Steve Vai: A arte da guitarra desembarcou em São Paulo
Resenha - Steve Vai (Citibank Hall, São Paulo, 08/12/2013)
Por Diego Camara
Postado em 10 de dezembro de 2013
Se nós ainda podemos chamar algum trabalho musical de arte, no meio de tanta coisa comercial que anda abundando nos nossos ouvidos todos os dias, esse é o trabalho de Steve Vai. O mago das guitarras, um virtuose por natureza, veio mais uma vez ao Brasil com sua turnê e, novamente, deu uma aula de guitarra para todos os presentes. Não que as pessoas tenham todas captado cada uma das lições intrincadas que o mestre lhes deu, mas pelo menos a inveja ali correu solta para todos os guitarristas presentes a cada uma das músicas tocada por aquela excelente banda, em quase 3 horas de grande diversão.
Já em torno das 19 horas uma grande fila – e grande mesmo! – saia do ex-Credicard Hall. Ela ia dos portões, com as demarcações de sempre na entrada, até a saída do estacionamento. Se a fila assustava um pouco, porém a entrada na casa de shows foi extremamente tranquila. O público polido não arrumou problemas e com bastante calma os fãs foram entrando. Isso causou um pequeno atraso no show, marcado para as 20 horas, e que foi apenas ocorrer 20 minutos depois.
A banda abriu o show já do mesmo modo que marcaria todo o resto do espetáculo: com toda a insanidade! A intro abriu o show e juntamente com o olho do background – extremamente bem desenhado – abriram caminho para o espetáculo. Vai entrou no palco, acompanhado de sua banda, e nas primeiras notas de "Racing the World" o público já estava a mil por hora!
O som estava ótimo, as guitarras limpas e com uma sonoridade incrível. E assim foi também com "Velorum", que realçou ainda mais a qualidade de Vai, em um ritmo mais cadenciado que sua antecessora. O guitarrista, cheio de poses estrategicamente feitas para os fotógrafos no pit e para seus fãs, alegrava o público com seu carisma, que olhava atento, atônito, a cada movimento do mestre.
"Tanta gente bonita aqui!", diz Vai, sorrindo enquanto observa o público, com atenção. "Espero que vocês estejam preparados, pois vamos tocar aqui por 6 horas!", disse sorrindo. "Ok... ok... só por 5 horas e meia!"
Se não ia tocar por tanto tempo, às vezes com seus solos intermináveis parecia que parava o tempo. E foi assim com a ótima "Tender Surrender", principal música da primeira parte do show. E nem os problemas técnicos estragaram o espetáculo, pois após esta música Vai parou o show por uns 5 minutos para que os técnicos consertassem o equipamento. E "Gravity Storm" foi tocada, sem nenhum problema, o trabalho dos técnicos foi realmente satisfatório.
Um momento de pausa para o café de Steve Vai aconteceu com o solo acústico do guitarrista Dave Weiner, que também mostrou que entende bem do riscado com a ótima "The Trillium's Launch", o bastante para receber grandes elogios do mestre Vai e uma pequena propaganda do disco de Weiner, que estava à venda no merchandising da banda.
Mas o show era de Vai e, após ter trocado de roupa, tomou o centro do palco e comandou o emocionante solo de "Weeping China Doll", que deixou o público em total silêncio. Em contraponto, "Answers" teve um Vai extremamente animado que corria de um lado para o outro, para alegria dos fãs.
Para fechar muito bem esta primeira parte do show, Vai trouxe "Whispering a Prayer" para o público. Grande momento do show, o público arriscou algumas palmas no ritmo da música, mas o público em geral esperava por algo especial. E recebeu um conjunto impressionante de solos de guitarra que trouxeram ao Citibank Hall aquele clima de superação a cada uma das notas que saia da guitarra de Vai. Além disso, ainda teve o momento para brincar com a plateia, fazendo com que gritassem ao som de sua guitarra.
Após "The Audience is Listening", foi o momento do baixista Philip Bynoe mostrar um pouco de sua arte com um ótimo solo de baixo, que deu o tempo para que a equipe técnica montasse o palco para a apresentação acústica de Steve Vai. O baterista Jeremy Colson também deu algumas pancadas, que animaram o público.
Com apenas sua voz e violão, Vai então tocou "The Moon and I" e "Rescue Me or Bury Me". Se o set acústico não é tão bom quanto o set elétrico – e Vai não é nenhum grande vocalista quanto é mestre nas guitarras, o mestre ainda mandou super bem e agradou os fãs com o pequeno mimo.
O set ainda tinha algumas surpresas, e o grande destaque ficou para Jeremy Colson, que veio com um monte de bugigangas para dar o apoio a Steve Vai e seu violão. Cheio de bom humor e gritando o nome do SEPULTURA, o cara mostrou muita qualidade tocando com, conforme ele disse, coisas que ele reuniu durante o dia. Da panela ao cone de trânsito e a plaquinha de piso molhado, Colson divertiu o público com tocando "Pusa Road".
Mas Colson ainda tinha truques na manga, e estava faltando o seu solo para fechar a sequência. O talentoso baterista então fez um breve solo em suas bugigangas, passando em seguida para a bateria. Levantou o público e mostrou porque é membro da banda de Steve Vai.
Após o solo, as luzes se apagaram e um ser que parecia vir de outro mundo entrou no palco. Brilhante, cheio de luzes por todo o seu corpo, era na verdade Steve Vai para fazer mais uma apresentação insana. Tocando sem nenhuma luz no palco, o guitarrista se moveu de um lado para o outro enquanto sua fantasia de "homem LED" piscava incessantemente. Mais uma aula de guitarra, um visual muito louco e um monte de luzes misturadas ao talento de Vai – difícil imaginar como esse cara consegue inventar tanta coisa em meio ao seu show.
Porém, ainda faltava o momento dos fãs na noite, e com muito humor Steve Vai convidou um casal para fazer uma música. Ditando os ritmos de cada um dos instrumentos. Se ninguém sentou no amplificador, ainda foi tempo para Vai tocar uma música especialmente para eles, uma dupla sortuda que teve a oportunidade única de tocar com Steve Vai.
Se o show até agora não era o bastante, Steve Vai ainda teve que quebrar a banda antes de deixar o palco tocando a icônica "For The Love of God". A pancada na introdução levantou o público, que pulou de alegria a cada riff tocado por Vai, isso é, para os que curtiram a música e não ficaram filmando ela – já que bateu o recorde de câmeras levantadas. Quem aproveitou a música teve um momento único ou, como diz o fotógrafo que bateu as fotos desta resenha, "um momento para se jogar suas guitarras fora de vergonha". Uma música que sem dúvidas, para os fãs da ciência, dilatou o tempo, pois Vai parecia ter todos os meios para inventar outra e outra nota para a alegria dos fãs presentes.
Após isso, o melhor era ir embora e sair mais que satisfeito do show. Mas para os que ficaram, ainda puderam ouvir "Taurus Bulba" que, apesar de grandiosa, não podia nem perto deixar de passar o momento impressionante de sua antecessora.
E o show do mestre foi assim, e ainda todos que curtiram mesmo a fundo o som daquela guitarra vão precisar de muito tempo pra se recuperar e voltar a poder ouvir qualquer outra coisa. Steve Vai arrasou em um show minucioso e cheio de perfeição.
Steve Vai é:
Steve Vai – Guitarra, Violão e Vocal
Philip Bynoe – Baixo
Dave Weiner – Guitarra e Violão
Jeremy Colson – Bateria
Setlist:
1. Racing The World
2. Velorum
3. Building The Church
4. Tender Surrender
5. Gravity Storm
6. The Trillium's Launch (música de Dave Weiner)
7. Weeping China Doll
8. Answers
9. The Animal
10. Whispering a Prayer
11. The Audience Is Listening
12. The Moon and I / Rescue Me or Bury Me (acústica)
13. Sisters / Salamanders in the Sun (acústica)
14. Treasure Island / Fire Garden Suite II – Pusa Road (acústica)
15. Drum Solo (Jeremy Colson)
16. The Ultra Zone
17. Frank
18. Build Me a Song
19. For the Love Of God
Bis:
20. Fire Garden Suite IV – Taurus Bulba
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Videos:
Fotos: Fernando Yokota. Galeria completa neste link.














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