Cássia Eller: A beleza de uma polêmica revitalizada

Resenha - Cássia Eller; O Musical (Teatro Bradesco, São Paulo, 25/11/2017)

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Por Juliana Carpinelli
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Texto: Carlos Daniel Vieira - site Big Rock n' Roll

Em tempos de discursos conservadores e vozes tradicionalistas, poucas coisas são mais bem-vindas do que a lembrança da vida de CÁSSIA ELLER - um cometa de deliciosas polêmicas e visões à frente de seu tempo. Cássia Eller - O Musical percorreu várias cidades do Brasil, chegando a São Paulo nos dias 01 a 25 de setembro (no Teatro Frei Caneca) e, diante do sucesso, realizando novas apresentações de 24 a 26 de novembro (no Teatro Bradesco).

A responsabilidade de encarnar esse nome é grande, mas a artista Tacy de Campos faz um excelente trabalho. Além da similaridade na voz - o que já seria um desafio -, sua linguagem corporal, seus trejeitos e até as entonações ao xingar revelam uma profunda preparação da atriz. Por vezes, é difícil lembrar que não é a própria Cássia quem está no palco.

E se estamos sendo tão fidedignos a sua figura, a peça não poderia se prender aos convencionalismos em que CÁSSIA ELLER não acreditava. Assim, o enredo fala de seus vários relacionamentos e do caráter pouco tradicional de cada um, evidenciando uma mulher cuja ausência de letras originais era compensada facilmente pela poderosa vez, pela postura desbocada no palco, pelo pouco (ou nenhum?) pudor de uma mulher que, curiosamente, era tímida e despojada. Os exageros e paradoxos que nos acometem quando pensamos nela estão todos lá: no relacionamento poliamoroso, nos palavrões, na vergonha de dar coletivas ou falar em público, na nudez em pleno palco, na gravidez inesperada e bem aceita, na criança criada por duas mães, nas drogas lícitas e ilícitas, nas influências musicais variadas... enfim, em Cássia Eller.

O espetáculo conta com as atuações competentes de Juliane Bodini, Thainá Gallo, Jana Figarella e Jandir Ferrari. Além deles, brilham com especial engenho Eline Porto (cuja voz harmoniza deliciosamente com a de Tacy/Cássia) e Emerson Espíndola (que representa muito bem Nando Reis, além do óbvio talento musical). Todos eles encarnam diversos papéis de forma bastante satisfatória. E enquanto a biografia de Cássia Eller se desenrola, vamos ouvindo canções como "O Segundo Sol", "Palavras ao Vento", "Todo Amor que Houver Nessa Vida" e, é claro, "Malandragem".

Por fim, são mencionados grandes nomes de nossa música, compondo o quadro de que Cássia fazia parte. São personagens como Renato Russo, Cazuza e Nando Reis - esse último, com uma suave ênfase na amizade colorida, apaixonada e pura com a protagonista. Todos eles, diga-se de passagem, polêmicos e livres como Cássia, em maior ou menor escala.

Ora, se o preconceito esdrúxulo está de volta, a voz da liberdade também tem que estar. E nos palcos do Teatro Bradesco, essa voz a de é CÁSSIA ELLER.

MÚSICAS:
Socorro (Arnaldo Antunes/Alice Ruiz)
Vinheta: Stairway to Heaven (Page/Plant)
Juventude Transviada (Luis Melodia)
Rubens (Mario Manga)
De Esquina (Xis)
Palavras ao Vento (Moraes Moreira/Marisa Monte)
Top Top (Mutantes/Arnolpho Lima)
Um Branco, Um Xis e Um Zero (Marisa/Pepeu/Arnaldo)
Vinheta: Infernal (Nando Reis)
Por Enquanto (Renato Russo)
Vinheta: Partido Alto (Chico Buarque)
Com Você Meu Mundo Ficaria Completo (Nando Reis)
Coroné Antonio Bento (João do Valle/Luiz Wanderley)
Cocorocó (Marcio Mello)
1º de Julho (Renato Russo)
Todo Amor que Houver nessa Vida (Cazuza/Frejat)
Malandragem (Cazuza/Frejat)
ECT (Nanco Reis/Carlinhos Brown/Marisa Monte)
Luz dos Olhos (Nando Reis)
Nós (Tião Carvalho)
Soy Gitano (J. Monje/José Fernandes Torres /Vicente Amigo)
Relicário (Nando Reis)
All Star (Nando Reis)
Smells Like Teen Spirit (Nirvana)
Non, Je Ne Regrette Rien (Michel Vaucaire/ Charles Dumont)
O Segundo Sol (Nando Reis)




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