Ace: Com ele é rock'n'roll a noite inteira e festa todos os dias

Resenha - Ace Frehley (Tom Brasil, São Paulo, 05/03/2017)

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Por Nelson de Souza Lima, Tradução
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

E rolou no último domingo no Tom Brasil, em São Paulo, o tão esperado show de Ace Frehley. Em sua primeira apresentação solo em terras brasucas o guitarrista americano mostrou um set que trouxe canções próprias e clássicos do Kiss, banda na qual tocou entre 1974 e 1982 e de 1996 a 2000. O bom público que compareceu à casa de espetáculos da zona sul paulistana conferiu um show que se não foi magnífico ao menos serviu de boa diversão.

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Como estamos no verão tão certo quanto o calor absurdo são as pancadas de chuva nos finais da tarde. E como não podia ser diferente a chuva fez com que os fãs que esperavam a abertura da casa se espremessem uns nos outros ou buscassem se abrigar de alguma forma. E foi o que fiz também. Cheguei de moto, coloquei no estacionamento e tratei de me proteger num posto de gasolina, trocando ideia com um brother que conheci na hora. As especulações de sempre: set list, banda de abertura, entre outras coisas.

Já que falamos de um dos guitarristas mais influentes do rock, que compôs alguns clássicos do gênero, assisti mais como fã que jornalista. Afinal rock é diversão e eu estava lá pra curtir.

Bom, ao entrar fui circular e dar um look no público. Como é recorrente em shows de dinossauros como Frehley a galera era bem heterogênea: fãs das antigas e novos integrantes do Kissarmy, muito provavelmente acompanhados dos pais.

Camisetas de várias bandas, muitas do Kiss, é claro, inúmeras do anfitrião da noite garotas de shorts bem curtos e um monte de gente tatuada. Todos à espera do Spaceman. Enquanto rodava pelo Tom Brasil de lá pra cá, de cá pra lá, trocava ideia com o Yokota via Whatsapp. O cara estava no caminho e, novamente, detonou nas fotos. Confiram.

No palco, roadies se agitavam pra deixar tudo na mais perfeita ordem. Ao fundo o logo da Mahabanda, grupo que faria a abertura pro Spaceman.

A escolha da Mahabanda não foi à toa, uma vez que seu líder, o vocalista Rodrigo Roviralta é um dos maiores "kisseiros" do Brasil. Roviralta conferiu inúmeros shows do Kiss no exterior, conheceu pessoalmente os membros do grupo e em 1995, durante uma apresentação da turnê "Kiss Umplugged" cantou com Paul Stanley "Hide Your Heart", canção famosa dos caras do fim dos anos 80.

A paixão pela banda americana e por Ace Frehley é tanta que em 1993 Rodrigo Roviralta fundou o Kiss Cover, no qual interpretava justamente o Spaceman.
Por volta das 18h50 a Mahabanda entra e dá início a uma competente apresentação. Roviralta tratava de enaltecer o orgulho de abrir o show do ídolo conclamando a galera a interagir. Acompanhado por três músicos bastante técnicos Rodrigo Roviralta mandou canções de várias fases da Mahabanda, uma vez que o grupo já passou dos dez anos de carreira.

O hard rock puro dos caras está presente em músicas legais, autorais e cantadas em português. Mahabanda é um combo pra se prestar atenção. No set dos caras rolaram "Sociedade", "Tempo é dinheiro" e "Cara ou Coroa", entre outras. As 19h25 o grupo encerrou o show. Agora era esperar o Homem do Espaço. Muita gente chegou depois da apresentação de Roviralta e sua trupe perdendo a chance de ver uma banda legal.

Para aguardar o Dj mandou bem com bandas clássicas: Whitesnake, Scorpions, AC/DC, Motley Crue e o "infaltável" Guns n' Roses.

A agitação dos roadies ficou maior, afinal, dentro de alguns instantes Ace Frehley e companhia estariam no palco. O chefe dos roadies era uma reencarnação de Ronnie James Dio e foi devidamente saudado por um cara que estava do meu lado. Mas o "Dio Cover" nem deu bola e continuou a regular mics e instrumentos.

A expectativa aumentava e exatamente às 20h05 a instrumental "Fractured Mirror", do disco solo de Frehley de 1978 começa a tocar nas caixas de som. Jogo de luz, música alta e a banda entra saudada pelo público. Frehley já com sua inconfundível Gibson Les Paul, acompanhado de Richie Scarlet (guitarra e vocais), Chris Wyse (baixo e vocais) e Scot Coogan (bateria).

Para abrir os trabalhos mandaram "Rip It Out", também do disco solo do Spaceman de 1978 e "Toys". "Parasite", primeira da noite do Kiss, veio na sequência, seguida de "Snowblind', outra solo do guitarrista.

Os caras se divertem no palco e passam isso para o público. Principalmente o veteraníssimo Richie Scarlet, pra mim uma mistura de Vinnie Vincent e Alice Cooper. Ele não para no palco, faz caras e bocas, brinca com a guitarra, toca com os dedos como se fosse um contrabaixo, corre de um lado ao outro do palco. Enfim, é cheio de firulas. Mas como eu disse acima rock é diversão.

Para mim, um dos melhores momentos veio com "Love Gun", clássico do Kiss dos anos 70. O batera Scot Coogan mandou bem no vocal, levando a galera ao delírio.

Se as músicas estavam mais lentas que o normal não fez diferença, pois os "kisseiros" curtiram assim mesmo.

Na sequência "Rocket Ride", outra da ex-banda de Frehley, emendada por "Rock Soldiers".

Encerrando a primeira parte Chris Wyse fez um solo interessante de contrabaixo. Instrumento cheio de efeitos de pedal, equalizado de modo a dar timbres variados. Se não foi um primor de solo serviu para os outros três descansar um pouco e voltarem para tocar "Strange Ways", com o baixista assumindo o vocal.
Depois mandaram a clássica "New York Groove", dos britânicos do Hello e que Frehley já havia gravado nos anos 70.

O firulento Richie Scarlet tomou conta do microfone para cantar "2 Young 2 Die" fazendo uma homenagem ao batera Eric Carr, que morreu aos 41 anos, vitimado por um câncer. Carr era muito amigo de Ace Frehley.

Após "2 Young 2 Die" Frehley e Scarlet fizeram um dueto/brincadeira de guitarras. Cada um mandava um riff clássico com direito a Beatles, Elvis, entre outros.

A esperada "Shock Me" veio em seguida abrindo o caminho para o solo do Spaceman com direito a faíscas e fumaça saindo dos captadores da Gibson Les Paul.
Encerrando o show outro clássico dos mascarados: "Cold Gin". A banda deixou o palco para, claro, fazer aquele tradicional docinho.

Aclamados ao som de "Ace", "Ace", "Ace" o grupo retorna para o final apoteótico com "Detroit Rock City", novamente nos vocais o batera Coogan.

E encerrando de vez a apresentação a também aguardada "Deuce". Vale frisar que a banda distribuiu dezenas de palhetas. Inclusive fazendo uma chuva de palhetas no final do show. Não peguei nenhuma no empurra-empurra, mas tá valendo.

Com Ace Frehley é isso ai: Rock and roll a noite inteira e festa todos os dias.

Valeu, Ace.

A banda:
Ace Frehley (vocal e guitarra)
Richie Scarlet (guitarra e vocal)
Chris Wyse (baixo e vocal)
Scot Coogan (bateria e vocal)

SET LIST
01. Rip It Out
02. Toys
03. Parasite
04. Snowblind
05. Love Gun
06. Rocket Ride
07. Rock Soldiers
Solo de Baixo
08. Strange Ways
09. New York Groove
10. 2 Young 2 Die
Duelo de guitarras

11. Shock Me
Solo de Ace Frehley
12. Cold Gin
Encerramento:
13. Detroit Rock City
14. Deuce

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Sobre Nelson de Souza Lima

Jornalista, repórter, resenhista, colunista musical. Assim é Nelson de Souza Lima. Mas acima de tudo um amante do rock, classic, hard e metal. Entre minhas entrevistas estão as feitas com Angra, André Mattos, Royal Hunt, Blind Guardian, entre muitas outras. Além disso sou baixista da banda de Classic Rock e metal The Green Pigs.

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