Black Sabbath: Obrigado Deus Pelo Sabbath

Resenha - Black Sabbath e Megadeth (Estacionamento da FIERGS, Porto Alegre, 09/10/2013)

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Por Zé Henrique
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.











































Primeiramente, esta não será uma resenha imparcial. Quem escreve aqui é um fanático por BLACK SABBATH, que desde mil novecentos e oitenta e algo, curte a fundo qualquer das formações da “Bruxa de Birmigham”, obviamente dando preferência à original e à fase Dio. Apesar do titulo sugestivo, que faz referência a um LP bootleg da década de oitenta, creio que a frase cai bem aqui para descrever o espetáculo de ontem a noite na capital gaúcha.

Fotos - Liny Rocks®
facebook.com/photoslinyrocks

O que os roqueiros gaúchos vivenciaram ontem a noite nada mais foi do que uma missa regida pelos “papas” (nenhuma alusão ao GHOST aqui, apesar de até o Papa Emeritus ter que se curvar perante os verdadeiros criadores do Heavy Metal), Ozzy Osbourne (vocal), Tony Iommi (guitarra), Gezzer Butler (baixo), e o discípulo mais fervoroso do único sacerdote ausente do clero original, Tommy Clufetos (bateria), que é quase um clone de um Bill Ward da formação dos anos 70.

A dificuldade na chegada ao Estacionamento da Fiergs, devido à multidão e ao trânsito difícil, atestava o que se anunciava desde a abertura da venda de ingressos: casa cheia, todos os ingressos vendidos. Enquanto eu caminhava em direção ao local do espetáculo, me dava conta, pela quantidade de camisetas do MEGADETH, de que antes do SABBATH, teria também um ótimo show de uma grande banda do “Big Four”, fato que jamais seria menosprezado por mim, e nem teria como fazê-lo, mas seria muito mais valorizado, se a “banda principal” da noite não se chamasse BLACK SABBATH.

A abertura da noite ficou por conta da banda gaúcha HIBRIA. Eduardo Baldo (bateria), Abel Camargo (guitarra), Renato Osorio (guitarra), Benhur Lima (baixo) e Iuri Sanson (vocal), voltam direto de uma excelente apresentação no Rock in Rio, o quinteto gaúcho mais uma vez esbanjou classe na sua apresentação, com muita técnica, garra e peso, sempre empolgando os presentes. Numa apresentação de exatos 30 minutos, em um set de seis ótimas músicas, que teve início pontualmente às 19h30, o HIBRIA agradou muito ao público, com uma apresentação sem nenhuma ressalva, e excelente como tem sido sempre os seus shows. A banda já tem um currículo invejável de tours e abertura de shows internacionais. Destaque no set para “Silent Revenge” muito bem recebida pela platéia, e “Tiger Punch” que fechou com categoria o show.

Com um intervalo de mais ou menos 30 minutos, o MEGADETH sobe ao palco, às 20h30, e é recebido com entusiasmo pelo público de mais de 30 mil pessoas presentes. De cara, iniciam com dois clássicos: ”Hangar 18“ e ” Wake Up Dead” para o delírio dos presentes. Era visível que para uma boa parte do publico, a banda principal da noite (em preferência) era o MEGADETH, visto a quantidade de camisetas da banda. Sem espaço pra respirar, executam “In my Darkest Hour”, melhor música do disco de 1988, “So far So Good ... So What”. Com uma breve pausa para um “boa noite” de Dave Mustaine (vocal), a próxima é “She Wolf”.

Impressionante a técnica da banda, principalmente de Chris Broderick (guitarra), que faz parecer todos os solos e riffs intrincados da banda parecerem fáceis de serem executados. Com muito carisma Chris, que toca na maior parte do show sorrindo para a plateia. Dave Ellefson (baixo) , o fiel escudeiro de Dave Mustaine (vocal), seguro e com grande domínio de palco. Shawn Drover (bateira) também domina a “arte” de fazer o difícil parecer fácil na sua performance, grande baterista. E Dave Mustaine (vocal)? Bom, o que falar de um cara que criou alguns dos memoráveis riffs dos primeiros discos do Metallica e tem um legado impressionante no MEGADETH? Um dos melhores guitarristas e compositores do estilo, conseguindo ainda ser um ótimo frontman , prendendo a atenção do público, mesmo sem proferir muitas palavras para a platéia.

Seguiram-se “Sweating Bullets”, “Kingmaker”, única música executada do mediano novo álbum “Super Collider” (2013), “Tornado of Souls”, do mais que clássico Rust In Peace (1990). Mustaine ameaça o riff inicial de “Symphony of Destruction” e imagens do vídeo da música, (que foi exibido exaustivamente na MTV nos anos de 1992/93, lembram que essa emissora um dia apresentava vídeos de músicas, e inclusive de rock e metal na sua programação?) dão inicio a um dos maiores clássicos da discografia do MEGADETH e a platéia responde cantando a letra de ponta a ponta. A banda se retira do palco e Dave Ellefson (baixo) retorna sozinho, dando inicio a introdução de “Peace Sells”, outra que dispensa apresentações.

Dave Mustaine (vocal) então divide a platéia em dois lados e instiga uma saudável competição para ver qual seria o lado mais barulhento. Ao final, empate, e é dado inicio ao riff animalesco, para muitos, a melhor música do MEGADETH, ”Holy Wars”, música perfeita para um final de apresentação. Após 50 minutos de espetáculo, chega ao final a apresentação do Megadeth, que deixa um ótimo show, rápido, direto, cheio de clássicos e sem muito papo. Platéia amplamente satisfeita e creio que a banda também feliz por ter sido muito bem recebida pela segunda vez pelos headbangers gaúchos.

Ao final de um excelente show do MEGADETH, em uma noite normal, as pessoas poderiam se dar por satisfeitos e retornar para suas casas com um sorriso no rosto. Mas a noite do dia 09/10/2013, não era uma noite normal, e a celebração ainda estava apenas no seu início. Teríamos o motivo principal de tanta movimentação, empolgação e ansiedade, BLACK SABBATH iria entrar no palco em instantes.

Quando comecei a curtir rock e metal, nos anos 80, imaginar um show do BLACK SABBATH em Porto Alegre, ainda mais com abertura de uma banda como MEGADETH, não passava de um sonho, ou se você cogitasse falar algo assim, te chamariam de louco. Mas quase 30 anos depois, posso garantir que sonhos se tornam realidade.

Troca de palco rápida e logo é possível verificar os anjos diabólicos que são algumas das marcas registradas da banda, aparecem luminosos ao fundo do palco, junto com a bateria de Tommy Clufetos, com as figuras dos “pilotos” da capa do LP “Never Say Die” nos bumbos. Eis que, mais rápido do que o esperado, às 21h40, antes das luzes apagarem, se ouve, do fundo a voz de Ozzy entoando o tradicional “Ole-olê –olêê“ e prontamente é respondido pela platéia. As luzes finalmente se apagam e a sirene de bombardeio é acionada, e o SABBATH adentra o palco com nada mais nada menos que “War Pigs”. As figuras icônicas de Tony Iommi (guitarra) , Gezzer Butler (baixo) e Ozzy Osbourne (vocal) estão ali, na frente de 30 mil fãs alucinados. Após alguns segundos de perplexidade, é possível ter a noção exata de onde eu estava, na primeira fila do show dos pais do Heavy Metal. Gezzer Butler (baixo) na direita, Tony Iommi (guitarra) na esquerda, e Ozzy (vocal) ao centro, escoltados pelo monstruoso Clufetos (bateria) ao fundo, executando um dos maiores clássicos não apenas do metal, mas do rock em geral.

Primeira pausa e esbanjando carisma, Ozzy dá boa noite e anuncia a próxima música, a pesadíssima “Into the Void” do LP “Masters Of Reality” (1971). Riff soberano, como todos compostos por Tony Iommi (guitara). Já na segunda música, é possível notar a descontração entre Ozzy e Iommi, os dois sorrindo um para o outro e Ozzy fazendo caretas para Tony. Estavam com o “jogo ganho”, e não poderia ser diferente. Na sequência, “Under The Sun” e aqui cabe uma “nota do redator”, não sei quantas vezes ouvi o Volume 4 na minha vida, sendo um dos primeiros discos de rock que ouvi, e tendo em vista que isso aconteceu a mais de trinta anos, podemos contabilizar algumas centenas de vezes. A faixa sempre foi uma das minhas preferidas, pesadíssima, com um riff animal que fechava o LP, e sempre me deixava com vontade de ouvir tudo de novo. E não é que, naquele momento ela estava sendo executada por ¾ dos mestres que criaram essa obra? Foi bem difícil conter a emoção. Ozzy pergunta se estávamos nos divertindo, e a resposta era óbvia. Seguem-se “Snowblind” também do Volume 4, e a primeira do excelente novo disco “13”, “Age of Reason”. Essa música podia estar tranquilamente no “track list” de álbuns como “Sabotage” ou “Sabbath Bloody Sabbath”.

Ozzy nos convida para retornarmos quatro décadas atrás, mais precisamente ao ano de 1970, e o barulho de chuva e trovoadas chama uma das músicas mais emblemáticas do SABBATH, a própria “Black Sabbath”. Espantoso como, mais de quatro décadas depois, ela ainda impressiona, pela sua áurea, clima sombrio e assustadores. Pode se ter várias opiniões sobre Ozzy Osbourne (vocal), se a voz não é a mesma, e tal, mas uma coisa é inegável, ele é um dos maiores performers e frontmans do mundo da música de todos os tempos. Continuamos ainda pelo primeiro LP com “Behind the Wall of Sleep” e após Gezzer (baixo) demonstrar toda a sua habilidade e técnica, é introduzida por ele uma das favoritas da casa, ”N.I.B.”

Voltamos a 2013, e a segunda do “13”, “End OF Beginning” é executada. Ótima música, e o que fica claro é que as músicas do novo álbum se tornarão também clássicas, porque ficam perfeitas e homogêneas no meio do set dos clássicos dos anos 70. Era chegada a vez do talvez mais clássico álbum do SABBATH, “Paranoid” ser visitado, e a sequência vem com “Fairies Wear Boots”, “Rat Salad” e a “Iron man”. Na Instrumental “Rat Salad”, Tommy Clufetos (bateria) nos apresenta um solo excelente, e aqui cabe uma observação, muito se falou da ausência e da falta que Bill Ward faria, que SABBATH sem Bill não é SABBATH. O que penso a respeito ao olhar a performance de Tommy, é que Bill Ward deve estar, por um lado orgulhoso do seu substituto, e outro arrependido de não ter vindo. Tommy Clufetos (bateria), além de ser uma exímio baterista, com uma pegada infernal, ainda é, visualmente falando, uma reprodução do Bill Ward na década de 70.

Após “Iron Man”, a terceira e última canção nova, e single do “13”, “God Is Dead” mantém o nível e segue o show com “Dirty Women” melhor música do injustamente não valorizado LP “Technical Ecstasy” (1976). Estamos infelizmente chegando ao final, e Ozzy nos adverte que eles só tocariam mais uma canção, e brinca: “Não duas ou três, apenas mais uma música”. E nos despejam a maciça “Children of The Grave”, uma das músicas mais pesadas de toda a existência. Também uma das preferidas, ela contrasta sua letra pacifista com um peso absurdo, e isso a torna uma das músicas mais incríveis do SABBATH. A luz se apaga ao final, eles se retiram mas voltam rapidamente , com Ozzy dizendo: “ok, tocaremos mais uma, porque vocês são muito loucos”. Era obvio, pois ainda faltava o clássico maior, “Paranoid”. Posso estar errado, mas creio que esta é a primeira música “bate cabeça” da historia da humanidade. Depois que ela foi criada, o resto a historia, todos conhecemos. Incrível, como ela já foi exaustivamente tocada, ouvida, executada, por rádios, bandas covers, etc. Mas quando o mestre maior, o maior riffmaker da historia , Tony Iommi (guitarra), dá início, é como se fosse a primeira vez que você escuta e fica entusiasmado de como esta música é especial. Fiergs inteira pulando ao som de “Paranoid”. Infelizmente é chegado o final, a banda se despede, Ozzy fala que nos ama e que Deus nos abençoe.

Fiquei alguns instantes olhando para o palco, enquanto a equipe de roadies desmontava rapidamente os equipamentos, tentando entender o que eu havia presenciado por duas horas de show. Sim, difícil explicar e entender, mas o que presenciei foi uma missa, um ritual, uma celebração ao rock, ao metal e à música. Aos poucos a multidão vai se retirando da Fiergs,e enquanto me afastava, olhava para trás para ter certeza de que estive ali mesmo. No show do BLACK SABBATH. Obrigado Ozzy, Iommi, Gezzer, por tudo. Obrigado Clufetos por fazer tão bem a vez de Bill. Obrigado!!! THANKS GOD, ITS SABBATH!!!

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