Destruction e Krisiun no RIR: "Nós vamos detonar essa porra!"

Resenha - Destruction e Krisiun (Rock in Rio, Rio de Janeiro, 22/09/2013)

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Por Diego Camara
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O segundo show do último dia do Rock in Rio foi dedicado ao metal extremo. A banda principal era o DESTRUCTION, grande lenda alemã que dividiu o palco com o trio de irmãos do KRISIUN, que veio diretamente de Ijuí, no Rio Grande do Sul, para mostrar sua agressividade no palco sunset. A primeira vez que uma banda de death metal brasileira foi ao Rock in Rio, como os próprios integrantes constataram, não poderia ter sido melhor: o KRISIUN mostrou que não deve nada aos alemães e dividiu a altura o palco em mais um dos shows duplos do Rock in Rio.

Fotos: divulgação, Approach, Rock In Rio, IHateFLash

O show começou pontualmente para um público que ainda estava chegando no Rock in Rio. A entrada para a Cidade do Rock, no domingo, diferente da quinta-feira, foi extremamente bagunçada e causou inúmeros transtornos aos fãs do heavy metal, que acabaram perdendo os primeiros shows. Ao público ainda incipiente, porém, ainda sobrou a ótima oportunidade de conferir o segundo show do dia, quando os gaúchos do Krisiun se uniriam ao Destruction no primeiro show digno do metal extremo nesta edição.

O Destruction foi a primeira banda a vir ao palco e abriu o show com “Curse The Gods”, sucesso do álbum “Eternal Devastation” de 86. O som estava bem ruim, e a voz do guitarrista mal podia ser ouvida. Apesar da péssima primeira impressão, a equipe foi ligeira e já em “Thrash Till Death”, a seguinte, o som estava de ótima qualidade. O trio alemão foi comandado pela ótima guitarra de Mike Sifringer. A gritaria do Destruction anima o público, os fãs pulam e uma roda se abriu no palco.

O set da banda foi bem diverso e contou com músicas de todas as épocas da banda, desde “Mad Butcher” do álbum inaugural “Sentence of Death” até “Spiritual Genocide”, do último disco lançado em 2012.

A espetacular primeira parte do show foi fechada com “The Butcher Strikes Back”, uma verdadeira pancada no ouvido de todos. Os fãs gritaram junto e se deixaram dominar pelo excelente domínio de palco do vocalista Marcel Schirmer, com direito até a cantar junto o refrão, com empolgação.

O Krisiun veio em seguida ao palco, aplaudidos pelos fãs que mostraram que ali não entrava nenhuma banda desconhecida, mas sim um dos maiores ícones do metal nacional. Um bando de guerreiros ou, como disse Schirmer, “a melhor banda de death metal da América do Sul”. O título caiu bem, especialmente quando ambas as bandas tocaram a icônica “Black Metal”, do VENOM. Foi praticamente uma orquestra do metal extremo quando os 6 integrantes se uniram na apresentação. Uma das melhores de todo o dia do Rock in Rio, som completo, difícil até de descrever dada a extrema competência de ambas as bandas.

O Krisiun então viria para o seu set solo com um título e o público já na mão, e não foi difícil então continuar sozinhos a empreitada. Apesar do pequeno espaço dado para a banda, as quatro músicas foram escolhidas a dedo pelos gaúchos. O som ótimo de “Kings of Killing” mostrou que a banda não devia nada aos seus colegas de palco e que merecia mesmo os elogios feitos pelos alemães.

“Pela primeira vez na história o death metal nacional pisa no Rock in Rio!”, gritou Alex Camargo, arrancando palmas e palmas dos presentes. A seguinte a ser tocada seria a delirante “Combustion Inferno”, que botou a casa abaixo. Max Kolesne, com suas baquetas rápidas e uma agressividade incomum, dominou toda a apresentação, que foi finalizada com um excelente solo de guitarra e gritos ensandecidos do público.

“Vocês não sabem como é tocar aqui, nós vamos detonar essa porra!”, e realmente o fizeram, com a super apresentação das músicas “Vicious Wrath” e “Ominous”. As rodas, os gritos, parecia que estávamos em algum clube alternativo do underground brasileiro e não em um dos palcos mais importantes da música brasileira.

Para os que ainda não conheciam o Krisiun, não deve ter sido fácil para se defrontar com tanta crueza e agressividade em um palco do Rock in Rio, mas para quem já os conhecia não fizeram nada demais – entregaram apenas a qualidade que já é mais que comum destes caras que estão detonando lá nos Pampas para o mundo inteiro.

O “momento único”, como disse Camargo, terminaria com o retorno do Destruction e a música que finalizaria o show: a escolhida foi “Total Desaster”, também do primeiro álbum dos alemães, que fechou com chave de ouro o que foi sem dúvidas a apresentação feita para o público underground no Rio.

Ponto positivo para a produção, que deu espaço para uma banda tão forte da cena nacional, e que vejam com bons olhos este público alternativo, que pode ganhar nas próximas edições um pouco mais de espaço, pois se há algo que não falta nas bandas do metal extremo é a vontade de arrasar em cada um dos shows que fazem, independente de ser num clube para meia dúzia de pessoas ou num Rock in Rio lotado de bangers.

Setlist:

Set 1: Destruction
1. Curse The Gods
2. Thrash Till Death
3. Spiritual Genocide
4. Nailed to the Cross
5. Mad Butcher
6. Armageddonizer
7. Bestial Invasion
8. The Butcher Strikes Back

Set 2: Destruction e Krisiun
9. Black Metal (cover do Venom)

Set 3: Krisiun
10. Kings of Killing
11. Combustion Inferno
12. Vicious Wrath
13. Ominous

Set 4: Destruction e Krisiun
14. Total Desaster (música do Destruction)

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Sobre Diego Camara

Nascido em São Paulo em 1987, Diego Camara é jornalista, radialista e blogueiro. Seu amor pelo metal e rock começou há 6 anos. Um amante da nova geração, é um grande fã de Arjen Lucassen, Andre Matos e bandas como Nightwish, Hammerfall, Sonata Arctica, Edguy e Kamelot. Também não deixa de ter amor pelos clássicos, como Helloween, Gamma Ray e Iron Maiden e do Rock de bandas como Oasis, Queen e Kings of Leon. Atualmente seus textos podem ser lidos no blog OCrepusculo.com sobre assuntos diversos, além de planos para criação de um projeto totalmente voltado aos blogs de Rock e Metal.

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