Udo: Assistir ao show pode provocar fortes dores no pescoço

Resenha - UDO (Via Marquês, São Paulo, 15/11/2015)

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Por Nelson de Souza Lima, Tradução
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"O Ministério da saúde adverte. Assistir ao show do UDO pode provocar fortes dores no pescoço".

Me desculpem a brincadeira, mas o trocadilho foi inevitável, após o showzaço do ex-vocalista do Accept na Via Marquês. Sacudi tanto o pescoço que dei sorte em não ter uma torção mais grave. O ícone do metal alemão matou a pau com um set list irretocável formado por ótimas canções da carreira solo, assim como de sua antiga banda. O público, apenas regular, começou a chegar por volta das 15 horas, com o início do show marcado para as 19h30. Na entrada aquela brodagem de sempre com amigos da imprensa, trocando ideias e conjecturando a respeito do repertório e shows de abertura. Meu brother, Fernando Yokota já estava lá, preparando as poderosas lentes para registrar tudo (confiram as fotos).

Encontrei amigos da Roadie Crew e de outros veículos legais voltados ao metal. Pouco depois das 16 horas público e imprensa foram liberados para entrar na casa. Matei saudades da Via Marquês, na Barra Funda, já que há tempos não aparecia ali. Atrás das cortinas cerradas os ingleses do Blitzkrieg faziam o sound check e era possível ver o vocalista Brian Ross entre uma abertura e outra do pano. Chamou a atenção a equalização do som que estava perfeita. Uma altura bem adequada de modo a não machucar os ouvidos e notar a precisão de cada instrumento e o volume legal da voz. Bom sinal de que a noite seria mesmo de prima. E não deu outra. A maratona metálica começou às 17 horas em ponto com Jess Cox. O vocalista original do Tygers of Pan Tang foi acompanhado da galera do Blitzkrieg e fez um set curto de apenas 20 minutos. Apesar do pouco tempo Cox mostrou que está em boa forma e agitou o público. Um ótimo cartão de visitas para a galera, formada na sua maioria, por fãs das antigas que seguem os grupos há mais de trinta anos. Tanto Jess Cox, como o Blitzkrieg e UDO passaram das três décadas de carreira.

Assim que terminou sua apresentação Cox e banda deixaram o palco. Poucos minutos depois os músicos voltaram, após uma rápida troca de roupas, subentenda-se camisetas pretas por outras igualmente pretas.

Às 17h28 o Blitzkrieg abriu com "Inferno", porrada que logo de cara levou um monte de gente a sacudir o esqueleto. Brian Ross no melhor estilo moto/roqueiro todo de preto solta o vozeirão levando os headbangers à loucura. Um petardo após o outro os caras deixaram claro que valeu a pena esperar por eles, uma vez que foi sua primeira apresentação em solo brasuca. Ross e companheiros mostraram A Time Of Changes Tour, comemorando os 30 anos do primeiro disco lançado.

A banda é muito segura e competente trazendo na atual formação Ken Johnson (guitarra), Alan Ross, o filho de Brian (guitarra), Bill Baxter (baixo) e Matt Graham (bateria).

Seguiram porradas como Armageddon, Pull the Trigger e Hell to Pay. O único problema é que Ross desandou a falar, achando que todos o entendiam bem. Eram raros os que compreendiam o que ele dizia. Tirando esse detalho o cara é super simpático e sabe conduzir o público. Na hora que anunciou sua canção favorita no Blitzkrieg, a bela A Time Of Changes, Ross lembrou os condenáveis atos terroristas ocorridos em Paris, na última sexta-feira, onde 129 pessoas morreram. Após uma hora de show o quinteto encerrou com Blitzkrieg, música que dá nome a banda.

Agora era esperar por UDO o que demorou uma hora. Aproveitei para circular pela casa e conferir o público. Camisetas pretas, jaquetas jeans recheadas de etiquetas de bandas, cinturões metálicos e muitos cabeludos ao lado de outros já com madeixas a menos.

Galera heterogênea, mas que estava lá pela adoração a UDO. Quando achava que não ia ver nenhuma criança, eis que aparecem dois garotinhos de uns 8 ou 9 anos tirando fotos. Aliás o que não faltou também foram as selfies, tiradas aos montes. Enquanto circulava entre a galera Alan Ross e Matt Graham, do Blitzkrieg apareceram para tirar fotos com os fãs. Bem simpáticos atenderam todos de boa. Agora era tomar uma água e esperar pelo alemão e seu mirabolante arsenal de músicas grudentas e inteligentes.

Às 19h35 as cortinas se abrem e uma sequência de luzes e som viajandão anunciam o começo do show. Entram aos poucos. Primeiro o tecladista Harrison Young, depois o baterista Sven Dirkschneider, filho de Udo. Na sequência os guitarristas Andrey Smirnov e Kasperi Heikkinen e por último o baixista Fitty Wienhold. A galera gritando, agitando os braços ficam à espera do astro da noite.

A banda com a pesada Speeder e quando UDO entra com seu uniforme camuflado a casa parece que vai abaixo dada a empolgação dos fãs. Nada melhor que uma música literalmente rápida para começo de show. O que se viu foi um ritual sonoro e comunhão raramente vista entre banda e público. UDO tem todos sob controle. Comando a galera com as mãos, chama os fãs para acompanharem com palmas, pede a participação e o público responde. A banda é extremamente correta. Sem falhas ou brechas. Os guitarras Smirnov e Heikkinen são incrivelmente performáticos. Brincam com o público e entre si. Jogam palhetas, fazem caretas e se entregam de corpo e alma aos instrumentos. Fazem riffs, solos e dobram as guitarras com precisão absurda. A cada porrada o público responde com palmas, gritos e as indefectíveis mãos chifradas, o símbolo do metal.

Se seguiram Blitz Of Lightning, King Of Mean e Decadent. Esta última é a faixa-título do mais recente álbum de UDO, também cantada a plenos pulmões pelos fãs.

UDO chama o público sempre com o bordão Are you ready?

E o público estava sempre pronto para todas as porradas mandadas pela banda. Uma das que mais gosto é They Want War, um tapa na orelha dos que oprimem os mais fracos em guerras injustificáveis. Como já disse as letras de UDO são bem inteligentes.

Chama atenção também a precisão com que Sven detona a bateria. É bem jovem, mas toca como um veterano. Do disco novo tocaram ainda Pain e Untouchable até Metal Machine quando encerraram o show. Claro que fizeram um docinho e voltaram para o bis.

O tecladista Harrison Young mostrou que também é talentoso ao iniciar o clássico de Beethoven, Fur Elise. Muitos conhecem essa obra erudita como a música do caminhão de gás, por ser utilizada por uma empresa para vender botijões.

Mas deixa para lá. O que se viu foi uma interação entre erudito e metal num mix Fur Elise/Metal Heart.

Na sequência Fast As a Shark e a mais esperada da noite Balls To The Wall. Devidamente acompanhada em coro pelo público.

Final apoteótico. Mas quem disse que tinha acabado. Atendendo os inúmeros gritos e quebrando o protocolo UDO e companheiros detonam Princess Of The Dawn. Já passava das 21h30 e essa foi a última, encerrando de forma magistral um dos melhores shows do ano. Depois era ir para casa e cuidar do pescoço dolorido com um anti-inflamatório.

SET LIST BLITZKRIEG:

Inferno
Dark City
Armageddon
Pull The Trigger
Hell To Pay
A Time Of Changes
Saviour
Back From Hell
Sahara
V
Noturnal Vision
Buried Alive
Biltzkrieg

SET LIST UDO:

Speeder
Blitz Of Lightning
Kings Of Mean
Decadent
Independence Day
Black Widow
Never Cross My Way
They Want War
Under Your Skin
In The Darkness
Secrets In Paradise
Faceless World
Pain
Untouchable
Animal House
Metal Machine
Metal Heart
Fast As A Shark
Balls To The Wall
Princess Of A Dawn



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Sobre Nelson de Souza Lima

Jornalista, repórter, resenhista, colunista musical. Assim é Nelson de Souza Lima. Mas acima de tudo um amante do rock, classic, hard e metal. Entre minhas entrevistas estão as feitas com Angra, André Mattos, Royal Hunt, Blind Guardian, entre muitas outras. Além disso sou baixista da banda de Classic Rock e metal The Green Pigs.

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