Deep Purple: outro show impecável das lendas do rock em São Paulo
Resenha - Deep Purple (Espaço Unimed, São Paulo, 13/09/2024)
Por Diego Camara
Postado em 18 de setembro de 2024
Após a passagem no Monsters of Rock no ano passado, aparentemente o Deep Purple vem empilhando participações em festivais brasileiros. Desta vez, convidados a tocar no palco do Rock in Rio, a banda britânica veio para uma nova apresentação em São Paulo, agora no Espaço Unimed em um show solo, divulgando o novo álbum "=1". Confira abaixo os principais detalhes do espetáculo, com as imagens de Fernando Yokota.
O show estava marcado para as 22h, bastante tarde para os padrões de uma sexta-feira em São Paulo, mas diminuindo os riscos de que as pessoas percam o show por causa do trânsito. Foram mais 15 minutos de atraso até que começou a tocar a introdução ao show, a épica "Mars the Bringer of War". Logo em seguida, Ian Paice e companhia subiram ao palco já lançando a braba: "Highway Star" novamente é a abertura do show. A potência da música, que acelera no palco, chama todo o público para cantar muito e gritar pela banda.

O show continuou com duas músicas muito bem executadas: "A Bit on the Side" and "Hard Lovin’ Man", em um encontro entre o velho e o novo. As duas músicas são coroadas com excelentes solos de guitarra de Simon McBride, que está substituindo em altíssimo nível os trabalhos de Steve Morse desde 2022. O seu solo de guitarra, porém, faltou emoção e poderia ser dispensável.

"Uncommon Man" veio forte nos teclados, com uma bela apresentação de Don Airey, que dominou a cena e impôs seu ritmo único ao show. Ian Gillan disse que a música foi uma homenagem a Jon Lord, uma das grandes figuras da fundação da banda e a mente por trás de diversos sucessos musicais da primeira fase da banda e um dos grandes responsáveis pelos elementos de blues e jazz que marcam o estilo único do Purple.

Outra grande performance foi da música "Lazy", outro clássico do "Machine Head" muito bem recebida pelo público, que foi a loucura quando Ian Gillan puxou sua gaita. A performance, em marca de excelência, mostra que o Deep Purple ainda tem muito a oferecer a cena: tudo se encaixa perfeitamente em cada uma das músicas, e o som do Espaço Unimed corresponde ao nível da banda.

"When a Blind Man Cries" foi um dos melhores momentos da noite, puxada com muita emoção pelos vocais de Ian Gillan, que está realmente em um dos seus melhores momentos musicais. Logo depois veio "Portable Door", uma das grandes surpresas do setlist. A música do novo disco é excelente ao vivo, com sua pegada firme no blues rock que encaixa muito bem ao vivo e em cantou o público. Logo em seguida, "Anya" não podia faltar. O público cantou a música de cabo a rabo, aplaudindo muito a apresentação da banda.

Não podia faltar, como sempre, o solo de teclado já conhecido de Don Airey, inspirado na música brasileira. Ele abre com um trecho de "Mr. Crowley", de Ozzy Osbourne, e seguiu com uma sequência musical brasileira, que contou com Tom Jobim, Villa Lobos, Ary Barroso, finalizando com o hino nacional, cantado a plenos pulmões pelo público.

Já se encaminhando para o final do show, a banda lançou dois clássicos: primeiro veio "Space Truckin’", outra muito esperada pelos fãs. O show de luzes deixou o espetáculo completo, e o ânimo do público foi ao teto. Logo na sequência, a banda lançou "Smoke on the Water", que contou com muita participação do público, que dançou, gritou e cantou junto com Gillan.

Não demorou muito, e a banda voltou para o bis. Primeiro sacam dois covers: "Green Onions" serve como uma introdução para a já conhecida "Hush", de Joe South mas eternizada pela banda. O público cantou demais a música e, mais uma vez, mostraram porque o brasileiro é sempre tão engajado nos shows de rock. "Black Night" veio logo em seguida, já como marca registrada, para fechar um espetáculo excelente.

O setlist poderia ter sido melhor. Já faz um bom tempo que o Deep Purple abandonou alguns sucessos da banda, como "Child in Time" ou "Burn" (esta até pelos vocais), mas ver outros sucessos como "Pictures of Home" ou "Perfect Strangers", duas músicas carimbadas do Deep Purple sendo deixadas de lado, é algo realmente frustrante para muitos fãs. Se o objetivo é divulgar o novo disco, o que é obviamente importante, a banda também tem que ouvir o público para ter certeza de onde pode mexer.

Setlist:
Intro: Mars, the Bringer of War (música de Gustav Holst)
Highway Star
A Bit on the Side
Hard Lovin' Man
Into the Fire
Guitar Solo
Uncommon Man
Lazy Sod
Keyboard Solo
Lazy
When a Blind Man Cries
Portable Door
Anya
Keyboard Solo
Bleeding Obvious
Space Truckin'
Smoke on the Water
Bis
Green Onions (Booker T. & the MG’s cover)
Hush (Joe South cover)
Black Night


















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