The Jelly Jam: Músicos do Dream Theater tocando em Toronto
Resenha - Jelly Jam (The Rockpile, Toronto, 18/08/2017)
Por Rodrigo Altaf
Postado em 21 de agosto de 2017
Caso alguém se dignasse a contar todos os projetos paralelos dos membros do Dream Theater, teria trabalho pra algumas encarnações. São tantos membros, atuais e antigos, e tantas bandas criadas, que acompanhar todas se torna uma tarefa hercúlea. Um desses projetos, The Jelly Jam, tocou em Toronto na última sexta-feira.
O Jelly Jam nasceu das cinzas de outro projeto, chamado Platypus, que contava com Derek Sherinian (teclados, ex-Dream Theater, atual Sons of Apollo e Black Country Communion), John Myun (baixo, Dream Theater), Ty Tabor (King´s X) e Rod Morgenstein (bateria, Dixie Dregs, Winger). Com a saída de Derek, os três remanescentes renomearam a banda, e deixaram de lado as músicas de longa duração e com experimentalismos, focando em um prog rock com toques de grunge, blues e shoegaze. Já têm quatro discos lançados, e estão na estrada divulgando o mais recente, "Prophet", que conta a jornada de um profeta em sua busca por salvar o mundo.
O local do show foi o mesmo Rockpile, que uma semana atrás havia abrigado o show do Greg Howe (confira minha resenha deste show para o Whiplash.Net no link abaixo). A casa abrigava cerca de quarenta presentes, infelizmente um público não condizente com o talento dessa banda. Por volta de 23h, ao som de "Nature", o Jelly Jam entra no palco. Entram com a rápida e pesada "I Can´t Help You".
Em seguida, tocam "Memphis", do último disco, uma das minhas favoritas. A esta altura dá pra se notar que Ty Tabor é um músico bem versátil na guitarra, mas seus vocais podem assustar alguns fãs. Sua voz é um tanto anasalada e por vezes monótona, lembrando um pouco o Steven Wilson do Porcupine Tree. É "um guitarrista que canta", não exatamente um vocalista. Em estúdio, os backing vocals dão uma amenizada, mas ao vivo não há atenuantes. Porém, quem consegue deixar de lado esse pequeno contratempo pode aproveitar um grande show.
O show segue com "No Remedy", "Reliving" (com uma jam ao final e um solo de guitarra violentíssimo) e "Not Today", esta última quase um rap nas estrofes, que evolui pra um riff de hard rock. John Myung não muda a postura que tem nos shows do Dream Theater, sem interagir muito com a galera, mas pela primeira vez em muito tempo, seu baixo está completamente audível. Sem tantos instrumentos pra competir por volume, o baixinho brilhou. Uma curiosidade: essa é a primeira tour do Jelly Jam, e a primeira vez que Myung pisa em um palco sem ser com o Dream Theater.
Em seguida tocaram "Allison", "Heaven" e "Empty", essa última com uma levada no estilo Alice in Chains. "Mr. Man" e "I Am the King" vieram logo na sequência. O estilo prog rock da banda fica evidente em todas as músicas, com riffs que parecem simples ao ouvinte mais distraído, mas que têm compassos complicados e mudanças sutis nos refrões a cada repetição.
A bela e tensa "Halos in Hell" foi a próxima música, cujo riff inicial é tocado apenas por Myung. Sua interação com a lenda viva Rod Morgenstein é incrível, e este encaixa viradas precisas, enquanto faz caretas hilárias. A seguir rolaram "Strong Belief" e "Water", fechando o show com "Care" e "Who´s Coming Now". Um repertório bem distribuído entre os quatro discos já lançados.
A banda se retirou do palco e pouco tempo depois apareceu no stand de merchandising para um meet & greet gratuito com os presentes. Consegui uma foto com John Muyng, mas enquanto o fazia, chegou um fã com zilhões de álbuns do Dixie Dregs e Kings´X para os outros dois assinarem, e fiquei sem paciência de esperar. Mas valeu muito à pena ver músicos acostumados a grandes plateias em um ambiente mais informal e descontraído como esse.
Setlist:
Nature
I Can´t Help You
Memphis
No Remedy
Reliving
Not Today
Allison
Heaven
Empty
Mr. Man
I Am the King
Halos in Hell
Strong Belief
Water
Nature´s Girl
Care
Who´s Coming Now
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