Iron Maiden: A antítese ao rock preguiçoso

Resenha - Iron Maiden (Allianz Parque, São Paulo, 26/03/2016)

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Bruno Martim
Enviar correções  |  Ver Acessos

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Caro leitor (a): você se recorda de quantos lançamentos presenciou das chamadas grandes bandas de rock, como Iron Maiden, Rolling Stones e Metallica, nos últimos 20 anos?

Kerrang!: álbuns fantásticos com capas constrangedorasSteven Tyler: "Há álbuns que prefiro esquecer"

Se você já passou da fase dos vinte e poucos  -  como eu  - sabe que os dois últimos nomes não têm disponibilizado novas músicas com a frequência de outrora. Pior que isso, têm vivido apenas de turnês e lançamentos esporádicos  -  no caso do Metallica já são quase DEZ anos desde o seu último disco de estúdio: "Death Magnetic", de 2008; e no dos Stones, mais que isso: são 11 anos à espera de um novo álbum.

Ou seja, em estúdio, determinadas bandas acabam, sim, sendo mais preguiçosas que outras.

Falta de criatividade? Problemas internos que dificultam a agenda para gravações? O peso da idade? Decidam.

Mas raciocinemos: se um grupo, como o Iron Maiden, se coloca na vanguarda de um movimento importante, como a NWOBHM (New Wave Of British Heavy Metal), e busca inovar, com frequência, a cada álbum, explorando novas sonoridades e conceitos, preguiçoso é que ele não é.

Nem um pouco, diga-se.

A banda inglesa é comumente encontrada em listas de melhores discos do ano e bate recorde de vendas em países do mundo todo.
Mais que isso, traz novos elementos a cada um dos seus álbuns.

Para traçarmos um paralelo: nos últimos 20 anos, o Iron Maiden gravou e lançou seis álbuns de estúdio. Se somados, Rolling Stones e Metallica gravaram cinco.

Assim, fica fácil entender o impacto que a Donzela de Ferro tem em seu segmento, a música pesada, e também no cenário da música pop mundial. Afinal, é um fenômeno a ser observado.

Os ingleses poderiam estar em casa, deitados, ou na praia, torrando abaixo de um sol escaldante. Mas não, querem e vivem em função da sua música. É o que dá vida a eles.

E isso foi o que se viu, neste último sábado, 26, no Allianz Parque, em São Paulo.

Sempre que visita o Brasil, a trupe de Steve Harris e Bruce Dickinson coleciona lembranças, estádios - e, agora, aeroportos - lotados e fãs aficionados por vê-los e ouvi-los.

E, mais uma vez, foi assim.

A apresentação na capital paulista se resumiu a uma experiência saudosa  -  não clichê, entretanto - para grande parte dos fãs.

Composta por uma maioria mais velha  -  acima dos 25 anos  -  a plateia do Iron Maiden vibrou.

Cantou.

E aproveitou cada uma das 16 músicas executadas in loco.

Fãs de um perfil etário mais jovem também foram vistos por todos os lados. Registro que mostra uma renovação no perfil do público da banda.

E, convenhamos: com discos lançados com frequência, é mais fácil fidelizá-los.

ADENDO: Trazer o Iron Maiden para a América do Sul é, também, uma grande oportunidade para organizadores e promotores de grandes eventos.

Só na capital paulista, segundo a organização, foram mais de 42 mil pessoas.

Trazer a banda pra cá é, sem dúvida, garantia de retorno financeiro e de exposição na mídia.

Vale a pena apostar, portanto.

Voltando à apresentação.

Com trocas de figurinos e cenários, o Iron Maiden deixou evidente a sua preocupação e esforço em oferecer algo novo, diferente do habitual.

Em uma nova roupagem, a banda deu aquilo que conhecemos, há algum tempo, a muitas pessoas que os viam pela primeira vez.

Uma novidade. Mesmo que piegas para alguns.

No show, também optaram por valorizar suas novas composições, que fazem parte do recém-lançado e aclamado "The Book Of Souls".

Destaque para "The Red And The Black" e "Speed Of Light", duas das mais comemoradas do atual setlist.

O Iron Maiden, enfim, ousa e arrisca como nenhuma outra grande banda do seu patamar.

Sem medo.

Mais progressiva, com canções longas e com novas harmonias, redefine o caminho desenhado por ela durante a última década, em discos como "Dance Of Death" e "A Matter Of Life And Death".

Fatos que comprovam a ideia de antítese ao rock preguiçoso. Aquele de pouca coisa nova e já acomodado.

Afinal, inovação e criação sintetizam a busca pela perfeição.

Mesmo que em um processo de reciclagem, como a fase da banda pode parecer para alguns.




GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net


Todas as matérias da seção Resenhas de ShowsTodas as matérias sobre "Iron Maiden"


Kerrang!: álbuns fantásticos com capas constrangedorasKerrang!
álbuns fantásticos com capas constrangedoras

Rock in Rio 2019: qual headliner é o mais popular no Brasil, segundo o GoogleRock in Rio 2019
Qual headliner é o mais popular no Brasil, segundo o Google

Iron Maiden: veja Flight Of Icarus e Run To The Hills tocadas em Los AngelesIron Maiden
Veja "Flight Of Icarus" e "Run To The Hills" tocadas em Los Angeles

Incubus: eles querem emprestar o cenário do Iron Maiden, incluindo Eddie

Grandes covers: cinco versões para The Number Of The BeastGrandes covers
Cinco versões para "The Number Of The Beast"

Iron Maiden em Campinas: O dia em que o Brinco de Ouro virou campo de guerraIron Maiden em Campinas
O dia em que o Brinco de Ouro virou campo de guerra

Rock in Rio 2019: apenas 2 dias do festival estão com ingressos esgotadosRock in Rio 2019
Apenas 2 dias do festival estão com ingressos esgotados

Bruce Dickinson: em vídeo, um review da autobiografia

Iron Maiden: Nicko McBrain não usa pedal duplo pois já acha um difícil o bastanteIron Maiden
Nicko McBrain não usa pedal duplo pois já acha um difícil o bastante

Iron Maiden: cinco versões do clássico Hallowed Be Thy NameIron Maiden
Cinco versões do clássico "Hallowed Be Thy Name"

Iron Maiden: Nicko McBrain toca bateria em banda tributo em Nashville; assistaIron Maiden
Nicko McBrain toca bateria em banda tributo em Nashville; assista

Bruce Dickinson: review da autobiografia Pra Que Serve Esse Botão?

Iron Maiden: o brilhante e conceitual Seventh Son of a Seventh Son (vídeo)Iron Maiden
O brilhante e conceitual Seventh Son of a Seventh Son (vídeo)

Vlog Rock: A saga de Charlotte, a prostituta do Iron MaidenVlog Rock
A saga de Charlotte, a prostituta do Iron Maiden

Collectors Room: a controversa volta às raízes do Iron Maiden (vídeo)

Iron Maiden: está difícil viver de heavy metal, diz Steve HarrisIron Maiden
Está difícil viver de heavy metal, diz Steve Harris

Iron Maiden: Rodriguinho, dos Travessos, em cover inusitadoIron Maiden
Rodriguinho, dos Travessos, em cover inusitado

Bruce Dickinson: Trecho da nova biografia relata a firmeza diante de uma criseBruce Dickinson
Trecho da nova biografia relata a firmeza diante de uma crise


Steven Tyler: Há álbuns que prefiro esquecerSteven Tyler
"Há álbuns que prefiro esquecer"

Megadeth: Mustaine fala sobre satanistas, gays e gatosMegadeth
Mustaine fala sobre satanistas, gays e gatos

As novas caras do metal: + 40 bandas que você deve conhecerAs novas caras do metal
+ 40 bandas que você deve conhecer

Queen: algumas curiosidades sobre a bandaQueen
Algumas curiosidades sobre a banda

Total Guitar: os 20 melhores riffs de guitarra da históriaTotal Guitar
Os 20 melhores riffs de guitarra da história

Foo Fighters: Dave Grohl revela qual seu guitarrista solo favoritoFoo Fighters
Dave Grohl revela qual seu guitarrista solo favorito

Tony Iommi: relembrando seu tempo com o Jethro TullTony Iommi
Relembrando seu tempo com o Jethro Tull


Sobre Bruno Martim

Autor sem foto e/ou descrição cadastrados. Caso seja o autor e tenha dez ou mais matérias publicadas no Whiplash.Net, entre em contato enviando sua descrição e link de uma foto.

adGoo336|adClio336