Raimundos: Passado e presente se encontram na turnê de novo álbum

Resenha - Raimundos (São Miguel do Oeste, SC, 09/05/2014)

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Por Pedro Tumelero
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Ah, o oeste catarinense... cheio de bandas e casas de shows, mas com tão poucos produtores. Em virtude da escassez de shows grandes, não é incomum para nós, “colonos”, que nos desloquemos para prestigiar alguns de nossos ídolos. Foi assim que o Raimundos conseguiu me fazer rodar 170 km para vê-los nessa sexta-feira, dia 9 de maio, em São Miguel do Oeste, não reclamar disso e dizer que faria de novo.

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Fotos: João Gerhardt/Portal SMO
Fotos: João Gerhardt/Portal SMO

Quando eu cheguei no recinto, a eletrônica já tava brava. O DJ, completamente despreparado, disparava hits do pop contemporâneo americano tão parecidos e sem sal que fariam o mais mente-aberta dos presentes ficar estressado. Quando chegou a hora do show – 01h30, assim como anunciado no evento da banda – o anunciante oficial da casa aproveitou para divulgar alguns shows sertanejos e eletrônicos. Obviamente a recepção de tais informações não foi muito calorosa, e obviamente, despreparados para lidar com esse tipo de público, o anunciante e o DJ saíram sob vaias. Ah, o oeste catarinense...

Os malucos do cerrado, aparentemente sem medo de arriscar, foram direto ao ponto: sem nenhuma enrolação, abriram com as novas “Gato da Rosinha” e “Baculejo”, a roda punk se instaurou imediatamente, e toda aquela gente insatisfeita há 3 minutos já tinha um sorriso no rosto. É na felicidade de quem não conhecia as músicas e estava pulando e batendo cabeça que pode-se notar que Rodolfo Abrantes, o ex-vocalista da banda, não faz falta nenhuma. Digão, Canisso, Marquim e Caio passam uma energia muito boa do palco, com sorrisos que mostram que estar tocando ali é um prazer, e isso faz qualquer um, seja fã assíduo, seja fã de “Mulher de Fases”, se sentir em casa. Falando em “Mulher de Fases”, não foi surpresa quando até os playboys que estavam no recinto por causa do DJ cantaram a terceira música do set. Não há fã de Raimundos que não torça o nariz quando falam dessa música, mas ao vivo, é impossível não bater cabeça com esse clássico.

Costumava pensar que o Digão perdia apenas na presença de palco para o Rodolfo, tendo como referência os shows do Roda Viva e um show de 2013. O que vimos sexta foi um frontman completo, tanto na qualidade vocal (e a guitarra indiscutível), quanto na presença de palco, no contato com o público. Na verdade, a banda toda deu um show de entretenimento, com um show que, ao menos, parece pensado do início ao fim, incluindo algumas dancinhas hilárias. E foi sambando que dispararam o sample de “Só no Forévis” que precede “Mato Véio”, para o delírio dos seguidores mais ávidos da banda. Logo em seguida, o primeiro combo de hits: “O Pão da Minha Prima”, “20 e Poucos Anos” (famosíssima adaptação de uma música do Fábio Jr), e “A Mais Pedida”, com uma recepção fantástica do público.

O público também recebeu de forma muito positiva a nova “Gordelícia”, muito bem encaixada na sequência de músicas mais leves e conhecidas. A seguir, uma sequência de socos na cara: “Esporrei na Manivela”, “Descendo na Banguela”, “Eu Quero Ver o Oco” e “Palhas do Coqueiro”. É importante notar que a maioria das músicas tem alguma mudança: “Esporrei”, por exemplo, virou uma música muito mais pesada do que a original, assim como “Eu Quero Ver o Oco”, enquanto “Palhas do Coqueiro” ganhou uma engraçada introdução meio bossa nova. Estes pequenos detalhes que o Raimundos vem construindo desde a época do Roda Viva fazem o show ficar muito mais dinâmico e completo.

Felizmente ou infelizmente (ao menos pra quem sempre espera alguma música lado B), os álbuns lançados com o Rodolfo são cheios de canções muito conhecidas, que são garantia de coros, mãos pra cima e rodas punk, como na sequência de hits “Aquela”, “I Saw You Saying”, “Nega Jurema” e “Me Lambe”. O problema é o contraste que isso gerou na hora de tocar “Nó Suíno”, música do novo e excelente cd Cantigas de Roda, um hardcore pesadíssimo propício pro mosh, onde a maioria das pessoas apenas parou e assistiu.

Logo após uma troca de guitarras, a última (que todos sabemos que não é a última) sequência do show: a novíssima “BOP” – e o senhor Billy Graziadei, produtor do Cantigas que me perdoe, mas essa música ao vivo fez a versão do álbum parecer insignificante. Não é por menos que foi bem recebida e cantada pela maioria das pessoas que estavam ali na frente do palco. A seguir, a clássica “Deixa eu Falar” e, por fim, “Aerials”, do System of a Down.

Agradecimentos, uma breve subida ao camarim e voltamos ás batidas eletrônicas, porém, dessa vez, operadas pelo técnico de som da banda e não pelo DJ xexelento. Eis que o mestre Canisso volta ao palco para fazer todos os bangers e punks do recinto colocarem as mãos pra cima e balançarem como se estivessem em um show do Dr. Dre: “Boca de Lata”, que teve acompanhamento de Digão no segundo verso. Um baita presente para quem é fã das antigas. Enquanto todos preparavam seu equipamento, Digão fez um cover acústico de “Poison Heart”, dos Ramones (porque um show dos Raimundos sem pelo menos um cover dos Ramones não tem metade do sentido), seguida por uma jam com o refrão de “Dubmundos” e por “Reggae do Manêro”.

O sampler usado para disparar os metais de “Gordelícia” e alguns efeitos da bateria, por exemplo, estava apresentando problemas – e a banda tratou isso com uma naturalidade e brincadeira que minimizou o problema a quase zero – e isso impossibilitou que a banda tocasse “Dubmundos”, pela primeira vez ao vivo, inteira. Se eles queriam deixar alguém intrigado com isso, conseguiram. Com todos os metais e a participação do rapper Sen Dog, imagino que não fui o único que saiu de lá pensando “como isso soaria ao vivo, cara?”.

Claro que um show do Raimundos não é um show do Raimundos se não tem “Puteiro em João Pessoa”, e não é por menos que essa foi a saideira. Mosh feito, música terminada, público devidamente agradecido e banda subindo pro camarim. Acabava um dos melhores shows que a região já presenciou... mesmo que sem “Tora Tora”. O público começou a pedir esse clássico que sumiu sem explicações da setlist, mas o DJ fez seu trabalho com excelência: apertou play na sua mesa e ficou olhando para nós, desolados. E me pareceu bem putinho quando puxei o coro de “Hey, DJ, vai tomar no cu!”. Ah, o oeste catarinense... Mas não tem problema. Todo mundo saiu de lá feliz, se perguntando “quando esses doidos voltam?”, com um pouquinho mais de certeza que o Raimundos continua vivo e muito bem, obrigado, e com a certeza de que na na ná é o diabo.

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Post de 16 de maio de 2014


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