Resenha - Creatures Of The Night - Kiss

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Resenha - Creatures Of The Night - Kiss


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O KISS não estava nada bem desde o início da década de 1980. Os álbuns “Unmasked” e “(Music From) The Elder” não corresponderam às expectativas, colaborando para o declínio de popularidade da banda principalmente nos Estados Unidos, terreno mais fértil de seus trabalhos. O quarteto precisava de uma mudança de postura. Mas, antes mesmo de decidirem o que fariam, o guitarrista Ace Frehley abandonou o barco por diversos problemas com os outros integrantes, que se tornaram cada vez mais constantes após a saída do baterista Peter Criss. Por razões contratuais, o Spaceman foi mantido no conjunto, todavia não teve participação no que seria produzido.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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A solução, em termos musicais, era mais simples do que se pensava: o KISS precisava voltar a fazer Rock n’ Roll em sua mais pura essência. Poderia até ousar em alguns pontos, como de fato ousaram por aqui, flertando com o Heavy Metal e o Hard Rock oitentista em vários momentos. Só que sem perder o foco, como nos trabalhos anteriores. Para isso, um novo guitarrista precisava ser efetivado. Ou não.

Creatures Of The Night, décimo álbum do KISS, lançado há exatos 30 anos, representa um momento raro na carreira de uma banda de Rock. O trabalho foi registrado com cinco guitarristas diferentes (incluindo Gene Simmons), além de Paul Stanley; e três outros baixistas (incluindo o próprio Eric Carr), além de Gene Simmons. Não é por isso que se tornou um momento raro, mas sim por soar mais linear que os antecessores, que contaram apenas com Frehley e Stanley nas seis cordas. Nove músicos soaram como quatro em prol daquela coletividade almejada.

O que pode justificar isso? Provavelmente, o foco e o empenho dos três integrantes em fazer um grande trabalho. Paul Stanley, Gene Simmons e Eric Carr, com a ajuda do produtor Michael James Jackson, estavam realmente decididos sobre o que fariam e de que forma fariam. Parece até que um plano de metas, do estilo empresarial, foi traçado. Mas, por se tratar de arte, duvido que tenha sido realmente traçado. Temos Simmons, um dos grandes empresários e marqueteiros do Rock, envolvido aqui. No entanto, a arte lida, especialmente, com a espontaneidade – sentimento notável nos 38 minutos deste play.

A faixa título anuncia, com seu início pesado, o que estaria por vir. A bateria bem reverbeada, as guitarras e o baixo com bastante peso, a lírica tipicamente sobrenatural (criaturas da noite, ora) e os vocais repletos de gana feitos por Paul Stanley constituíram a canção, que é um verdadeiro clássico do KISS. “Saint And Sinner” segue com muita classe. O refrão grudento e a veia visceral intrínseca nos riffs asseguram a faixa como uma das melhores do registro, apesar de não ser uma das mais lembradas. “Keep Me Comin’” tem apresentação de gala de Paul Stanley e Eric Carr. O andamento lembra os momentos mais endiabrados do Led Zeppelin, mas com o peso da ótima produção.

Por falar em peso, “Rock And Roll Hell” vem em seguida com a assinatura de Gene Simmons: baixo em destaque, vocais rasgados e composição tipicamente demoníaca. O personagem The Demon surge em todos os aspectos por aqui, renovado após os momentos polidos dos discos anteriores. “Danger” é um Hard n’ Heavy nervoso, com grande trabalho de Bob Kulick – a única faixa que o careca tocou aqui. Paul Stanley, ainda não dominado pela farofa dos anos 1980, traz vocalizações que são, ao mesmo tempo, exuberantes e ponderados.

“I Love It Loud” dispensa apresentação. Um verdadeiro clássico do quarteto. A música não tinha sido muito evidenciada à época, mas aos poucos mostrou sua força, se tornando indispensável nos repertórios de várias turnês da banda, com o coro icônico, o refrão cantado a todo pulmão, os riffs marcantes e a bateria pra lá de destacada. “I Still Love You” permanece como uma das power ballads mais incríveis da história do Rock n’ Roll, ao meu ver. A letra é carregada de emoção e a performance de Paul Stanley, mais ainda. As excelentes linhas de guitarra, com direito a bons solos de Robben Ford, também se destacam.

“Killer” é um Rock n’ Roll básico, sem firulas, feito por Gene Simmons e Vinnie Vincent – o guitarrista que ocuparia a vaga de Ace Frehley logo após o lançamento desse álbum. A canção, que é boa mas não se destaca, prepara o terreno para um dos pontos altos. “War Machine” demonstra a inspiração do Demon por aqui. Há muito tempo, o linguarudo não se apresentava tão bem como neste disco, em especial nessa música. O peso dessa canção a torna tipicamente Heavy Metal, além de ter uma incrível participação de Vincent no solo. Para o momento, o Ankh Warrior era a melhor opção para a banda. Isso é inegável e foi melhor apresentado no disco seguinte, Lick It Up.

Apesar de toda a sua qualidade e exuberância, Creatures Of The Night não conseguiu colocar o nome do KISS de volta aos holofotes. As vendas foram tímidas e a banda precisou explorar novos territórios nessa época – incluindo o Brasil, onde fizeram shows apoteóticos com plateias lotadas. A reconstrução do grupo precisou ir além, pois o desgaste da imagem justificava a baixa repercussão dos novos trabalhos. Foi aí que as máscaras finalmente deixaram de ser utilizadas e os integrantes passaram a se apresentar de cara limpa, dando início a um período de altos e baixos.

KISS – Creatures Of The Night
Lançado em 13 de outubro de 1982

Paul Stanley (vocal, guitarra)
Gene Simmons (vocal, baixo, guitarra em 9)
Eric Carr (bateria, percussão, baixo em 7)

Músicos adicionais:
Vinnie Vincent (guitarra em 2, 3, 6, 8 e 9)
Bob Kulick (guitarra em 5)
Robben Ford (guitarra em 4 e 7)
Steve Farris (guitarra em 1)
Mike Porcaro (baixo em 1)
Jimmy Haslip (baixo em 5)

01. Creatures of the Night
02. Saint and Sinner
03. Keep Me Comin’
04. Rock and Roll Hell
05. Danger
06. I Love It Loud
07. I Still Love You
08. Killer
09. War Machine

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Sobre Igor Miranda

Natural de Uberlândia (MG), trabalha com jornalismo. Apaixonado por rock há mais de dez anos, escreve sobre música desde 2007, com o surgimento do saudoso blog Combe do Iommi. Desde então, co-fundou e integrou o site Van do Halen até o ano de 2013 - apesar de ainda manter uma coluna ("Cabeçote") por lá. Atualmente é redator do site Revista Cifras (afiliado ao R7) e repórter do caderno cultural do jornal impresso Correio de Uberlândia. Colabora também para os sites Reduto do Rock e Rock de Verdade. Mantém um site para portfólio próprio: www.IgorMiranda.com.br.

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