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Airbourne: que se foda quem acha que é cópia do AC/DC

Resenha - Airbourne (Carioca Club, São Paulo, 03/09/2017)

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Por Nelson de Souza Lima
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Hoje não seguirei manual de jornalismo, regras gramaticais, técnicas de redação ou o caralho à quatro. Serei menos jornalista e muito mais fã. Pago um pau pros caras do Airbourne. Pronto falei. Não tô a fim de seguir academicismos ou a cartilha do bom jornalista. Podem me criticar, mas reverencio aqui os australianos que fizeram um dos melhores shows que vi na vida. Destratados por muitos pela sua sonoridade que bebe na fonte acdcdiana, com bateria reta, rock seco, riffs destruidores e refrões grudentos os caras são chamados de xerox da banda dos irmãos Young. Que se foda.

Eu acho ótimo, pois pelo menos se inspiram numa grande banda. O Airbourne tem muitas similaridades com o AC/DC. Além do fato de serem do país dos cangurus também é liderado por uma dupla de irmãos.

A exemplo dos Young quem dá as cartas no Airbourne são Joel O'Keeffe (vocal/guitarra) e Ryan O'Keeffe. Além deles, completam a banda o baixista Justin Street e o guitarrista Harry Harrison. Na estrada desde 2003 o quarteto já lançou quatro discos, têm milhares de visualizações no Youtube e recebem elogios rasgados de gigantes do rock como Rolling Stones, Iron Maiden e Motley Crue. O quarteto deveria ter se apresentado no Brasil em 2014, mas não foi possível em virtude do falecimento do pai dos O'Keeffe. Tivemos que esperar mais um pouco, mas finalmente o dia chegou. O show rolou no Carioca Club sendo organizado pelo Manifesto Bar, tradicional reduto roqueiro da capital paulista, que em 2017 completa 23 anos de atividades. Aliás, fica aqui meu agradecimento ao pessoal do Manifesto que nos trataram muito bem.

O ótimo público que compareceu à casa presenciou uma das mais insanas performances dos últimos tempos com direito a chuva de cerveja e uma saraivada de hits. Por pouco o Carioca Club não veio abaixo. Na bagagem os caras vieram divulgar o mais recente álbum, "Breakin Outta Hell", do ano passado.

Mas antes de falar do show uma palhinha do que rolou primeiro. Acompanhado da fotógrafa Letícia Nunes Lima (confiram as fotos) cheguei ao Carioca por volta das 17h30, um pouco antes da abertura da casa. Uma fila considerável de fãs já se formava, as tradicionais camisetas pretas com estampas de inúmeras bandas, sobretudo do Airbourne e AC/DC. Na entrada trombamos com a galera da imprensa, entre fotógrafos e jornalistas.

Uma água no bar da esquina pra refrescar e bora entrar. No palco cerrado por uma cortina era possível ouvir o pessoal do Baranga, banda paulistana que abriu o show, passando o som e regulando os instrumentos. Um riff de AC/DC pra levantar a galera e gritos eufóricos. Terminada a passagem de som rolaram clássicos como Alice Cooper, Motley Crue e Twisted Sister. O público foi aumentando e na área VIP fotógrafos, jornalistas e fãs buscavam o melhor espaço.

Pontualmente as 19 horas as cortinas se abrem e o Baranga deu início a uma competente apresentação. Tendo na atual formação Xande (guitarra/vocal), Deca (guitarra), Ricardo Soneca (baixo) e Fernando Alemão Minchilo (bateria) o grupo mostrou em 45 minutos porque é um dos grandes representantes do rock nacional. Com dezessete anos de estrada e cinco discos lançados detonaram várias porradas como "Três-Oitão", "Chute na Cara" e "Pirata do Tietê". Destaque para o irriquieto guitarrista Deca, que literalmente foi pra galera. Caiu nos braços do povo fazendo caretas e claro, ótimos riffs e solos. Ao deixar o palco Xande agradeceu a receptividade do público e pediu prestígio pras bandas que cantam em português. Show muito legal que serviu de aquecimento pra avalanche sonora do Airboune que viria em seguida.

Na espera pelos australianos uma batatinha frita com muito catchup e doses generosas de carboidrato. Na espera um look na galera que, como sempre, fazia selfies pra postar nas redes sociais. Marcado pras 20 horas o show do Airboune começou com doze minutos de atraso, pois os roadies tiveram um trabalhinho pra montar o palco e preparar a muralha de amplificadores Marshall.

De repente as luzes começam e o tema instrumental de O Exterminador do Futuro dá início ao show. Os caras entraram no gás com "Are you Ready to Rock", do disco "Black Dog Barking", de 2013. Emendaram com a clássica "Too Much, Too Young, To Fast" e"Going Down on You". Quando disse que o show foi insano não estava brincando. Enquanto Ryan espanca a bateria sem dó. O baixista Justin Street e o guitarrista Harry Harrison vão de um lado ao outro do palco agitando sem parar e chamando os fãs pra cantar junto. Street é um autêntico headbanguer, pois agita o cabelo e mexe o pescoço como se fosse um ventilador. Os caras não param no palco.

Mas as maiores loucuras ficam por conta de Joel O'Keeffe. O cara é um furacão, não para um minuto. Faz caretas, mostra a língua, fica com os olhos esbugalhados, canta e toca feito como se estivesse possuído pelos demônios do rock. Sangue nos olhos e rock na veia. Entre tantas loucuras o cara foi tocar no camarote, ficou entre uma simpática senhora e um garotinho, solou sua guitarra e pediu uma lata de cerveja. O cara bateu com a lata na cabeça até abri-la e derramar na galera. Irado.
E as porradas comendo soltas: "Rivalry", "Girls In Black", "Breakin Outta Hell", entre outras. Legal quando acompanharam a galera que guitava "Ole Ole Ole, Airbourne, Airbourne".

A interação entre banda e público foi tremenda e a todo instante os caras jogavam palhetas. Joel O'Keeffe tem um modo peculiar de saudar os fãs. Joga copos e copos de cerveja pra galera. Uma performance irretocável que durou apenas uma hora e vinte minutos. Mas que ficará pra história.

Encerraram o show com "Runnin Wild", mais uma homenagem a Lemmy Kilmister, grande admirador da banda que morreu em 2015.

Os caras agradeceram os fãs e disseram estar felizes por vir a São Paulo prometendo voltar em breve.

E mais rock and roll que tudo foi no final. Uma groupie subiu no palco e trocou beijos com o baixista Justin Street. O cara não marcou touca e levou a menina pro backstage. Rock and roll total.

Airbourne mostrou que com atitude o rock não morre jamais.
Long Live Airboune.

Set List

Are you ready
Too Much, Too Young, Too Fast
Going Down On You
Ole Ole Ole Airbourne Airbourne Jam
Rivalry
Girls in Black
It's All for Rock 'n' Roll
Breakin' Outta Hell
Diamond in the Rough
No Way but the Hard Way
Stand Up

1. Encore:
Live It Up
Runnin' Wild

Comente: Esteve no show? O que achou?


Outras resenhas de Airbourne (Carioca Club, São Paulo, 03/09/2017)

Airbourne: Uma aula de rock clássico em São Paulo


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Sobre Nelson de Souza Lima

Jornalista, repórter, resenhista, colunista musical. Assim é Nelson de Souza Lima. Mas acima de tudo um amante do rock, classic, hard e metal. Entre minhas entrevistas estão as feitas com Angra, André Mattos, Royal Hunt, Blind Guardian, entre muitas outras. Além disso sou baixista da banda de Classic Rock e metal The Green Pigs.

Mais matérias de Nelson de Souza Lima no Whiplash.Net.