Estados Unidos, meio dos anos 90, o punk estava em alta novamente, depois de uma ligeira queda de popularidade na década anterior. Bandas como Green Day, Offspring e Bad Religion faziam a cabeça dos aficionados pelo estilo. E da ensolarada Califórnia nasce o Rancid, criada a partir dos “restos” do Operation Ivy (banda que, com o tempo, ganhou o status de “cult” no cenário punk). Tim Armstrong (guitarra e vocal) e Matt Freeman (baixo e vocal) saem do Operation e juntam-se a Brett Reed (bateria) e Lars Frederiksen (voz e guitarra) para formar o Rancid. Lançam o álbum homônimo em 1993 e “Let’s GO” em 1994, conseguindo boa notoriedade no circuito punk americano. Mantendo o ritmo, eles seguem com a tendência de lançarem um álbum a cada ano e, em 1995, criam o que viria a ser um dos clássicos absolutos não só da própria banda mas do punk rock em geral.
Nota: 10 









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O álbum começa com “Maxwell murder”. E não poderia começar de melhor forma: punk rock rápido, cru, direto e divertido; características que se mantém em todo o trabalho, mas sem nunca ficarem enjoativas, pois a banda soube dosar muito bem suas várias influências e referências musicais.
“The 11th Hour”, “Olympia WA” e “Ruby Soho” (que tocou muito nas rádios rock dos anos 90) mostram o lado mais melódico do grupo, enquanto “Junkie man”, “Daly city train” e o clássico absoluto “Time bomb” (com clipe no topo das paradas) flertam com a música tradicional jamaicana e mostram a influência que bandas como o já citado “The Clash”, os “Special” e o “Madness” exerceram sobre o grupo.
O som mais direto de músicas como a já citada “Maxwll murder”, “Roots radicals” e “Listed M.I.A.” agregam mais ingredientes nessa salada musical, e fazem (o álbum) “... And out come the wolves” te prender a atenção do começo ao fim, tamanha a coesão e qualidade do trabalho. Difícil encontrar um destaque único no CD...
No que diz respeito às performances individuais dos integrantes do grupo, TIM Armstrong chama atenção com sua voz rouca e desafinada na medida certa! Além disso, Tim mostra que é também um ótimo compositor, unindo o ska ao punk como poucos conseguem. Agrega-se a isso sua grande capacidade lírica, que nos brindam com lindas letras como as de “Olympia WA”, “Ruby Soho” e a autobiográfica “Journey to the end of east bay”. É ai que reside grande parte do charme do álbum (e da banda em si): talvez por não possuir técnica vocal alguma, Armstrong imprime muito sentimento em suas interpretações e letras, cantando e tocando com uma garra única.
Lars Frederiksen também canta em boa parte das músicas do álbum, e divide vocais com Tim em várias outras canções, como “Disorder and disarray”, “You don’t care nothin’”, ”As wicked” e “Avenues and alleyways”: outra característica que se tornou uma marca da banda. Sua voz rouca e machucada, típica coisa de quem deve fumar horrores, dá um toque agressivo ao som, ao mesmo tempo em que Lars consegue criar boas melodias e mostra uma grande técnica. Destaque para sua interpretação em “The wars end”
Brett Reed faz um trabalho correto na bateria, mas sem maiores destaques. Já Matt Freeman... Bem, não é preciso dizer muito desse que, com certeza, esta entre os 3 melhores baixistas do punk rock de todos os tempos e, porquê não, figura também entre os maiores desse instrumento de maneira geral. Linhas criativas, técnicas, complexas e certeiras, aliadas à produção e mixagem do álbum, elevam o baixo de Matt ao status de instrumento mais importante nos arranjos das canções do grupo. Para se ter uma idéia do que o cara é capaz, basta ouvir o solo (sim, o SOLO) dele em “Maxwell murder” e a intro de “Journey to the end of east bay”... Quem disse que baixista de punk não sabe tocar?
Garra, carisma, melodia, boas doses de ska, feeling, e aqueles refrões feitos na medida certa para serem cantados em uníssono e a plenos pulmões nos shows: talvez por essas características “...And out come the wolves” tenha se tornado o álbum de maior sucesso comercial e de crítica do Rancid. O carisma de Tim Armstrong e companhia tem boa dose de culpa nisso, assim como o ressurgimento do punk nos anos 90, que ajudou a impulssionar o interesse dos jovens na banda. Enfim, uma série de fatores podem ser listados aqui para que se chegue a uma conclusão do porquê deste ser considerado um dos grandes clássicos de todos os tempos do punk rock.
Independente dos motivos, causas, razões ou circunstâncias (parafraseando o grande “Cháves”), o que realmente importa é que essa é uma obra que merece (e deve) ser ouvida por todos os fãs de rock em geral.
Rancid:
Tim Armstrong (Guitarra e Vocal)
Lars Frederiksen (Guitarra e Vocal)
Matt Freeman (Baixo e Vocal)
Brett Reed (Bateria)
“...And out come the wolves”
1."Maxwell Murder" 1:25
2."The 11th Hour" 2:28
3."Roots Radicals" 2:47
4."Time Bomb" 2:24
5."Olympia WA." 3:30
6."Lock, Step & Gone" 2:25
7."Junkie Man" 3:04
8."Listed M.I.A." 2:22
9."Ruby Soho" 2:37
10."Daily City Train" 3:21
11."Journey to the End of the East Bay" 3:11
12."She's Automatic" 1:35
13."Old Friend" 2:53
14."Disorder and Disarray" 2:49
15."The Wars End" 1:53
16."You Don't Care Nothin'" 2:28
17."As Wicked" 2:40
18."Avenues & Alleyways" 3:11
19."The Way I Feel" 2:34
Duração total:
49:37
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Paulistano desde abril de 1988, Sérgio Fernandes é baterista da banda CARAPUÇA (www.youtube.com/tvcarapuca), diretor de imagem e produtor multimídia do portal Terra e formado em Rádio e TV pela UNISA em São Paulo no ano de 2009. Ouve rock desde pequeno por influência de seus pais. Entre suas bandas preferidas estão Sepultura, Rolling Stones, Rancid, Muse, Fresno, Slayer e qualquer outra que toque algo que lhe agradar os ouvidos, nunca se fechando a gêneros e estilo, mantendo a mente aberta a novas experiências sonoras. E-mail para críticas e sugestões: [email protected]
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