Iron Maiden: A antítese ao rock preguiçoso
Resenha - Iron Maiden (Allianz Parque, São Paulo, 26/03/2016)
Por Bruno Martim
Postado em 05 de abril de 2016
Caro leitor (a): você se recorda de quantos lançamentos presenciou das chamadas grandes bandas de rock, como Iron Maiden, Rolling Stones e Metallica, nos últimos 20 anos?
Se você já passou da fase dos vinte e poucos — como eu — sabe que os dois últimos nomes não têm disponibilizado novas músicas com a frequência de outrora. Pior que isso, têm vivido apenas de turnês e lançamentos esporádicos — no caso do Metallica já são quase DEZ anos desde o seu último disco de estúdio: "Death Magnetic", de 2008; e no dos Stones, mais que isso: são 11 anos à espera de um novo álbum.
Ou seja, em estúdio, determinadas bandas acabam, sim, sendo mais preguiçosas que outras.
Falta de criatividade? Problemas internos que dificultam a agenda para gravações? O peso da idade? Decidam.
Mas raciocinemos: se um grupo, como o Iron Maiden, se coloca na vanguarda de um movimento importante, como a NWOBHM (New Wave Of British Heavy Metal), e busca inovar, com frequência, a cada álbum, explorando novas sonoridades e conceitos, preguiçoso é que ele não é.
Nem um pouco, diga-se.
A banda inglesa é comumente encontrada em listas de melhores discos do ano e bate recorde de vendas em países do mundo todo.
Mais que isso, traz novos elementos a cada um dos seus álbuns.
Para traçarmos um paralelo: nos últimos 20 anos, o Iron Maiden gravou e lançou seis álbuns de estúdio. Se somados, Rolling Stones e Metallica gravaram cinco.
Assim, fica fácil entender o impacto que a Donzela de Ferro tem em seu segmento, a música pesada, e também no cenário da música pop mundial. Afinal, é um fenômeno a ser observado.
Os ingleses poderiam estar em casa, deitados, ou na praia, torrando abaixo de um sol escaldante. Mas não, querem e vivem em função da sua música. É o que dá vida a eles.
E isso foi o que se viu, neste último sábado, 26, no Allianz Parque, em São Paulo.
Sempre que visita o Brasil, a trupe de Steve Harris e Bruce Dickinson coleciona lembranças, estádios — e, agora, aeroportos — lotados e fãs aficionados por vê-los e ouvi-los.
E, mais uma vez, foi assim.
A apresentação na capital paulista se resumiu a uma experiência saudosa — não clichê, entretanto — para grande parte dos fãs.
Composta por uma maioria mais velha — acima dos 25 anos — a plateia do Iron Maiden vibrou.
Cantou.
E aproveitou cada uma das 16 músicas executadas in loco.
Fãs de um perfil etário mais jovem também foram vistos por todos os lados. Registro que mostra uma renovação no perfil do público da banda.
E, convenhamos: com discos lançados com frequência, é mais fácil fidelizá-los.
ADENDO: Trazer o Iron Maiden para a América do Sul é, também, uma grande oportunidade para organizadores e promotores de grandes eventos.
Só na capital paulista, segundo a organização, foram mais de 42 mil pessoas.
Trazer a banda pra cá é, sem dúvida, garantia de retorno financeiro e de exposição na mídia.
Vale a pena apostar, portanto.
Voltando à apresentação.
Com trocas de figurinos e cenários, o Iron Maiden deixou evidente a sua preocupação e esforço em oferecer algo novo, diferente do habitual.
Em uma nova roupagem, a banda deu aquilo que conhecemos, há algum tempo, a muitas pessoas que os viam pela primeira vez.
Uma novidade. Mesmo que piegas para alguns.
No show, também optaram por valorizar suas novas composições, que fazem parte do recém-lançado e aclamado "The Book Of Souls".
Destaque para "The Red And The Black" e "Speed Of Light", duas das mais comemoradas do atual setlist.
O Iron Maiden, enfim, ousa e arrisca como nenhuma outra grande banda do seu patamar.
Sem medo.
Mais progressiva, com canções longas e com novas harmonias, redefine o caminho desenhado por ela durante a última década, em discos como "Dance Of Death" e "A Matter Of Life And Death".
Fatos que comprovam a ideia de antítese ao rock preguiçoso. Aquele de pouca coisa nova e já acomodado.
Afinal, inovação e criação sintetizam a busca pela perfeição.
Mesmo que em um processo de reciclagem, como a fase da banda pode parecer para alguns.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Álbum do Sepultura é citado como um dos melhores discos do thrash metal em lista da Kerrang!
Os melhores álbuns de metal lançados em 1986, segundo Gastão Moreira
Causa da morte de Phil Campbell, guitarrista do Motörhead, é revelada
Nicko McBrain destruiu camarim por ter se decepcionado com atuação de Blaze em show do Maiden
Os 10 melhores discos do thrash metal, de acordo com a Kerrang!
Rudy Sarzo sobre Rhoads x Van Halen: "Pessoas não sabem diferença entre opinião e fato"
O erro de avaliação de David Gilmour sobre o "Dark Side of the Moon"
Os 10 melhores discos do Kiss, em lista do Classic Rock History
O clássico absoluto do Metallica cuja introdução foi inspirada em uma música do Venom
Metallica volta a tocar música que estava fora dos seus shows desde 2008
O vocalista que Tony Iommi demitiu do Black Sabbath porque ele "estava cheirando muita cocaína"
Nicko McBrain quis deixar o Iron Maiden nos anos 1980 por ter errado em um show
Floor Jansen garante que novo álbum solo é mais metal que o Nightwish
O curioso tema do TCC de Fernanda Lira que professora reprovou e a fez largar a faculdade
Baterista do Linkin Park tenta tocar Paralamas e é detonado: "João Barone dá de mil nele"
O megahit do Ultraje a Rigor inspirado em polêmico discurso do saudoso Pelé
Edgard Scandurra, do Ira!, explica atual sumiço do rock nas rádios brasileiras
O megahit dos Beatles que John Lennon disse a Alice Cooper que é um "completo absurdo"
10 discos de heavy metal lançados de 1970 a 1993 que são essenciais, segundo o CRH
Steve Harris colocou Nicko McBrain em "enrascada" na primeira tour do baterista com o Iron Maiden
Gigantes do metal fizeram Geezer Butler perceber a importância do Black Sabbath
Nicko McBrain gostaria de ser enterrado no caixão "mais estranho do mundo"
O videoclipe que Bruce Dickinson produziu para uma banda glam/punk britânica
Bruce Dickinson promete novo álbum "em um patamar bem acima de 'Mandrake Project'"
Como uma música de 23 minutos me fez viajar 500 km para ver uma das bandas da minha vida
Metallica: Quem viu pela TV viu um show completamente diferente



