Greg Howe: fotos e resenha de apresentação em Toronto
Resenha - Greg Howe (The Rockpile, Toronto, 12/08/2017)
Por Rodrigo Altaf
Postado em 15 de agosto de 2017
Em meados dos anos 80, através de sua coluna na revista Guitar Player, o produtor Mike Varney começou a procurar guitarristas pra montar um selo que lançaria o que havia de melhor em termos de shred guitar. No auge da adoração de Randy Rhoads e Eddie Van Halen e com Steve Vai e Joe Satriani começando a trilhar seus caminhos, começava a despontar uma geração de guitarristas que buscava o virtuosismo acima de tudo. O "cast" inicial da Shrapnel Records contava com as seguintes feras: Yngwie Malmsteen, Marty Friedman, Jason Becker, Paul Gilbert, Richie Kotzen, Tony Macalpine e o injustiçado Greg Howe. Cada um desses viria a trilhar caminhas bem diferentes na música, mas isso já é tema pra outro post.
Fui conferir a apresentação de Greg em Toronto em uma casa chamada The Rockpile, que abriga shows de pequeno/médio porte. Nas paredes, propagandas dos futuros shows do local: Blaze Bayley, The Jelly Jam, apresentações de luta livre, dezenas de bandas cover (The Iron Maidens, uma banda cover do Iron só com mulheres, tocará lá em breve) etc. E várias fotos de eventos passados, como Helix, UFO, Yngwie Malmsteen, Harem Scarem, John Corabi etc. Pra quem conhece o Rio de Janeiro, essa casa lembra o Calabouço Bar, mas bem maior.
Voltando ao Greg Howe: ele talvez tenha sido o menos sortudo de todo o cast inicial da Shrapnel Records, por não ter tido o reconhecimento que merece. Sua carreira é bastante diversa e inclui algumas tours com artistas tão diferentes como Christina Agulera, Rihanna e Michael Jackson, além de ter lançado dois discos incríveis com o Richie Kotzen e alguns outros projetos como o Maragold. Seu estilo evoluiu do rock instrumental puro para adicionar influências de jazz-fusion e funk (o original, não o carioca!). Falando um pouco de técnica, ele é considerado o inventor do "hammer on from nowhere", um hammer on feito sem palheta. Mais detalhes sobre essa técnica no brilhante vídeo do Marcos De Ros:
Nessa primeira tour na América do Norte em muitos anos, Greg conta em sua banda com Gianluca Palmieri na bateria, com quem já toca há bastante tempo, e o incrível baixista Stu Hamm, que integra a banda de Joe Satriani.
Começa o show, e um tímido Greg saúda todos os presentes, anuncia a banda e diz que está lançando um disco novo chamado Wheelhouse. Desse disco, tocou a música "I Wonder", influenciada pelo Steve Wonder. Stu também está divulgando um disco novo chamado The Book Of Lies, cuja faixa título foi tocada, incluindo um solo de bateria.
Em seguida vieram The Obligatory Boogie, um tema da carreira solo do Stu Hamm, seguida do seu já tradicional solo "cavalgante" no baixo. Quem já conferiu algum show do Joe Satriani com Stu no baixo sabe do que estou falando, é aquele solo que parece uma trilha sonora de um filme de comédia do Velho Oeste.
A próxima música foi uma grande surpresa: Going to California, do Led Zeppelin, com as linhas vocais da versão original feitas no baixo. Linda versão, pra baixar um pouco a temperatura. O show seguiu com um solo do Greg, e uma pequena pausa pra uma foto do seu Instagram. Ele anuncia que a parte de "baladas" do show acabou, e emenda com Kick It All Over, a primeira música do seu primeiríssimo disco, um verdadeiro clássico do jazz fusion.
Em seguida, mais uma surpresa. Greg diz que "alguns de vocês devem ter notado uma baixinha no nosso stand de merchandise chamada PJ. O que poucos sabem é que ela também canta. PJ, vem aqui fazer um som com a gente". Sobe ao palco uma figurinha de 1,55m, mas com um vozeirão incrível!!! Ela cantou Rock Steady da Aretha Franklin e Tell Me Something Good da Chaka Khan, para uma platéia incrédula! O restante da banda parecia saborear a reação da galera, que até então não dava nada por aquela figurinha.
O show prosseguiu com uma das favoritas da galera, Jumpstart, do disco Introspection, e termina com uma cover de Proto Cosmos, popularizada por uma das grandes influências do Greg, segundo ele mesmo "the best guitar player ever", Allan Holdsworth.
Greg ainda ficaria por um bom tempo no stand de merchandise tirando fotos e dando um sem número de autógrafos, mas infelizmente não pude ficar mais tempo. Mas a visão dele debulhando em sua guitarra Carvin a poucos metros de distância ficará na minha memória pra sempre!
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