Paul McCartney: Amigos capixabas, esse show pocou!

Resenha - Paul McCartney (Estádio Kleber Andrade, Cariacica, 10/11/2014)

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Por Léo Pinto
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Finalmente o Espírito Santo recebeu pela primeira vez, um grande show de porte internacional num estádio de futebol. Sir PAUL MCCARTNEY, 72 anos de pura disposição e simpatia, desembarcou na capital Vitória para o show histórico de estreia no Brasil, da turnê “Out There”. O palco do evento inédito em terras capixabas, aconteceu no recém-reformado Estádio Estadual Kleber José de Andrade, localizado na cidade vizinha de Cariacica, inaugurado em 1983, fechado em 2007 e remodelado entre 2010 e 2014, mas ainda com alguns detalhes a serem concluídos, para poder ser re-inaugurado oficialmente até o final de dezembro deste ano, conforme previsões do Governo do Estado.

Durante a Copa do Mundo de Futebol em meados deste ano, o “Klebão”, como é carinhosamente apelidado, recebeu a Seleção de Camarões para fazer os treinamentos enquanto estavam concentrados em Vitória. Devido à aprovação da FIFA, da CBF e dos elogios dos camaroneses, alimentou-se a ideia de se fazer um grande evento para colocar a Grande Vitória na rota dos shows internacionais. Para isso, o Kleber Andrade teria que passar no teste do show do ex-BEATLES, PAUL MCCARTNEY. E foi o que aconteceu!

Os organizadores que trouxeram PAUL MCCARTNEY ao Espírito Santo, foram os mesmos que o trouxeram todas as outras vezes ao Brasil, mostrando que possuem bastante experiência no assunto. Eles contaram também com o apoio e a promoção do empresário e músico Edu Henning, integrante da banda capixaba CLUBE BIG BEATLES, grande articulador que proporcionou a vinda de um ex-BEATLES à Vitória/Cariacica. A prévia da viabilidade de um ícone mundial da música por aqui, foi feita com o show inédito do ex-SUPERTRAMP, ROGER HODGSON, em outubro em Vitória. Vejam como foi esse show na resenha que fiz:
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Voltando ao PAUL MCCARTNEY, que desembarcou num domingo no Aeroporto de Vitória para realizar seu show na noite de uma segunda-feira na vizinha Cariacica, destaco a pontualidade do início do show, que estava marcado para às 21h e começou às 21h03. Quando a lenda apareceu no palco, estava tornando realidade os sonhos de aproximadamente 33 mil pessoas presentes ao espetáculo. A viagem musical começou com “Eight Days a Week” e “Save Us” antes dele saudar os fãs, em português, com um “Boa noite, capixabas!” e “É 'mara' estar de volta ao Brasil”. “Save Us” era a primeira música do mais recente álbum “New”, lançado em outubro de 2013, a ser tocada no Brasil. Então ele avisou que a festa ia começar, tocando “All My Loving” e “Listen to What the Man Said”. Ele alertou que ia tentar falar em português e conseguiu se fazer entender, agradecendo com um “obrigado” e para logo emendar com “Let Me Roll It” e “Paperback Writer”, fazendo o público cantar junto.

Em seguida, foi ao piano e dedicou a próxima canção à sua “amada esposa Nancy” ao cantar “My Valentine”. No telão ao fundo, cenas do clipe da música que tem a participação do ator Johnny Depp e da atriz Natalie Portman. Ao final, ele fez um coraçãozinho com as mãos para a plateia. Ainda no piano, seguiu com “Nineteen Hundred and Eight-Five” e “The Long and Winding Road”. Para sua falecida ex-esposa, Linda McCartney, ele dedicou “Maybe I'm Amazed”.

A apresentação seguiu sem perder o pique com “I've Just Seen a Face”, “We Can Work It Out” e “Another Day”. Já no violão, ele tocou “And I Love Her”, “Blackbird” e a que ele dedicou a seu “querido amigo John Lennon”, chamada “Here Today”, uma balada muito bonita.

De seu novo álbum, ele tocou a faixa título “New” e “Queenie Eye”, quando caíram balões coloridos em cima da plateia, num espetáculo visual muito bonito. Em outro piano e com imagens da Princesa Diana no telão, ele seguiu com “Lady Madonna”. Com o violão em punho novamente, tocou uma música “para a mulecada”, como ele disse. “All Together Now” possui uma letra e um ritmo voltado para as crianças. Já “Lovely Rita” e “Everybody Out There” fizeram ecoar os respectivos refrões pelo estádio, com a galera acompanhando. “Que rock!”, disse PAUL MCCARTNEY ao final dessa última música, deixando explícito o quanto ele estava se divertindo e bastante à vontade com o show.

“Eleanor Rigby”, dos BEATLES, ficou muito bonita somente no violão e no teclado. O mesmo para “Being for the Benefit of Mr. Kite!” e “Something” numa espécie de cavaquinho no início, que ele dedicou ao seu “amigo George Harrison”. O restante dos instrumentos só entraram na segunda parte da música.

Em “Ob-La-Di, Ob-La-Da” ele convocou a plateia a cantar o refrão animado junto com ele. Em certo momento, a plateia cantou sozinha, deixando ele muito satisfeito.

Já no seu tradicional baixo, cantou “Band on the Run” e em seguida, a que pra mim é uma das melhores músicas dos BEATLES. A vibrante “Back in the U.S.S.R.” que deu início às mais esperadas da noite. No piano, ele seguiu com “Let It be” e “Live and Let Die” que foi a música mais gostosa de se ver. Sim! O show pirotécnico com os fogos de artifício explodindo atrás do palco, foi um espetáculo à parte. Sensacional!

“Hey Jude” foi escolhida para encerrar o set normal e era a mais aguardada pelos que preferem as canções mais românticas. Voz e piano deram a tônica para este grande clássico dos BEATLES, que teve a participação da plateia que empunhava várias plaquinhas escritas “Na, na, na”, em referência a uma passagem da música.

Ao voltar para o primeiro bis, não teve jeito. Era hora da parte mais rock'n'roll do show com 3 músicas dos BEATLES em sequência: “Day Tripper”, Get Back” e “I Saw Her Standing There”. Esta última também está entre as minhas preferidas.

Na volta para o segundo bis, PAUL MCCARTNEY surpreendeu a todos ao pronunciar uma frase em português com uma gíria local, muito conhecida entre os capixabas. “Aqui tá pocando!”, disse ele. Seria o equivalente a “Aqui está arrebentando ou demais”. Nós, capixabas, nos sentimos muito orgulhosos com esta homenagem!

Para a parte final do grandioso show, ele reservou mais BEATLES para deixar aquele gostinho de dever cumprido e alma lavada. A ótima balada “Yesterday”, que não podia faltar, “Helter Skelter”, outra que eu amo e que ficou famosa na versão dos irlandeses do U2, “Golden Slumbers”, “Carry That Weight”, menos conhecidas pelos que não são tão fãs, e a derradeira “The End” que, como o nome já diz, encerrou a noite perfeita.

Foram 39 músicas executadas em 3 horas de show. Mas o melhor ainda estava por vir! Um fio de esperança e suspense que veio numa simples frase final: “Te vejo da próxima vez!” Seria uma promessa de tocar novamente em terras capixabas no ano que vem? Tal qual prometeu ROGER HODGSON um mês antes em Vitória? Esperamos ansiosamente que sim! Para ambos! O público capixaba, até então carente de grandes shows internacionais, merece!

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Sobre Léo Pinto

Capixaba de Vitória, historiador, guia de turismo, fanático por metal, hardcore, punk, rock e todas as suas vertentes, desde 1981 (sim, tenho cabelos e cavanhaque grisalhos, e daí? hehe). Sempre às ordens para resenhar sobre shows, acompanhar bandas em visita à minha cidade e prestar assessoria à imprensa.

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