Destruction e Krisiun no RIR: "Nós vamos detonar essa porra!"
Resenha - Destruction e Krisiun (Rock in Rio, Rio de Janeiro, 22/09/2013)
Por Diego Camara
Postado em 26 de setembro de 2013
O segundo show do último dia do Rock in Rio foi dedicado ao metal extremo. A banda principal era o DESTRUCTION, grande lenda alemã que dividiu o palco com o trio de irmãos do KRISIUN, que veio diretamente de Ijuí, no Rio Grande do Sul, para mostrar sua agressividade no palco sunset. A primeira vez que uma banda de death metal brasileira foi ao Rock in Rio, como os próprios integrantes constataram, não poderia ter sido melhor: o KRISIUN mostrou que não deve nada aos alemães e dividiu a altura o palco em mais um dos shows duplos do Rock in Rio.
O show começou pontualmente para um público que ainda estava chegando no Rock in Rio. A entrada para a Cidade do Rock, no domingo, diferente da quinta-feira, foi extremamente bagunçada e causou inúmeros transtornos aos fãs do heavy metal, que acabaram perdendo os primeiros shows. Ao público ainda incipiente, porém, ainda sobrou a ótima oportunidade de conferir o segundo show do dia, quando os gaúchos do Krisiun se uniriam ao Destruction no primeiro show digno do metal extremo nesta edição.
O Destruction foi a primeira banda a vir ao palco e abriu o show com "Curse The Gods", sucesso do álbum "Eternal Devastation" de 86. O som estava bem ruim, e a voz do guitarrista mal podia ser ouvida. Apesar da péssima primeira impressão, a equipe foi ligeira e já em "Thrash Till Death", a seguinte, o som estava de ótima qualidade. O trio alemão foi comandado pela ótima guitarra de Mike Sifringer. A gritaria do Destruction anima o público, os fãs pulam e uma roda se abriu no palco.
O set da banda foi bem diverso e contou com músicas de todas as épocas da banda, desde "Mad Butcher" do álbum inaugural "Sentence of Death" até "Spiritual Genocide", do último disco lançado em 2012.
A espetacular primeira parte do show foi fechada com "The Butcher Strikes Back", uma verdadeira pancada no ouvido de todos. Os fãs gritaram junto e se deixaram dominar pelo excelente domínio de palco do vocalista Marcel Schirmer, com direito até a cantar junto o refrão, com empolgação.
O Krisiun veio em seguida ao palco, aplaudidos pelos fãs que mostraram que ali não entrava nenhuma banda desconhecida, mas sim um dos maiores ícones do metal nacional. Um bando de guerreiros ou, como disse Schirmer, "a melhor banda de death metal da América do Sul". O título caiu bem, especialmente quando ambas as bandas tocaram a icônica "Black Metal", do VENOM. Foi praticamente uma orquestra do metal extremo quando os 6 integrantes se uniram na apresentação. Uma das melhores de todo o dia do Rock in Rio, som completo, difícil até de descrever dada a extrema competência de ambas as bandas.
O Krisiun então viria para o seu set solo com um título e o público já na mão, e não foi difícil então continuar sozinhos a empreitada. Apesar do pequeno espaço dado para a banda, as quatro músicas foram escolhidas a dedo pelos gaúchos. O som ótimo de "Kings of Killing" mostrou que a banda não devia nada aos seus colegas de palco e que merecia mesmo os elogios feitos pelos alemães.
"Pela primeira vez na história o death metal nacional pisa no Rock in Rio!", gritou Alex Camargo, arrancando palmas e palmas dos presentes. A seguinte a ser tocada seria a delirante "Combustion Inferno", que botou a casa abaixo. Max Kolesne, com suas baquetas rápidas e uma agressividade incomum, dominou toda a apresentação, que foi finalizada com um excelente solo de guitarra e gritos ensandecidos do público.
"Vocês não sabem como é tocar aqui, nós vamos detonar essa porra!", e realmente o fizeram, com a super apresentação das músicas "Vicious Wrath" e "Ominous". As rodas, os gritos, parecia que estávamos em algum clube alternativo do underground brasileiro e não em um dos palcos mais importantes da música brasileira.
Para os que ainda não conheciam o Krisiun, não deve ter sido fácil para se defrontar com tanta crueza e agressividade em um palco do Rock in Rio, mas para quem já os conhecia não fizeram nada demais – entregaram apenas a qualidade que já é mais que comum destes caras que estão detonando lá nos Pampas para o mundo inteiro.
O "momento único", como disse Camargo, terminaria com o retorno do Destruction e a música que finalizaria o show: a escolhida foi "Total Desaster", também do primeiro álbum dos alemães, que fechou com chave de ouro o que foi sem dúvidas a apresentação feita para o público underground no Rio.
Ponto positivo para a produção, que deu espaço para uma banda tão forte da cena nacional, e que vejam com bons olhos este público alternativo, que pode ganhar nas próximas edições um pouco mais de espaço, pois se há algo que não falta nas bandas do metal extremo é a vontade de arrasar em cada um dos shows que fazem, independente de ser num clube para meia dúzia de pessoas ou num Rock in Rio lotado de bangers.
Setlist:
Set 1: Destruction
1. Curse The Gods
2. Thrash Till Death
3. Spiritual Genocide
4. Nailed to the Cross
5. Mad Butcher
6. Armageddonizer
7. Bestial Invasion
8. The Butcher Strikes Back
Set 2: Destruction e Krisiun
9. Black Metal (cover do Venom)
Set 3: Krisiun
10. Kings of Killing
11. Combustion Inferno
12. Vicious Wrath
13. Ominous
Set 4: Destruction e Krisiun
14. Total Desaster (música do Destruction)
Rock In Rio 2013
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A noite em que Noel Gallagher ouviu "a melhor música de sua vida"
A música do Venom inspirada em um dos grandes clássicos do Kiss
Yngwie Malmsteen explica "não" a David Lee Roth e por que não trabalharia com Dio
Duff McKagan reflete sobre o dramático fim do Velvet Revolver
Epica esgota ingressos para show com orquestra e coral em São Paulo
Marty Friedman admite ter pisado na bola em saída do Megadeth
O rockstar que se gaba de ter Donald Trump e Elon Musk na agenda do telefone
Angra realizará primeiro show da carreira na Finlândia
A exigência de Tom Parker que impediu Elvis de gravar um dos maiores hits da história
A música de 1984 que o Metallica tocou ao vivo uma única vez
Kiss: a história por trás das vozes de crianças na clássica "God Of Thunder"
A música dos Doors que consolidou o sintetizador Moog no rock
O que realmente significa quando um álbum é lançado em versão remasterizada?
A origem satânica de "War Pigs", clássico anti-guerra do Black Sabbath
Ator RJ Mitte, mais conhecido por "Breaking Bad", morre aos 34 anos
Led Zeppelin: a origem do anjo símbolo da banda
A cronologia dos 16 episódios citados por Raul Seixas em "Eu Nasci Há 10 Mil anos Atrás"
"Os primeiros discos do Sepultura é tudo música roubada de outras bandas", diz Andreas

Ghost BC: A Missa Negra estava cheia de ateus no Rock in Rio
Paul Di'Anno: aparição surpresa no Rock in Rio com Kiara Rocks

A música do Destruction que é um verdadeiro hino do thrash metal
As dez melhores músicas de thrash lançadas entre 2000 e 2020, segundo a Metal Hammer
Os 10 melhores discos do metal alemão, de acordo com a Metal Hammer
10 discos essenciais do thrash metal oitentista, segundo a Metal Hammer
Metaleiro: popularizado no 1º RIR, termo continua polêmico



