Choperia do SESC Pompéia/SP. Depois de realizar um excelente show no dia anterior, Nuno Mindelis novamente encheu a choperia do SESC, na Pompéia, lugar com capacidade para 800 pessoas. Apesar da lotação, logo vem à mente a situação do blues no Brasil, onde um dos maiores expoentes mundiais deveria estar se apresentando nas grandes casas, normalmente ocupadas pelas estrelas do rock.

Nada disso, entretanto, tira da estrela da noite o ímpeto de debulhar nas cordas de sua Fender Strat o gênero musical que corre em seu sangue e purifica sua alma. Nuno foi influenciado desde cedo pelos pioneiros do blues americano, mas seu estilo remete à velocidade moderna de Johnny Winter. Abre o show com uma “intro” animada e ataca em seguida com “Shake It”, do gaitista texano Paul Orta, companheiro de Nuno pelas excursões européias. Em seguida emenda um dos hits da noite, “Spinning Wheel”, de David Clayton-Thomas (vocalista do Blood, Sweat & Tears), brindado por um belo solo de gaita de Thiago Cerveira. “Dirty Little Toy”, blues de dinâmica lenta e progressiva, mais uma faixa tirada do cd “Blues On The Outside”, novamente recebe solo extenso e inspirado da gaita de Cerveira. Na sequência vem “I Know What You Want” e “In Trouble” (ambas de “Blues On The Outside”, disco mais recente de Nuno) e “Play The Paris Blues”, de Merl Saunders, mostrando boa coesão da banda, que também contou com Maurício Perdoza nos teclados, Andrei Ivanovic no baixo e Richard Vega na bateria. Ao tocar a música seguinte, uma belíssima cover de “Castles Made Of Sand”, de Hendrix, surge o inesperado e a 1ª corda da guitarra se rompe, o que não impede Nuno de continuar a execução até seu final. Como recompensa ao público que espera pacientemente a troca da corda (o bluesman diz que não gostaria de usar a guitarra-reserva, uma Schecter), Nuno manda mais uma cover de Jimi, “Hey Joe”. Na sequência, em nova roupagem, a única música em português da noite – “Eu Sou Menino” – de seu primeiro disco, “Blues & Derivados”. Antes do bis, mais um clássico, “Pride And Joy”, de Stevie Ray Vaughan. Fica provado que de melancólico o blues não tem nada, apenas a lenda.
Para arrematar a noite, Nuno e banda voltam ao palco para o medley de “You Don’t Have To Go” (Jimmy Reed) e “Before You Accuse Me” (Bo Diddley). Grand finale para uma grande noite, apesar da insatisfação parcial do guitarrista (“os solos ficaram muito longos, por isso acho que o público não reagiu tão bem como na 6ªf”). Bobagem... ninguém reclamou.
Completando uma trilogia sobre Nuno Mindelis, será publicada nesta coluna, em breve, uma grande entrevista com o guitarrista. Aguardem!
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Ex-comerciante, divorciado (liberdade ainda que tardia). PreferUncias musicais: Hard Rock (principalmente anos 70), Blues, Heavy Metal sem podreira, Progressivo(nOo confundir com ProgMetal), e todo bom rock/pop feito sem samplers,computadores e outros artifYcios eletrnicos que s_ servem para mascararfalsos músicos. Exterminador de hip-hoppers...
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