Dave Weckl: Cantar notas e ergonomia, importantes para bateristas

Resenha - Dave Weckl (Hotel Praia Centro, Fortaleza, 08/04/2015)

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

No início deste mês de abril, a Luciano Alf Produções e Eventos foi a responsável por mais uma turnê de workshops em nosso país de um músico conhecido e admirado internacionalmente. O artista em foco desta vez foi DAVE WECKL, baterista que integrou as bandas de artistas como ROBERT PLANT (ex-LED ZEPPELIN), CHUCK COREA, MADONNA e PAUL SIMON, autor de vídeos instrucionais e livros sobre o instrumento, com seu trabalho admirado por incontáveis colegas de baquetas. A turnê começou em Belo Horizonte, em 2 de abril, passando pelo Região Sul do país nos dias seguintes (Porto Alegre e Florianópolis), seguindo para a capital federal, Rio, Fortaleza, São Paulo e encerrando-se em Vitória, no Espirito Santo. Estivemos presentes em Fortaleza, única capital nordestina a receber o astro, e contamos a partir de agora como foi o workshop.

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Fotos: Neto Oliveira

- Estou realizando um sonho, pois Dave Weckl marcou a minha vida. Foi assim que o apresentador do evento definiu a oportunidade de estar próximo e absorver um pouco do conhecimento do prestigiado baterista. E parecia ser também este o sentimento de muitos presentes naquele auditório da Fábrica de Negócios completamente lotado de bateristas, não apenas apreciadores do fusion (pelo qual Weckl é mais conhecido), mas também dos mais diferentes estilos, do Heavy Metal da KHARAVAN, de bandas cover do RUSH e até mesmo do forró. Cerca de 260 músicos (ou apenas apreciadores de boa música) de mais de vinte cidades registraram-se e compraram ingressos para o evento promovido pela MP Acessórios de Bateria (maior loja especializada em baterias do Norte e Nordeste), com produção da Nobre Music e patrocínio da Yamaha Drums, da Escola Bateras Beat e da Equipo Importadora. O evento também contou com a tradução de Henry Souza, que tem acompanhado Weckl em todos os workshops no Brasil.

Dave Weckl iniciou o workshop apresentando cada uma das partes da bateria que iria utilizar, um modelo da Yamaha, reforçando que é endorser de algumas marcas e tem linha signature de alguns deles (como por exemplo das baquetas vic firth). "Vou tocar um pouco pra vocês e levá-los por uma jornada de melodia, sons", avisou.

E começou a explorar, primeiro apenas com as mãos, cada uma das peças do kit, aos poucos mostrando o que era capaz de extrair de cada uma. O auditório, completamente lotado (o que é ainda mais impressionante por tratar-se de uma quarta-feira) acompanhava tudo com expressão compenetrada. A viagem, que tinha começado tão timidamente, apenas no centro do kit, agora tinha se expandido por todo ele, fazendo parecer que aquela enorme bateria cabia na palma da mão do músico. Dave tinha começado usando apenas as mãos, passara para a "vassourinha" e, agora, com baquetas, tomava posse de todo o equipamento ao seu redor, da mesma forma como tinha tomado posse de todos os queixos caídos ali no chão à sua frente.

É impossível definir o estilo da primeira música tocada na apresentação. Embora seja bem mais conhecido no meio jazz, algumas partes poderiam estar em qualquer tipo de rock ou metal, do progressivo ao death ou thrash. Uma dessas partes em especial, por alguns segundos chegou a lembrar "Bonzo's Montreux", do imortal John Bonham, do LED ZEPPELIN. Weckl ainda finalizou esse primeiro enorme solo tirando sons bem agudos dos pratos batendo em suas pontas com as mãos invertidas, uma posição bem incomum, e fazendo-os soar ainda mais agudos. Só então pôs uma trilha de áudio para acompanhá-lo em mais um número, "Get To It", que levou os presentes ao delírio. Ao fim dela, avisou ao público que poderiam encontrá-la em seu site, inclusive com partitura para que pudessem praticar.

"O instrumento tem a ver com o som, mas é o indivíduo que está tocando que o faz especial. Se você quer ser um baterista profissional, você deve pensar no que está criando", começou ele em suas explanações, antes de perguntar quem cantava imitando a bateria (como solfejam músicos de outros instrumentos) e pedir que todos lhe prometessem que fariam isso a partir de então. Esta seria uma forma de estudar as nuances do som que se quer criar. Também demonstrou a diferença no som que conseguia criar ao bater com partes diferentes da baqueta (pescoço e ponta) nos pratos e caixas, o que influenciaria no feeling transmitido pelo groove que a pessoa estaria tocando.

Dave também reforçou o quanto era importante posicionar as peças da bateria de acordo com os movimentos do corpo do baterista. Deu conselhos sobre postura, ângulos, diferenças entre as pegadas tradicional e igualada, declarou que toca a quarenta e sete anos e nos últimos quinze tem pensado muito em ergonomia e monta o kit da forma que lhe seja mais natural. Recomendou o livro de Gary Chester para todos os bateristas que querem ser sérios. Também deu conselhos sobre formas de segurar a baqueta, aproveitar o rebote ao invés de fazer 100% do trabalho e como aproveitar as diferenças entre as notas altas e blue notes xxxxxxxx, além de aumentar a potência e emular pedal duplo, soar mais forte. Mais tarde, durante a rodada de perguntas, ele explicaria como teve alguns problemas de saúde, dores, na época em que tocava com Chuck Corea e que, a partir de então, passou a modificar o posicionamento de algumas peças. Ele também comentaria mais tarde que dieta e exercício são alguns dos motivos que continua fazendo o que faz. Seu corpo se sente melhor depois que parou de comer carne. Não se tornou vegetariano, come peixe e vegetais, apenas tenta se manter mais saudável. A pergunta tinha arrancado risos do público, mas provou-se bastante oportuna.

O primeiro da plateia a fazer uma pergunta disse que era de Curitiba, disse que casou no mesmo dia do workshop em Florianópolis e que tinha vindo em lua-de-mel para Fortaleza principalmente com o intuito de poder participar do Workshop. "Oh, cara, eu sinto muito por sua esposa", brincou Dave, presenteando o casal com um par de baquetas. Sobre quando decidiu ser baterista, o músico respondeu: "Quando eu tinha seis ou sete anos, percebi que queria fazer algo com música. Primeiro, eu tentei tocar guitarra. Com sete anos, meu pai me deu uma guitarra e talvez eu tenha tido um mau professor, porque não me tornei um bom guitarrista. Então, eu comecei a batucar em caixas e latas (eu acho que minha mãe não gostava muito disso). Então, meu pai me deu uma bateria e eu comecei a tocar em uma banda de rock and roll com cerca de dez, onze anos. Meu pai também me apresentou ao jazz. Eu fiquei um pouco viciado, estudando e copiando as músicas realmente rápido e comecei a ter bons professores e a aprender técnicas. Quando eu cheguei aos treze, catorze anos, decidi que era isso que eu queria fazer pra sempre.

Dave ainda discorreu sobre a altura do banco: "a decisão da altura do banco não está no pedal. Há um intervalo confortável em que o banco pode ser ajustado de forma que os pedais ainda estejam ao alcance. A decisão está na caixa e no ângulo da perna. É preciso sentar alto o suficiente para que a perna não atrapalhe a baqueta. Se você quiser aproveitar mesmo o rebote, a bateria deve ser montada mais alto do que você imagina. Senão você terá que se abaixar para fazer alguns movimentos, tendo que fazer um esforço maior para atingir o mesmo resultado".

Sobre como criar uma tensão, ele afirmou: "Só se for intencional. Você tem que entender uma coisa sobre potência: é uma rua de duas mãos. Não é só o golpe, é também a resposta que você deixa acontecer. Quando a gente pensa em força, a gente pensa em bater, mas é como a diferença entre boxe e artes marciais (Nota do redator: Steven Seagal vem à mente nesse momento). Se você observar os lutadores de artes marciais, alguns parecem nem estar fazendo força. Na bateria é a mesma coisa. Não confunda segurar firme com potência. Deixe ir. Quando eu quero força, eu fico relaxado".

Questionado sobre o que gosta de ouvir em casa, Dave Weckl respondeu: "Não tenho um artista ou banda preferida. Gosto de tudo. Tenho uma filha de 18 anos e aprendi a gostar de algumas coisas que ela gosta. Eu não escuto música, honestamente, do mesmo jeito que você ou até mesmo eu próprio gostava de fazer. Então, na maior parte do tempo, eu não quero escutar nada, pois na minha carreira, tive que escutar quase todo tipo de música".

Em seguida, o músico passou alguns exercícios, como por exemplo, a prática de semínimas no chimbal (que para saber você terá que ir em algum workshop, em uma próxima turnê que passe por sua cidade).

Weckl continuou respondendo perguntas. Sobre como afina a bateria, ele respondeu: "Basicamente, toda decisão sobre a afinação depende da música que vai ser tocada. Eu mudo o setup do kit dependendo do tipo de música que vou tocar". E sobre ritmos latinos, em especial ritmos brasileiros e músicos de nosso país que lhe tenham sido referência, Weckl confessou: "Infelizmente não conheço muitos bateristas brasileiros, eu devo confessar que realmente não conheço como gostaria. Não estou bem certo de quando comecei a ouvir música latina, mas provavelmente foi na época que entrei na banda do CHUCK COREA. Ainda sobre como musicalizar exercícios quando está treinando, Dave deu a dica: "Sempre tente fazer seu instrumento soar bem. Pense no som que você está querendo fazer, pense na melodia, visualize a nota e use a bateria para extraí-la. Por isso que cantar as notas é tão importante. Tente cantar as notas antes de descobrir como fazê-las na bateria. E para fazer todas essas coisas, use os fundamentos teóricos".

O baterista finalizou com mais um número. Embora a trilha de áudio que o acompanhava fosse um jazz, não era difícil imaginar todas aquelas notas tocadas tão velozmente e com tanto vigor (ou melhor, como sabíamos agora, sem nem empregar tanta força assim, mas aproveitando tanto as capacidades do instrumento) disputando espaço com guitarras e baixo furiosos. Em pé, todos aplaudiam gritando mais um.

Agradecimentos:
Marx Paulo, pela atenção e credenciamento.
Neto Oliveira, pelas imagens que ilustram esta matéria.

Confira mais fotos do workshop em Fortaleza na página abaixo:

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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