Arkona: retorno animal ao Brasil da força do folk metal russo

Resenha - Arkona (Clash Club, São Paulo, 30/11/2013)

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Por Diego Camara
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Realmente o Folk Metal no Brasil anda no melhor dos níveis. A enxurrada de bandas que estão vindo visitar constantemente o país e o público jovem que está sempre em todos os shows mostra que estamos sem dúvidas numa espécie de “onda folk”, onde o gênero conquistou ótimo espaço entre os novos fãs do metal, o bastante para atrair os olhos das bandas internacionais. E por essas que uma banda como o ARKONA voltou novamente em tão pouco tempo ao Brasil, e foi recepcionada por um lotado Clash Club. Confiram abaixo os principais detalhes do show que arrasou a última noite do mês de novembro.

Fotos: Kennedy Silva

Quem veio cedo ao show pode conferir a abertura da banda SIGFADHIR, de São Paulo. Bastante novos na cena, surgidos em 2008, a banda tocou por pouco tempo, mas levantou os presentes, mostrando que não é privilégio apenas dos europeus terem bandas de qualidade no gênero folk pagão. Vale uma ouvida e conhecer a banda, especialmente pelo som extremamente técnico das guitarras de Victor Maldonado e Fenris Fenrir, que são seu ponto mais alto. Confiram no link www.facebook.com/Sigfadhir.

Para aquecer ainda o público antes do show do Arkona, marcado para as 21:00hrs, os fãs ainda puderam ver a apresentação do grupo de luta Ordo Draconis Belli. Para quem foi ao Thorhammerfest já pode conferir há pouco tempo o trabalho dos caras, mas quem não foi ganhou uma grata surpresa. As apresentações são divertidas e realizadas no meio da pista, causando proximidade. E não bastasse só espadas, também tivemos um momento romântico com um pedido de casamento. Sem dúvidas era muito para uma única noite no Clash Club.

Mas ainda faltava a atração principal, que veio 30 minutos antes do que havia sido avisado pela assessoria. O Arkona subiu ao palco as 20h55m, quando o instrumental de “Az’” começou a ser tocado na casa. Em pouco tempo a banda já tinha subido ao palco e “Arkaim” abriu o espetáculo com um som extremamente pesado e alto, já bastante comum da casa. O público alucinado se apertava na frente do palco estreito da casa, e não pode conter a emoção de ver Masha e companhia de volta.

A banda então tocaria uma bela sequência inicial com “Ot Serdtsa k Nebu”, “Goi, Rode, Goi!” e “Zakliatie”. A primeira ficou marcada pelo perfeito solo de flauta e as melodias que carregaram a música, além obviamente da performance marcante de Masha, que dominou o público e fez seu show a parte, quebrando inclusive o pedestal do microfone.

“Vocês estão prontos para ‘Goi, Rode, Goi’?”, pergunta a vocalista, recebendo um sonoro sim da plateia. E então tivemos uma das melhores músicas da noite, extremamente bem tocada e um arraso no apelo popular. O público se agarrou na frente do palco, bateu cabeça e se emocionou com o solo de gaita de fole.

“Zakliatie”, porém, viu o som ir um nível além. Deixando o abafamento que foi a voz de Masha nas primeiras músicas, nesta o som claro de sua voz pode ser ouvido durante toda a execução. Se podem reclamar de seu estilo, porém não podem reclamar de sua vontade e especialmente do encaixe que ela traz ao ritmo folk e as partes mais pesadas. Recebendo assim a resposta do público, que contente bateu palmas, a vocalista respondeu calmamente com um singelo “Obrigado”, e muitos sorrisos.

O show prosseguiu com uma grande qualidade musical, que empolgava o público. Das músicas mais lentas, como “Slav’sja, Rus’!”, a melodia da voz de Masha se encaixava com o ritmo folk, e nas músicas pesadas, como a ótima “Arkona”, o vocal gutural em plenos pulmões arrancava do público gritos e os famosos chifrinhos.

Outro ponto ótimo do show foi o solo de gaita de fole do Vladimir Reshetnikov. O público aplaudiu o solo e soube tirar agrados de um instrumento que, do som inusitado e incomum para os ouvidos brasileiros, é um símbolo da cultura de diversos povos da Europa.

O final do show não foi nada diferente, e alavancado por três das melhores músicas da carreira do Arkona, indispensáveis em qualquer show da banda. Em “Stenka na Stenku”, porém, o destaque não foi e nem chegou perto de ser a música, mas sim o controle de público de Masha e a extrema vontade dos fãs de bater cabeça. Apropriadamente, abriram a pista inteira, de ponta a ponta, para um emocionante paredão da morte, que teve do bate cabeça até dança.

Mas o melhor vinha no final, e em “Yarilo” o show chegou a níveis estratosféricos. É a música mais esperada e pedida da banda, e a queridinha do público brasileiro. Um prêmio que não poderia ser melhor, já que o show parecia ter sido feito até agora para que terminasse assim, com o público cantando firme o refrão de “Yarilo”.

“Obrigado, vocês foram extremamente especiais hoje!”, disse Masha, ao voltar para o bis, arrancando aplausos dos fãs e fechando a apresentação com “Kupala i Kostroma” do “Ot Serdtsa k Nebu”. A plateia ajudou a banda, puxando os vocais junto com Masha, em extrema sintonia e fechando o show com uma empolgação que atualmente só em shows de folk metal você consegue ver.

“Espero ver vocês novamente em breve!”, gritou a vocalista em sua despedida. E esperamos mesmo, Masha, que o Arkona volte mais e mais vezes para fazer seu “Russian Attack” em terras brasileiras.

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Sobre Diego Camara

Nascido em São Paulo em 1987, Diego Camara é jornalista, radialista e blogueiro. Seu amor pelo metal e rock começou há 6 anos. Um amante da nova geração, é um grande fã de Arjen Lucassen, Andre Matos e bandas como Nightwish, Hammerfall, Sonata Arctica, Edguy e Kamelot. Também não deixa de ter amor pelos clássicos, como Helloween, Gamma Ray e Iron Maiden e do Rock de bandas como Oasis, Queen e Kings of Leon. Atualmente seus textos podem ser lidos no blog OCrepusculo.com sobre assuntos diversos, além de planos para criação de um projeto totalmente voltado aos blogs de Rock e Metal.

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