Amenra: no primeiro show em São Paulo, uma apresentação belíssima

Resenha - Amenra, Labirinto e Basalt (Fabrique Club, São Paulo, 01/03/2020)

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Por Diego Camara
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Na sua primeira série de apresentações em terras brasileiras, os belgas do Amenra mostraram toda sua excentricidade e técnica em uma apresentação eletrizante. Integrantes do pulsante underground do post-metal, com claras influências de artistas como o Cult of Luna e o Neurosis, o Amenra se diferencia pelo seu peso. Forte e visceral durante toda a sua apresentação, como poucos no gênero poderiam ser. Confira abaixo os principais detalhes do show, com as imagens de Fernando Yokota.

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Para acompanhar os belgas nesta tour, as apresentações contaram com a presença de dois conhecidos do gênero no país. O Basalt foi o primeiro a subir ao palco. Com muita agressividade, a banda fez uma excelente apresentação. Guitarras no ponto, e uma incrível apresentação de Marcelo Fonseca foram os grandes destaques desta banda que unifica muito bem a agressividade do Black Metal com elementos soturnos e um som bastante arrastado. A banda aproveitou para lançar seu novo single "Circumspice", que teve videoclipe divulgado neste mês de fevereiro e faz parte do novo álbum, anunciado para ainda este ano.

O Labirinto veio em seguida, para apresentar algumas de suas novas composições. Mantendo sempre o seu estilo bastante raiz, focado em uma apresentação que parece sempre um grande improviso musical, a banda apresentou sua nova composição "Lira Antifascista", e teve a presença de dois vocalistas durante parte do show. O som, infelizmente, esteve um pouco abaixo do que comumente é apresentado pela banda em suas apresentações. O baixo e os efeitos eletrônicos estavam baixos, em diversos momentos pouco perceptíveis, em comparação com as guitarras alucinantes e uma bateria bastante afiada. Os vocais, no geral, pareceram também um pouco fora do estilo da banda. Há de se esperar, no geral, para ver o que dará esta tentativa da banda e se o projeto será cada vez mais incluir vocais nas novas composições.

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Já às 21h, o Amenra subiu ao palco com um pequeno atraso. Subindo ao palco sem muito alarde, puxada pela percussão e o silêncio que brotava do público, a banda criou todo um clima com a introdução de "Boden". A explosão do som, em um choque de realidade para a agressividade do Amenra, trouxe à tona um conjunto enorme de sensações. A banda é como um soco no estômago entre momentos de paz, carregados pela incrível linha de vocais gritados e um muro de som bastante potente das guitarras. No conjunto, o Amenra mostrava desde a primeira música um som bastante consistente e completo.

O uso da projeção no palco, também utilizada pelos brasileiros do Labirinto, se encaixou muito bem com o estilo sombrio que os belgas queriam passar. Usando grande contraste, o som sincronizava muito bem com a projeção no palco, em muitos momentos fazendo que as próprias variações do som se confluíssem nas imagens. O público, de um respeito ímpar com o som da banda, reagia conforme esses movimentos, abrilhantando ainda mais a qualidade do som, que não sofria obstrução dos barulhos da casa.

As pedradas ficavam ainda mais marcadas pelas ótimas introduções e intermédios da banda. Um belo destaque fica para a intro de "A Solitary Reign", que era como se acompanhada pelo violão em uma melodia deliciosa, que remete ao estilo mais cadenciado de post-rock e post-metal europeu. Colin van Eeckhout, vocalista da banda que ficou mais tempo de costas para o público do que de frente para ele, em momentos como este deu toda a atenção aos fãs.

Os gritos do vocal, inclusive, parecem todos a mesma coisa. A banda tem letras em suas músicas, mas a mensagem que elas passam não demonstra ter grande importância ao som do Amenra: aqui, tudo, dos vocais até as pontes mais lentas, tudo conflui para causar esse sentimento de emergência no público presente, de que tudo em um piscar de olhos poderá explodir em mais uma jogada, tão ou mais pesada do que a anterior.

Foi uma apresentação de incrível surpresa e de fascínio, como poucas bandas hoje em dia podem entregar.

Setlist:
1. Boden
2. Plus près de toi
3. Razoreater
4. Thurifer
5. A Solitary Reign
6. Nowena
7. Am Kreuz
8. Diaken

AMENRA

LABIRINTO

BASALT




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Sobre Diego Camara

Nascido em São Paulo em 1987, Diego Camara é jornalista, radialista e blogueiro. Seu amor pelo metal e rock começou há 6 anos. Um amante da nova geração, é um grande fã de Arjen Lucassen, Andre Matos e bandas como Nightwish, Hammerfall, Sonata Arctica, Edguy e Kamelot. Também não deixa de ter amor pelos clássicos, como Helloween, Gamma Ray e Iron Maiden e do Rock de bandas como Oasis, Queen e Kings of Leon. Atualmente seus textos podem ser lidos no blog OCrepusculo.com sobre assuntos diversos, além de planos para criação de um projeto totalmente voltado aos blogs de Rock e Metal.

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