Black Sabbath + Megadeth: Como foi a apresentação em Porto Alegre

Resenha - Black Sabbath e Megadeth (Estacionamento da FIERGS, Porto Alegre, 09/10/2013)

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Por Tiago Alano
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

A espera foi longa, mas valeu a pena. Depois de quatro décadas fazendo história, o Black Sabbath finalmente aportou em terras gaúchas com sua formação (quase) original. Fãs de todas as gerações reuniram-se na FIERGS para assistir um concerto histórico. A noite ainda contou com os norte-americanos do Megadeth e abertura do Hibria, banda de Porto Alegre que vem tornando-se maior a cada lançamento.

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Infelizmente, devo começar o review com um "agradecimento" aos ótimos engenheiros de trânsito que temos em Porto Alegre, bem como a todos os responsáveis pelo caos das vias públicas na capital gaúcha. Graças a eles acabei perdendo o show do Hibria, pois a FIERGS situa-se em um local de difícil acesso (fora outros problemas que trataremos mais adiante). Quando cheguei ao local, a banda estava anunciando sua última música, "Tiger Punch", faixa que já pode-se considerar um clássico do Metal nacional. Ao menos poderei assistir um show completo deles dia 26 de outubro em São Leopoldo, na Sociedade Orpheu.

Quando a maior parte do público finalmente adentrou o local do evento, começa a soar nos PA's uma canção chamada "Prince Of Darkness", enquanto o nome da próxima atração formava-se em um telão: Megadeth. A troupe de Dave Mustaine já chegou mandando ver em uma trinca de clássicos, "Hangar 18", "Wake Up Dead" e "In My Darkest Hour". A produção de palco era realmente impressionante, com um telão alternando entre imagens da banda e outras imagens relacionadas as músicas. O Megadeth deixou bem claro o motivo pela qual ainda é considerada uma das melhores bandas de Metal em um palco.

Sem falar muito com a plateia, Mustaine começa a tocar o riff de "She-Wolf", imediatamente seguida de "Sweating Bullets". Pois é, a banda realmente não estava para brincadeiras e fez muito bem ao escolher um set repleto de clássicos ao abrir o show de uma lenda como o Sabbath. A única faixa que representou o álbum mais recente, "Super Collider", veio logo a seguir, "Kingmaker".

Na sequência, voltamos aos clássicos da banda com "Tornado Of Souls", do clássico disco "Rust In Peace", tocado na íntegra na passagem da banda por Porto Alegre em 2010. Particularmente, era um dos momentos mais esperados por este que vos escreve e é impossível não destacar o guitarrista Chris Broderick. Desde que entrou na banda, em 2008, sempre mostrou que manteria-se fiel aos solos gravados por guitarritas anteriores, e é exatamente isso que percebemos na faixa em questão, onde Broderick reproduz nota por nota do lendário solo gravado por Marty Friedman.

"Symphony Of Destruction" foi uma das que mais empolgou o público, mas fez falta o tradicional coro do "Megadeth, Megadeth, avante Megadeth!". Quem assistiu ao "That One Night", DVD gravado na Argentina, sabe muito bem do que estou falando. Tudo bem que todos estavam lá para a atração principal da noite, mas foi decepcionante ver o Megadeth fazer uma performance primorosa para um público tão morno. O baixista David Ellefson convocou os fãs para baterem palmas para dar início a "Peace Sells", outro clássico absoluto.

A banda deixou o palco por alguns instantes para logo depois retornar tocando "Holy Wars... The Punishment Due", canção já tradicional para encerrar as apresentações. Por fim, rolou "Silent Scorn" e "My Way" (do Sid Vicious) nos PA's enquanto a banda fazia suas despedidas ao público porto alegrense. Uma apresentação mais que digna para abrir um show do Black Sabbath.

Em meio a espera para o início da atração principal da noite, escuta-se uma voz familiar incentivando o público com o coro "oô oôoôoô"... era o próprio Ozzy Osbourne! Poucos instantes depois começam a soar as sirenes que indicavam o início da apresentação com "Wars Pigs". Um começo alucinante com todos cantando os versos com Ozzy, boa amostra da performance histórica que testemunharíamos ao longo da noite. Ao contrário do que afirmavam os boatos do dia anterior, Tony Iommi parecia ótimo e movimentou-se bastante enquanto tocava seus riffs e solos imortais. E do lado direito do madman estava Geezer Butler, não apenas o baixista do Black Sabbath, mas uma das mentes criadoras que mantêm a banda viva.

A sequência foi com "Into The Void", momento que nos levou a certa reflexão. Por que? Como todos sabem, o baterista Bill Ward acabou não participando da turnê de reunião, assim como não gravou o álbum "13". O responsável pelas baquetas nas apresentações da banda é Tommy Clufetos, que também integra a banda solo do frontman e já tocou com Rob Zombie e Alice Cooper. O fato é: Clufetos mandou muito bem! "Into The Void" é a prova máxima de que ele foi a escolha certa e, perdoem-me os fãs de Ward, a verdade é que o baterista original não fez falta. Não adianta colocar ele em um pedestal só por causa de sua importância na história do Sabbath, Ward não tem mais condições físicas de tocar uma música como essa.

O show teve continuidade com "Under The Sun/Every Day Comes And Goes" e "Snowblind", ambas do disco "Vol. 4", de 1972. "Snowblind" é o tipo de música que te faz identificar os verdadeiros fãs de Sabbath que estavam lá, bastava olhar para o lado e ver quem estava gritando "cocaine". A primeira faixa de "13" executada foi "Age Of Reason", com uma recepção levemente mais fria por parte da plateia. A canção do trabalho mais recente foi logo esquecida com o som de chuva, trovões, um sino e o trítono tocado por Iommi em sua guitarra. É isso mesmo, meus caros, a primeira faixa do primeiro disco, "Black Sabbath", ecoava em alto e bom som em terras gaúchas. Não dá para negar que esse foi o ponto alto da noite, literalmente um êxtase coletivo que fez o show parecer muito mais uma missa negra. Épico!

A apresentação teve sequência com mais dois clássicos do primeiro disco, com "Behind The Wall Of Sleep" sendo finalizada com um breve solo de baixo de Butler que nos conduziu a "N.I.B.", outra canção entonada a plenos pulmões pelos presentes. A faixa de abertura de "13" veio logo a seguir, "End Of The Beginning", bem melhor recepcionada do que "Age Of Reason". Anteriormente tivemos a trinca de clássicos do primeiro disco, e logo depois era a vez de "Paranoid" ter três faixas executas. Começando por "Fairies Wear Boots", muito bem acompanhada por uma série de imagens lascivas no telão, seguida por "Rat Salad" em meio a um solo de bateria de Clufetos. Mal terminou o solo e o baterista já levou o pessoal no bumbo junto a Ozzy Osbourne, indicando o início de mais uma das canções aguardadas por quase todos: "Iron Man"! Preciso falar qual foi a reação do público?

A última faixa apresentada do novo disco foi "God Is Dead?", primeiro single de "13" e com recepção imediata dos fãs, que a essa altura já consideram um novo clássico do Sabbath. Próximo ao fim da apresentação, ainda tivemos "Dirty Women", mais uma vez acompanhada por uma série de imagens libidinosas no telão. O lendário riff de "Children Of The Grave" foi executo por Iommi, mais uma vez levando o público ao delírio. Deixaram o palco logo ao final da música, prometendo um retorno se o público enlouquecesse.

O regresso ao palco da FIERGS foi com "Sabbath Bloody Sabbath", mas infelizmente foi tocado apenas o início da música, que acabou sendo emendada com "Paranoid". Fim da apresentação, o quarteto deixa o palco e ficamos com a sensação de que eles deveriam seguir tocando por mais três horas. É óbvio que poderíamos listar dezenas de clássicos que ficaram de fora, mas não tem como reclamar do repertório ou mesmo da performance da banda. Mesmo com a idade avançada, os integrantes do Sabbath ainda fazem um dos melhores shows do mundo.

Por fim, foi citado no início do texto alguns problemas relacionados ao local escolhido para o show. A FIERGS localiza-se em um local muito afastado e com difícil acesso. E isso é apenas um dos problemas, pois alguns outros surgiram devido a produção do evento. Alguns deles incluem o fato de que não foram usados telões nas laterais do palco, ou seja, quem estava na pista normal realmente teve problemas para ver o palco. A saída do local também foi algo tenso, com pessoas ameaçando derrubar a entrada do local. Enfim, apenas confirmamos o fato de que Porto Alegre precisa urgentemente de um novo local para shows desse porte e isso tudo é apenas uma pequena parte do problema. Mas, felizmente, nada conseguiu estragar a noite memorável que todos presenciaram.

SET LISTS

Hibria:
Nonconforming Minds
Silent Revenge
Shoot Me Down
Silence Will Make You Suffer
Blinded By Faith
Tiger Punch

Megadeth:
Hangar 18
Wake Up Dead
In My Darkest Hour
She-Wolf
Sweating Bullets
Kingmaker
Tornado of Souls
Symphony of Destruction
Peace Sells
Holy Wars... The Punishment Due

Black Sabbath:
War Pigs
Into the Void
Under the Sun/Every Day Comes and Goes
Snowblind
Age of Reason
Black Sabbath
Behind the Wall of Sleep
N.I.B.
End of the Beginning
Fairies Wear Boots
Rat Salad/solo de bateria de Tommy Clufetos
Iron Man
God Is Dead?
Dirty Women
Children of the Grave
Sabbath Bloody Sabbath/Paranoid

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Sobre Tiago Alano

Tiago Alano cresceu em meio aos maiores clássicos do Rock da coleção de discos de vinil de seu pai, mas foi quando conheceu o Iron Maiden aos 13 anos que sua vida mudou por completo. É publicitário, fotógrafo e escreve sobre música desde 2005. Além de colaborar com o Whiplash, também possui seu próprio blog, o All That Metal, e é um dos apresentadores de um programa na Rádio Putzgrila voltado para bandas independentes.

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