Confusões em relação a Sonny Boy Williamson

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Por Márcio Ribeiro
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O nome Sonny Boy Williamson é conhecido em todos os anais do blues, sempre ligado à gaita de boca. Sonny Boy Williamson é sem duvida o gaitista de boca que mais influenciou outros músicos levando o instrumento a ser explorado como nunca antes fora. Qual é a confusão nisto? Eis a questão. Existem várias confusões feitas em relação ao seu nome. Para começar, existem dois Sonny Boy Williamson, o mais jovem sendo o original. Seu nome não é Rice Miller, como aparece na maioria dos discos e sim John L. Williamson, todavia não confunda-se com outro, este John A. Williamson, mais conhecido como Homesick James. Nem tampouco pense que o segundo S. B. Williamson a aparecer seja o Sonny Boy Williamson Jr., apelido dado a Clarence Anderson, adquirido pela sua admiração por Rice Miller.

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Confuso não? Vamos recomeçar então do inicio. Em março do ano de 1914 nascia John Lee Williamson no condado de Madison, perto da cidade de Jackson no estado de Tennessee. Como muitos negros do campo, aprendeu a tocar a gaita sozinho, decidindo conhecer o mundo viajando de carona com os amigos Yank Rachell e Sleepy John Estes. Trabalharam os três em botecos e espeluncas espalhados por Tennessee e Arkansas durante o final da década de vinte e inicio dos anos trinta. Em 1934 o destino o levou a ficar em Chicago, onde permaneceu até morrer em junho de 1948, vitima de um assalto.


Nos seus meros trinta e quatro anos de vida, Sonny Boy Williamson desenvolveu sua técnica na gaita causando grande admiração por parte de gente como Big Bill Broonzy e Muddy Waters que tiveram o prazer de trabalhar com ele. Conta-se que o então adolescente Billy Boy Arnold foi bater em sua porta para pedir lições de como melhorar sua técnica na gaita, Sonny Boy prontamente lhe dando aulas gratuitas, ficando feliz por ser reconhecido pela sua musicalidade. Sonny Boy Williamson tem sido seguidamente identificado como sendo a pessoa cuja técnica empregada na gaita de boca deu ao instrumento um status e importância que ele nunca tivera antes. E seu estilo caraterístico de cantar uma frase e responde-la com a gaita emulando sentimentos com notas por vezes chorosas, outras iradas, é copiado por praticamente todo mundo depois dele.

Passou a gravar suas canções a partir de 1937, para o selo Bluebird, passando para a Victor (que depois seria fundida com outra gravadora, a RCA) em 1945. Gravou também com Big Joe Williams no selo Columbia em 1947.

Entre seus números mais conhecidos estão "Good Morning Little Schoolgirl", "Western Union", "Early in the Morning", "Suzie Q", "Honey Bee Blues", "Mean Old Highway", "Whiskey Headed Blues", "Rainy Day Blues", "Sugar Mama Blues", "The Sky Is Crying", "Wartime Blues", "Stop Breaking Down", "Elevator Blues", "Dealing With the Devil", e "Shake That Boogie". Entre músicos que abertamente o têm indicado como grande influência estão Billy Boy Arnold, Big Walter Horton, Little Walter, Lightnin' Slim, Dr. Ross, Junior Wells, Shakey Jake Harris, Johnny Young e Yank Rachell, e vários outros.

O segundo músico a surgir que adotaria o nome Sonny Boy Williamson seria Aleck Ford. É isto mesmo, embora o nome que você encontra por aí seja Rice Miller, seu nome de batismo é este mesmo, Aleck Ford. Voltou a ficar confuso não é? Vejamos se melhora ou piora...

Aleck Ford, filho de Mille Ford e pai desconhecido, nasceu na area de Tallahatche perto de Glendora no Mississippi em dezembro de 1899. Como podem logo perceber, este Sonny Boy Williamson é quatorze anos mais velho que seu antecessor, o que é uma situação bastante peculiar. Sua mãe depois se juntaria com James Miller que torna-se o padrasto do infante Aleck a quem adotaria e corrigiria o nome, passando de Aleck para Alex Miller. Ainda bem criança, por ter um corpo extremamente fino, passam a apelidá-lo de Rice (Arroz). Esta é a razão pela qual podem encontrar tanto os nomes Alex Miller como Rice Miller relacionados a ele. Rice aprendeu a tocar a gaita sozinho aos cinco anos de idade e comumente tocava em festas em troca de gorjetas, usando o nome de Little Boy Blue. Na década de vinte, saiu de carona pelo mundo, tocando basicamente entre as fronteiras dos estados de Mississippi e Arkansas. Gradualmente seguiu para Louisiana, Missouri e Tennessee. Usou vários nomes artísticos, desde os óbvios Alex e Rice Miller como os menos conhecidos Willie Williamson, Willie Williams e Willie Miller entre outros. Na década de trinta tocou com Sunnyland Slim, Elmore James, Big Boy Cradup, Robert Johnson, Howlin' Wolf, e Robert Jr. Lockwood.


Seria trabalhando novamente com Lockwood em 1941 que ele passaria a usar o nome Sonny Boy Williamson, usurpando a fama de ás da gaita contido no nome. A dupla trabalhava em um programa de rádio na cidade de Helena, fato que contribuiu para tornar este Sonny Boy Williamson em uma celebridade entre as regiões do leste de Arkansas, oeste de Tennessee e o delta do Mississippi. Rice Miller também pegou "emprestado" muito da técnica que John Lee Williamson utilizava, acabando por desenvolvê-la ainda mais. Miller fazia de sua gaita o centro das atenções, não importando quem estivesse tocando com ele. Sem duvida, Rice Miller (agora Sonny Boy Williamson - o segundo) é o mais conhecido e quem tocou com mais gente de renome dentro do meio blues das décadas de trinta e quarenta. Voltaria a tocar novamente com Howlin' Wolf, Elmore James, e um grande número de outros bluesmen. Começou a gravar na década de cinqüenta ao lado de Josh White, Otis Spann, e Memphis Slim, entre outros.

Na década de sessenta foi à Inglaterra a convite de Chris Barber, se tornando junto com Muddy Waters, o bluesman que mais atraiu os ingleses a deixarem o jazz de lado para abraçar o blues. Dizem que além de sua habilidade com o instrumento, Miller era também um típico contador de caso, exagerando fatos e aumentando proezas para o humor dos ouvintes. Seu caráter imprevisível colorem sua personalidade artistica aos olhos de muitos. Conta-se que era capaz de colocar sua gaita inteira na boca e ainda tirar notas precisas. Voltou à Inglaterra outras três vezes, a última em 1964. Nestas viagens tocou com bandas como the Chris Barber Band (com Alexis Korner e Cyril Davies), Cyril Davies & the All Stars, the Animals, the Yardbirds, e Brian Auger & the Trinity. Antes de sua última viagem para a Inglaterra, ensaiou com the Hawks, mais tarde conhecidos como The Band, com planos de excursionarem juntos o sul americano. Alex Miller faleceu antes destes planos poderem se concretizar, em maio de 1965 em Helena, capital de Arkansas, aos 65 anos de idade de causas naturais.


Se John Lee Williamson (Sonny Boy Williamson - o primeiro) foi quem elevou o status da gaita em uma banda, tamanha a técnica que possuía, foi Rice Miller (Sonny Boy Williamson - o segundo) quem desenvolveu esta técnica ainda mais e quem a levou para os cantos mais distantes do planeta, onde o blues jamais havia chegado antes. Rice Miller levou o seu blues não só para a Inglaterra, mas também para a França, Alemanha, Dinamarca, e até a Polonia (ao lado de Memphis Slim) enquanto aquele país ainda pertencia à chamada cortina de ferro. Rice Miller, o segundo Sonny Boy Williamson é certamente o mais famoso entre os dois. Foi o que mais gravou discos, mais viajou, mais viveu. Jamais colocaria duas notas onde uma ou nenhuma dava o recado. Por estas e outras, na tradição do nome Sonny Boy Williamson, Rice Miller é chamado de o Rei da Gaita.

Entre suas composições mais conhecidas estão "Eyesight to the Blind," "One Way Out," "Don't Start Me Talking," "Cross My Heart," "Mighty Long Time," "Help Me," e "Nine Below Zero". Entre músicos que abertamente o tem indicado como grande influência estão Clarence Anderson (também conhecido como Sonny Boy Williamson Jr.), Howlin' Wolf, Lightin' Slim, Little Walter, Little Milton, Little Sonny Willis, Snooky Pryor, Hound Dog Taylor, Jimmy Reed, Junior Wells, James Cotton, Brian Jones, Mick Jagger, Paul Butterfield, Eric Clapton, e Keith Relf, entre vários outros.


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Sobre Márcio Ribeiro

Nascido no ano do rato. Era o inicio dos anos sessenta e quem tirou jovens como ele do eixo samba e bossa nova foi Roberto Carlos. O nosso Elvis levou o rock nacional à televisão abrindo as portas para um estilo musical estrangeiro em um país ufanista, prepotente e que acabaria tomado por um golpe militar. Com oito anos, já era maluco por Monkees, Beatles, Archies e temas de desenhos animados em geral. Hoje evita açúcar no seu rock embora clássicos sempre sejam clássicos.

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