Iced Earth: trazendo o frio para São Paulo com um excelente show

Resenha - Iced Earth (Carioca Club, São Paulo, 23/03/2014)

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Por Diego Camara
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.
















Não é difícil dizer o quanto o ICED EARTH está marcado já na história do heavy metal. Um som inovador, guitarras imperdíveis e excelentes vocais sempre circundaram a carreira da banda desde 1985 quando Jon Schaffer resolveu, na quentíssima Tampa, na Flórida, a dar vida ao seu sonho gelado. O tempo passou, a banda cresceu, e Schaffer continua lá alimentando seus fãs com ótima música. Foi nesta toada que ele aportou novamente no Brasil, trazendo desta vez o extremamente bem sucedido “Plagues of Babylon”, forte concorrente a um dos melhores discos do ano, para em torno de 1200 fãs que foram ao Carioca Club, São Paulo, para conferir a única apresentação deles no país. Confiram abaixo os principais detalhes do show, trazido ao Brasil pela 8x8, registrado em texto por este que vos fala e com as marcantes imagens de Kennedy Silva.

O público chegou cedo ao Carioca Club para o show. Já em torno das 18 horas muita gente aguardava do lado de fora para poder entrar na casa e tomar um lugar, preferencialmente próximo do palco para ver de pertinho Jon Schaffer e companhia. O problema foi a pequena confusão nos horários, a casa acabou por abrir bastante cedo enquanto o show tinha previsão de início as 20h30m, deixando uma grande espera para o público.

O show foi começar as 20h40m, quando a introdução de “Plagues of Babylon” abriu os trabalhos. O público já foi à loucura com as pancadas nas caixas de som, e a insanidade só se tornou maior quando Jon Dette subiu na bateria e saudou o público. Poucos segundos depois, a banda já estava toda lá pra dar cabo da música título do novo álbum. Abertura insana, o público cantou junto e com vontade, e Stu Block já mostrou que está já muito mais acostumado ao posto de vocalista do que em 2012: controlando o público nas unhas, o vocalista levantou os fãs

Com a sequência, “Democide” e “If I Could See You” também foram muito bem recebidas. Os fãs brasileiros mostraram ao vivo a ótima recepção ao novo álbum, já aclamada na mídia e nas redes sociais. O novo álbum é uma ótima mistura dos clássicos do Iced Earth, com as guitarras extremamente afiadas e a melodia muito bem colocada nos momentos certos, fazendo assim valer o legado de Schaffer.

Porém, se a abertura do show parecia já ser um grande sucesso, a coisa ficou realmente séria quando a banda resolveu trazer a tona seus clássicos. O primeiro foi “The Hunter”, do aclamado “The Dark Saga”, que causou loucura nos fãs. Mas não tanto quanto “Burning Times”, do “Something Wicked”, que sem duvidas foi uma das músicas mais empolgantes tocadas na noite. Cada verso foi entoado com vontade por um público extremamente emocionado, deixando Stu Block realmente bastante contente. Sem dúvidas o vocalista foi o que sentiu mais o feeling da plateia, se deixando levar pelo ânimo dos fãs.

O range vocal dele conseguiu se encaixar muito bem nas músicas do velho Iced de Matt Barlow. E também mostrou muito fôlego ao encarar “Red Baron/Blue Max”, música do “Glorious Burden” e marcada pela voz de Tim “Ripper” Owens. Apesar disso, coube a Schaffer tomar as rédeas da banda, com um solo de guitarra de cair o queixo. O público ficou atônito e o silêncio tomou conta do Carioca Club, onde só a guitarra do mestre emitia suas notas.

A sequência de clássicos ainda teve “Blessed Are You” e “Vengeance is Mine”. Em dois polos opostos do som da banda, encheram o público de emoção. A segunda, inclusive, teve um ritmo forte na base, controlada com maestria por Jon Dette, e as pancadas fizeram o público se agarrar e bater cabeça.

O show ainda tinha espaço para outros dois sucessos: “My Own Savior” e “A Question of Heaven”, que viram a primeira e tímida roda se abrir na frente da pista. Stu Block fez mais uma vez valer o conjunto de sua técnica e mostrou como está caindo como uma luva nas músicas antigas da banda. Porém, a figura de Schaffer surge como sempre imponente, dominando o público e comandando o desempenho da banda. Bastante distante dos outros integrantes – especialmente no espaço físico do palco – o guitarrista realmente concentra a essência do Iced Earth em suas cordas.

A banda deixou o palco, e o público parecia por um momento meio desconcertado. O silêncio tomou o local antes que o público voltasse a gritar pela banda. Quando voltou, a banda tocou “Dystopia”, dando sinais de que “The Coming Curse”, música que comumente abre o bis durante esta turnê, também havia sido cortada do setlist – “The End?”, no final do set principal, foi a primeira a sofrer da faca.

Porém, o bis guardou uma ótima surpresa: “Watching Over Me”. A melhor apresentação da noite, a plateia ganhou um fôlego especial pra gritar uma vez mais, e ainda cantar com emoção a capella, de frente para um Iced Earth que parecia atônito, se entreolhando também tiveram seu momento “sem saber o que fazer”, antes de retomar o controle do show e finalizar a música.

O show foi finalizado com “Iced Earth”, única música do primeiro álbum da banda que foi vista aquela noite. Stu Block, muito contente, diz que não pode esperar para ver os fãs brasileiros novamente. Não haveria música melhor escolhida pra fechar o show. A animação do público os levou pra década de 90, e uma roda abriu-se no palco como que um sinal de despedida para o Iced Earth, enquanto Stu Block mostrava todo seu domínio de palco e Schaffer fazia sua melhor performance da noite.

É difícil ter palavras do que foi a qualidade do show do Iced Earth. Parece que o tempo e as mudanças contínuas no line-up da banda não fez com que perdessem nada de qualidade – ao contrário, esta é uma das melhores formações em um bom tempo. O que acaba deixando a desejar talvez seja o setlist, que acabou deixando os três primeiros álbuns circunscritos a apenas a boa e velha “Iced Earth”, uma super utilização do álbum “Something Wicked” e o total sumiço do “Horror Show”. Sabemos que é difícil agradar o público, mas parece que faltou um pouco de esforço em contemplar os diversos momentos da carreira da banda.

Iced Earth é:
Jon Schaffer – Guitarra
Stu Block – Vocal
Troy Seele – Guitarra
Luke Appleton – Baixo
Jon Dette – Bateria

Setlist:
1. Plagues of Babylon
2. Democide
3. V
4. If I Could See You
5. The Hunter
6. Burning Times
7. Red Baron/Blue Max
8. Blessed Are You
9. Vengeance Is Mine
10. Cthulhu
11. My Own Savior
12. A Question of Heaven
Bis:
13. Dystopia
14. Watching Over Me
15. Iced Earth

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Sobre Diego Camara

Nascido em São Paulo em 1987, Diego Camara é jornalista, radialista e blogueiro. Seu amor pelo metal e rock começou há 6 anos. Um amante da nova geração, é um grande fã de Arjen Lucassen, Andre Matos e bandas como Nightwish, Hammerfall, Sonata Arctica, Edguy e Kamelot. Também não deixa de ter amor pelos clássicos, como Helloween, Gamma Ray e Iron Maiden e do Rock de bandas como Oasis, Queen e Kings of Leon. Atualmente seus textos podem ser lidos no blog OCrepusculo.com sobre assuntos diversos, além de planos para criação de um projeto totalmente voltado aos blogs de Rock e Metal.

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