Aerosmith: consistência e surpresas durante show em SP
Resenha - Aerosmith (Allianz Parque, São Paulo, 15/10/2016)
Por Igor Miranda
Postado em 16 de outubro de 2016
Em sua sexta passagem pelo Brasil, o Aerosmith se mostrou tão competente quanto das primeiras vezes, anos atrás. Em alguns pontos, chega a melhorar com o tempo.
A banda se apresentou neste sábado (15), no Allianz Parque, São Paulo (SP), para, aproximadamente, 45 mil pessoas – próximo à lotação máxima. Além da qualidade do quinteto americano, as recentes declarações que indicam a proximidade de uma aposentadoria estimularam os fãs a comparecerem ainda mais, visto que, em outras ocasiões, o grupo tocou para audiências um pouco menores em terras tupiniquins.
O local escolhido para o show não poderia ter sido melhor. A estrutura do Allianz Parque impressiona a qualquer um. Comodidades como os mais de 200 banheiros, bares/lanchonetes bem distribuídas (além da venda ambulante) e dezenas de encarregados em orientar o público fizeram com que a opção pelo estádio do Palmeiras fosse uma opção melhor que a Arena Anhembi, por exemplo, que já recebeu o Aerosmith no passado.
Antes do Aerosmith subir ao palco, a banda paulista Sioux 66 fez uma performance boa o suficiente para aquecer o público que aguardava por Steven Tyler e seus asseclas. Foram x minutos de um som pesado e envolvente. Hard n' heavy de pegada contemporânea e boas composições, incluindo as letras em português.
Os únicos pesares foram a timbragens dos instrumentos, que deixou a desejar (apesar de compreensível, visto que, geralmente, atrações de abertura têm pouco tempo para ajeitar tudo) e o sotaque gringo levemente forçado do vocalista. Nada, porém, que comprometa o bom show do quinteto, cujo repertório teve cerca de sete músicas e 30 minutos de duração. Entre os destaques, estão a autoral "Porcos" e os inusitados covers de "Black or White", de Michael Jackson (apenas um trecho) e "O calibre" (Os Paralamas do Sucesso).
Poucos minutos após às 21h, o Aerosmith subiu ao palco. Arebatador como sempre, o grupo surpreendeu ao abrir o show com "Draw the Line", clássica, porém pouco usual para o início dos shows. E, em comparação à performance de dias atrás em Porto Alegre, algumas surpresas permearam o repertório em sua primeira metade.
As previstas "Love in an Elevator" e "Cryin'", na sequência, agitaram o público – especialmente a última, com uma performance irretocável de Steven Tyler. "Eat the Rich", outra surpresa do setlist, agradou aos mais atentos à discografia do Aerosmith, enquanto "Crazy", logo após, arrancou suspiros e gritos em uníssono dos presentes.
"Kings and Queens", lado B louvável, ganhou interpretação espetacular de toda a banda. "Livin’ on the Edge", outra canção performática, conquistou o público e abriu alas para a intensa "Rats in the Cellar", com direito a uma boa jam final. A essa altura, o grupo estava todo à vontade, especialmente Steven Tyler, que brincava com o público e se deitava no palco com naturalidade.
O hit "Dude (Looks like a lady)" e a pouco lembrada "Monkey on my Back" destacaram a incrível potência vocal de Steven Tyler, que, aos 68 anos, mostrou fôlego de um menino e experiência de um mestre. "Pink" fez o palco ser tomado por luzes da cor rosa e o público ser fisgado por um hit gostoso tão bem tocado. "Rag Doll", logo após, manteve o nível com uma boa performance de Joe Perry na slide guitar.
"Stop Messin' Around", na voz de Perry, explicitou o lado blues do Aerosmith, com ótimos solos de Brad Whitford na guitarra, Steven Tyler na gaita e Bob Douglas, o sexto elemento, nos teclados. A desconhecida "Chip Away the Stone" mostrou, na sequência, que o Aerosmith vai além dos hits costumeiros em sua discografia. De uma pouco conhecida para um dos maiores sucessos, "I Don't Want to Miss a Thing" emocionou os presentes. E como canta Steven Tyler...
A boa versão para "Come Together" e a clássica "Walk this Way" deram fim ao setlist regulamentar com muita energia. No bis, a incrível "Dream on" foi precedida de trechos de "Home Tonight" e "You See Me Crying", mas logo uma das melhores faixas da banda ganhou forma. Por fim, "Sweet Emotion" encerrou, com pique e excelência, um repertório de quase duas horas, com algumas surpresas e muita consistência.
Entristece-me pensar que o Aerosmith logo chegará ao fim. Mesmo já em idade avançada, os músicos conseguem fazer um show em altíssimo nível, com tonalidades e batidas praticamente iguais às canções originais. Se você nunca foi a uma apresentação dos Bad Boys de Boston, não deixe passar: é uma experiência fora de série.
01. Draw the Line
02. Love in an Elevator
03. Cryin'
04. Eat the Rich
05. Crazy
06. Kings and Queens
07. Livin' on the edge
08. Rats in the Cellar
09. Dude (Looks Like a Lady)
10. Monkey on my Back
11. Pink
12. Rag Doll
13. Stop Messin' Around
14. Chip Away the Stone
15. I Don't Want to Miss a Thing
16. Come Together
17. Walk this Way
Bis
18. Dream on
19. Sweet Emotion
Veja galerias de imagens do show nos links abaixo:
http://veja.abril.com.br/galeria-fotos/a-banda-norte-americana-aerosmith-em-sao-paulo/
A seguir alguns vídeos do show:
Comente: Esteve no show? Foi emocionante?
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