremo, que persegue sua amada por onde quer que ela vá. O arranjo ‘hard rock acústico’ somado à interpretação convincente de Alice nessa música merecem a atenção detalhada do ouvinte/fã. Grande faixa!

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Em seguida temos ‘Snakebite’. Olha o Alice Cooper autorreferente, já que jibóias são um dos símbolos tanto visuais como teatrais de Alice Cooper. Ótimo refrão, letra envolvente e o instrumental que fez falta em TRASH. ‘Burnin’ Our Bed’ é a balada que faltou em TRASH, digamos assim. Seu arranjo semi-acústico e a letra passional teriam cabido como uma luva naquele álbum. Mas as verdadeiras gemas ainda estavam por vir e ‘Dangerous Tonight’ é simplesmente sensacional. Se tematicamente tem pouco ou nada a ver com ‘Ballad Of Dwight Fry’ do álbum LOVE IT TO DEATH de 1971, certamente, essa é a música que “ressuscita” o Alice Cooper “performer”, “ator que canta” suas “histórias”. O lado 1 fecha de forma magistral com mais uma balada: ‘Might As Well Be On Marts’, parceria com o antigo e ótimo colaborador, o guitarrista canadense Dick Wagner. Essa é a faixa em que o produtor Peter Collins (Queensryche) imprime de forma mais incisiva sua marca. O arranjo grandiloquente permite que Alice interprete de forma magistral a emoção do amante que não consegue atingir ou conquistar o coração de sua amada, um amor impossível ou, pelo menos, difícil de se atingir.

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Ok, seu espírito hard rocker não é muito afeito às baladas românticas. Então, para você e para o deleite de todos nós, Alice abre o lado 2 com sua parceria com o então emergente Zodiac Mindwarp. Zodiac presenteou Alice com essa letra que tem tudo a ver com o rei do “shock rock” e Alice, para incrementá-la, convidou Steve Vai para dividir as guitarradas com Satriani. Discípulo e mestre juntos pela primeira vez em uma música, ainda por cima, gravada pelo ícone Alice Cooper. Histórica. Não bastasse esse trio, “Feed My Frankenstein” ainda conta com a atriz Elvira no minúsculo verso “He’s such a psycho”. Alice, aliás, é o convidado especial de Wayne’s World (Quanto Mais Idiota Melhor) da dupla de comediantes Mike Myers e Dana Carvey, no qual aparece executando essa música ao vivo, bem como, contando a história da cidade de Milwaukee. Essa participação especial certamente ajudou a chamar a atenção para o álbum, já que o foco da mídia nesse início de anos 90 parecia totalmente voltado para as bandas emergentes de Seattle com o movimento grunge.

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Single de Burnin Our Bed

‘Hurricane Years’, contém citações claras ao ‘poeta do rock’, Bob Dylan, no título da música, referência ao clássico de Dylan, Hurricane, sobre a história do pugilista Rubin "Hurricane" Carter, e no verso “blowing in the wind”, título de um dos maiores, se não o maior clássico de Dylan. Pode não ser um destaque individual do álbum, mas certamente mantém o pique hard rock.

‘Little By Little’, ‘Die For You’ e ‘Dirty Dreams’ formam uma trilogia de faixas “à lá” TRASH, em que Alice volta a dar vazão ao tema mais pop das relações amorosas (sexuais). Destaque para os excelentes refrões e arranjos de ‘Little By Little’ e ‘Die For You’ e o arranjo “garage rock”, quase “cru” de ‘Dirty Dreams’.

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Mas a cereja da bolo ainda estava por vir. Não foi apenas com The Last Temptation, (também já resenhado por mim, aqui no whiplash) que Alice “ressuscitou” seu personagem central de WELCOME TO MY NIGHTMARE, Steven. Steven, na verdade, ressurge aqui em “Wind-Up Toy, uma música inspiradíssima. Ela é praticamente um resumo do que Alice tinha feito até então: a mistura de um rock ao mesmo tempo teatral, temático e acessível. O personagem sem nome dessa música tanto remete a Steven como a Former Lee Warmer, o garoto (autista?) de DADA (1983).

Alice realiza nessa música combinações um tanto improváveis, ou pelo menos, nada simples de se conseguir sem um esforço extra: sarcasmo e desespero (presentes em pontos altos do álbum FROM THE INSIDE, ironia e refrão pegajoso, típicos de “No More Mr. Nice Guy”, e a óbvia referência e revisitação do personagem Steven do já citado clássico de 1975, WELCOME TO MY NIGHTMARE.

A transição da animação do verso “daddy won't discuss me, what a pain I must be” à paranoia de "I'm just a wind-up toy! A wind-up toy! A wind-up, wind-up, wind-up toooooy!" é um dos momentos mais representativos e clássicos do personagem de Alice Cooper nesse trabalho.

Com Lemmy do Motorhead, na época da tour conjunta Operation RocknRoll, que reuniu Alice Cooper, Judas Priest, Motorhead, Dangerous Toys e Metal Church

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HEY STOOPID é certamente uma das obras mais inspiradas de Alice Cooper. Merece um lugar lá no topo, junto a LOVE IT TO DEATH, KILLER, SCHOOL’S OUT, BILLION DOLLAR BABIES, WELCOME TO MY NIGHTMARE, FROM THE INSIDE, DADA, BRUTAL PLANET e DRAGONTOWN.

Quanto a HEY STOOPID em particular, como diria o poeta, “tinha uma pedra no meio do caminho”. Essa pedra se chamava “movimento grunge”. Mas nada tira os méritos de HEY STOOPID, álbum essencial para quem se interessa por Alice Cooper.

NOTAS:
Musicians
Slash - Guitars (1)
Joe Satriani - Guitars (1,4,7,9,12), Backing Vocals (1)
Stef Burns - Guitars (except track 11)
Steve Vai - Guitars (7)
Vinnie Moore - Guitar (8,11)
Mick Mars - Guitar (10)
Hugh McDonald - Bass (Except track 7)
Nikki Sixx - Bass (7)
Mickey Curry - Drums (all)
John Webster - Keyboards (1,2,3,4,7,9,10,12), B3 Organ (5)
Steve Croes - Synclavier (1,10)
Robert Bailey - Keyboards (2,5,6,7,8,10,12)
Jai Winding - Keyboards (6)
Chris Boardman - String Arrangements (6)
Backing Vocals - Ozzy Osbourne (1), Zachary Nevel (1)
FICHA TÉCNICA:
Produced by Peter Collins
Recorded at Bearville Studios New York, The Complex Los Angeles
Mixed at A&M Studios Hollywood
Cover: Lethal Art by Mike McNeilly
Photography by Randee St. Nicholas
Executive Producer: Bob Pfeifer

The Show - 1991 - Operation Rock And Roll
Musicians:
Stef Burns – guitar
Vinnie Moore – guitar
Pete Friesen - guitar (substituiu Moore após a Operation Rock)
Greg Smith – bass
Eric Singer – drums
Derek Sherinian – keyboards

SETLIST (mais frequente)
01 Under My Wheels
02 Trash
03 No More Mr. Nice Guy
04 Billion Dollar Babies
05 Love's a Loaded Gun
06 Bed Of Nails
07 I'm Eighteen
08 I Love the Dead /Devil's Food / Steven / Black Widow (Instrumental)
09 Sick Things
10 Feed My Frankenstein
11Cold Ethyl
12 Only Women Bleed
13 Wind Up Toy - Ballad Of Dwight Fry (Europe Only)
14 Poison
15 Snakebite (Europe Only)
16 Go To Hell
17 School's Out
18 Hey Stoopid
19 Elected

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Sobre Neimar Secco

Welcome to my nightmare. Sou professor de inglês e de português e também tradutor eventual. Rock sempre foi e continua sendo a minha trilha sonora de todas as horas. Minhas preferências são hard rock, progressivo e classic rock em geral (anos 60, 70 e 80). Bandas favoritas: Alice Cooper, Led Zeppelin, Black Sabbath, Ozzy Osbourne, Pink Floyd, Beatles, Creedence, The Doors, Dire Straits, entre muitas outras.

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