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Destruction: a lenda do Thrash Metal alemã em Fortaleza

Resenha - Destruction (Black Jack, Fortaleza, 15/09/2013)

Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
Em 17/09/13

Mais uma vez uma grande banda chega a Fortaleza para um show avassalador. Nos últimos anos, isto é um fato que tem sido cada vez mais presente, provando que Fortaleza quer muito mais que shows de neo-pop-forró-merda-universitário-eletrônico. Citando apenas os últimos, há bem pouco tempo, tivemos o arrasador show do POSSESSED, seguidos de perto por ANGRA e SOULFLY. E neste domingo, enquanto as atrações mais pop desfilavam pelo palco do Rock In Rio, Fortaleza recebia o que promete ser um dos melhores shows do final de semana seguinte do festival, a lenda do thrash metal alemã DESTRUCTION.

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No entanto, assim como na apresentação do ANGRA, a cidade parecia que seria mais uma vez prejudicada pelo descaso de nossas companhias aéreas com seus horários. A abertura dos portões do Black Jack, anunciada para 17h só veio acontecer bem depois disso, por motivos, como já explicados, alheios à produção. Enquanto os primeiros da fila demonstravam certo descontentamento, houve quem apostasse que a FLAGELO, banda de abertura, acabaria não tocando, prejudicada pelo efeito dominó que tinha começado em algum aeroporto do país. Felizmente, graças ao compromisso de todos os envolvidos, das duas bandas, dos produtores Emydio Filho e Alcides Burn, dois dos nomes mais importantes na cena metal do Nordeste, entre outros, o que aconteceria a seguir passaria bem longe de todos esses temores, como você confere a seguir.

Ademir Barbosa Silva | Alexandre Faria Abelleira | Andre Sugaroni | André Silva Eleutério | Antonio Fernando Klinke Filho | Bruno Franca Passamani | Caetano Nunes Almeida | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Eduardo Ramos | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cristofer Weber | César Augusto Camazzola | Dalmar Costa V. Soares | Daniel Rodrigo Landmann | Décio Demonti Rosa | Efrem Maranhao Filho | Eric Fernando Rodrigues | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Filipe Matzembacher | Gabriel Fenili | Helênio Prado | Henrique Haag Ribacki | Jesse Silva | José Patrick de Souza | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcelo H G Batista | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Reginaldo Tozatti | Ricardo Cunha | Ricardo Dornas Marins | Sergio Luis Anaga | Sergio Ricardo Correa dos Santos | Tales Dors Ciprandi | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Tom Paes | Vinicius Valter de Lemos | Wendel F. da Silva

A FLAGELO só subiu ao palco por volta de 8 da noite, mas mandou bem, sem se deixar abater e com sons já bem conhecidos pelo público presente. Esta é uma das bandas mais respeitadas do underground cearense e finalmente, após uma reforma em seu line-up, com a entrada de Pedro Lima na bateria, reencontrou seu caminho para o palco e mostrou que veio pra ficar.

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Um dos destaques do show foi "O Supremo Poder". O novato Pedro Lima não se intimida diante de seus colegas veteranos e impressiona pela violência que emprega na arte de espancar as peles. Mesmo com o espaço inferior da casa (a casa possui pista, camarote lateral e camarote ao fundo) completamente lotado de cabeças balançando a galera conseguiu fazer um liquidificador de gente no centro da platéia. Nos camarotes ainda era possível transitar com tranquilidade, ou até sentar-se nos sofás a espera do show principal (ressalte-se que apenas uns dois ou três caras fizeram isso).

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Um dos diferenciais da banda é o vocal rasgado de Elineudo Morais , destilando puro ódio em português. Outros bons momentos foram "Conflitos", com belos solos de guitarra (embora em outras faixas o som das seis cordas pedisse alguns ajustes), "Vale de Horrores" e "Necrofilia", nome de uma de das demos da banda, já é bem conhecida da galera. A faixa faz com que o pequeno Elineudo se a gigante aos gritos de hey, hey, hey dos bangers. Ela é também, talvez, a que melhor representa a mistura de death metal e thrash metal feita pela banda.

Como consegui viver de Rock e Heavy Metal

Leia mais sobre a FLAGELO na entrevista abaixo.

Flagelo: entrevista com abertura do Destruction em Fortaleza

Com "Velha Maria" pondo fim ao show da FLAGELO, restou aos presentes a difícil tarefa de conter a ansiedade de ver o DESTRUCTION e quando começou a intro que abre o show do trio alemão foi a vez dos seguranças ter a difícil tarefa de conter a paixão dos bangers.

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E o massacre (vou me esforçar para não me render ao trocadilho fácil e já muito manjado) começou com "Thrash Til Death", seguida de "Spiritual Genocide", faixa título do mais recente álbum. É preciso dizer que os fãs da banda não se continham diante da parede violenta de som que os atacava sem piedade. Muitos deles foram influenciados em suas próprias vidas pelo som e pelas letras do DESTRUCTION, como, por exemplo, um delegado que, à época do vestibular, fez sua redação baseado nas ideias de "Reject Emotions".

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Ao fim do último acorde de "Spiritual Genocide", Marcel Schmier e Mike Sifringer é que assistiam o show dos bangers, que entoavam "Destruction, Destruction, Destruction" em uníssono, sendo acompanhados por Vaaver na bateria.

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Schmier respondeu em português: "Boa noite, Fortaleza, Brasiiiil. Finalmente, finalmente estamos aqui". E continuou em inglês: "Agora eu vou ter que falar em inglês. Também posso falar em alemão, se preferirem. Mas, o importante é que vamos falar heavy metal". E emenda "Aos domingos, vamos à igreja" dando início ao clássico "Nailed To The Cross".

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Dirigindo-se a seu público novamente, Schmier diz: "Mike tem algo pra vocês que vocês podem se lembrar". E como não lembrar de "Mad Butcher", clássico tão absoluto que seu personagem pode ser considerado o mascote da banda.

Os riffs e solos de Mike e os gritos de Schmier continuavam e, obviamente, também continuavam os gritos, mãos e até pés para cima da galera. É a vez de "Armageddonizer".

Schmier convida o público para voltar com a banda para 1986: "Juntos, nós persistimos" e "Eternal Ban" incendeia o Black Jack. E "dedicada à galera das antigas", "Life Without Sense".

Àquela hora o Black Jack já tinha se tornado um verdadeiro pandemônio e era impossível ficar parado. Schmier fala do calor, que nunca tinha tocado em um lugar tão quente quanto Fortaleza (e olhe que além do ar-refrigerado do ambiente, a produção disponibilizou dois enormes ventiladores jogando vento direto na cara dos artistas) e abre e distribui algumas cervejas, disputadas como ouro líquido pela turba enlouquecida.

A próxima música foi dedicada aos políticos, em especial "à sua presidente e a nossa presidente". O nome dela: "Bullets From Hell". Outro grande clássico "Total Desaster" e "Tears Of Blood" vieram em seguida. Um ponto que deve também ser salientado é a iluminação da casa. Potentes canhões, muitas vezes sincronizados com o que estava rolando nos falantes, davam um espetáculo a parte, poucas vezes visto em shows underground. Os produtores recebam os parabéns.

Após uma pausa para que músicos e o pessoal da grade compartilhassem mais uma cerveja, e Schmier anuncia mais uma faixa do álbum "Spiritual Genocide", "Carnivore", explicando sobre o que ela fala. Talvez por não estar tão familiarizada com a nova composição, a plateia se acalma um pouco e apenas assiste a exibição de palhetadas e batidas violentas, para explodir novamente no mosh e crowd surfing logo aos primeiros acordes de "Hate Is My Fuel".

Schmier e Mike respiram por um minuto enquanto Vaaver abusa da técnica e tira tudo que é possível de seus dois bumbos num solo de bateria que antecedeu "Invisible Force".

No entanto, a noite já tinha avançado bastante. E, mesmo sem querer, todos ali sabiam que o fim estava próximo. Schmier perguntou ao público o que ele queria? "Bestial Invasion" foi a unânime resposta. Felizmente, esse pedido ainda não foi atendido. No último grande show em Fortaleza, tanto as bandas de abertura quanto as headliners tiveram que cortar músicas de seus setlists originais devido a um atraso da companhia aérea que trouxe uma delas. Mais uma vez, outro atraso aconteceu. Mas aqui a estória foi bem diferente. Ao invés de cortar músicas, o DESTRUCTION incluiu músicas no setlist (pra falar a verdade, elas estavam em uma seção Wish List"). Se o show estava bom, por que não esticá-lo. Foda-se o horário. Foda-se qualquer contratempo. Mais uma bola dentro de uma banda que só faz por merecer a paixão de seus fãs (lembrem que bem recentemente a banda atendeu aos pedidos dos fãs que não viessem ao Brasil através de uma produtora que não vale a pena ser mencionada). Agora, pelas mãos de produtores sérios, mais uma vez, o DESTRUCTION se mostrou merecedor de todo o meu respeito.

"Bestial Invasion" finalmente acabaria por vir e, com ela, o "Obrigado, Fortaleza. Tchau", em português. Apagam-se as luzes, mas ninguém arreda o pé. A multidão em coro canta, grita, pede "Curse The Gods" e é atendida. E com o som da inconfundível serra elétrica, segue "The Butcher Strikes Back". Era o fim de uma noite memorável, estávamos todos destruidos (pronto, acabei não escapando de usar o trocadilho), mas não cansados. Um show desses cura qualquer cansaço. Para os bangers que ficaram em casa, saibam que mais uma vez perderam um show que não deveriam ter perdido. Para a produção, em especial para Emydio Filho e Alcides Burn, parabéns e obrigado por investirem no underground e continuarem, mesmo diante de tantas dificuldades, trazer a boa música a esta cidade. Para o DESTRUCTION, guys, you fucking rule.

O DESTRUCTION ainda toca em Recife, em show que não é mais surpresa, antes de se apresentar ao lado do KRISIUN no Rock In Rio.

Fotos: Victor Rasga

Set Lists:

FLAGELO

Flagelo
Tortura
Guerreiros da Morte
O Supremo Poder
Aniquilar
Ódio
Infecção Social
Conflitos
Vale de Horrores
Pesadelo
Necrofilia
Velha Maria

DESTRUCTION

Intro/Thrash Till Death
Spiritual Genocide
Nailed To The Cross
Mad Butcher
Armageddonizer
Eternal Ban
Life Without Sense
Bullets From Hell
Intro/Total Desaster
Tears of Blood
Carnivore
Hate Is My Fuel
Drum Solo
Invincible Force
Death Trap
Bestial Invasion
Curse The Gods
The Butcher Strikes Back

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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