Flagelo: entrevista com abertura do Destruction em Fortaleza

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva, Fonte: Daniel Tavares
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A FLAGELO é uma das bandas mais conceituadas do Ceará. Fazendo uma mistura eficaz no ofício de quebrar pescoços em duas demos muito bem recebidas por público e crítica, a banda canta em português e se destaca onde quer que se apresente. No entanto, por compromissos profissionais de parte de sua formação, chegou a ficar parada por algum tempo e a ansiedade por um primeiro full-length se transformou em dúvidas sobre o futuro da banda. Com uma nova formação, a FLAGELO reencontrou o caminho dos palcos e tem feito shows cada vez mais frequentes, reacendendo o clamor por mais composições. A atual formação da FLAGELO, que conta com Elineudo Morais nos vocais, Fábio Morais e Fran Alves nas guitarras, Leo Sousa no baixo e Pedro Lima na bateria, será a banda responsável por aquecer os Fortalezenses e fãs de cidades próximas no show dos mestres do thrash metal alemão, DESTRUCTION, produzido pela veterana do underground Gallery Productions. Conversei com o vocalista Elineudo Morais sobre estes e outros assuntos. O bate-papo você confere abaixo.

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Elineudo, pra começar, conte-nos sobre o histórico da banda.

FLAGELO: A banda começou em novembro de 1994, com uma pegada bem hardcore. Ai, com o passar do tempo e mudanças de integrantes, começamos a fazer um som mais trampado, puxado para o thrash, que era nossa principal influência na época. Nossa primeira apresentação em um festival foi na Praia da Barra, com bandas punk e uma de doom metal. Foi um dia inesquecível. Nada como uma primeira vez!!!

Quais foram as suas influências, tanto do lado death quanto do lado thrash. Qual foi a banda que você ouviu e te fez pensar que queria ser o vocalista de uma banda de metal? Entre essas influências citadas, qual foi a mais forte? O que pesa mais na "receita" da Flagelo? O Death ou o Thrash?

FLAGELO. Bem, a minha fase começou logo do auge do Death Metal dos anos 90, com bandas como DEATH, CANNIBAL CORPSE, MORBID ANGEL, UNLEASHED e muitas outras. E já escutava muito thrash da Bay Area e bandas do Brasil, principalmente as que cantavam em português, como TAURUS, DORSAL ATLÂNTICA e RxDxPx, mas a que mais influenciou, principalmente na linha de vocal foi o KREATOR!! No começo, soávamos mais como thrash hardcore, mas, com o passar do tempo, começaram a rolar uns riffs puxando um pouco pro death. Hoje a banda está mais para death/thash.

E sobre a decisão de cantar em português quando a maioria das bandas escolhe cantar em inglês, uma decisão louvável e muito corajosa. Como ela aconteceu? Naturalmente ou vocês se reuniram e decidiram isso de forma mais formal.

FLAGELO. Quando começamos, nunca tivemos dúvidas. A banda iria morrer cantando em português ou não seria o FLAGELO, foi uma decisão de todos. Eu não me vejo na banda cantando em inglês, apesar de minha principal influência ser o KREATOR. Mas compor em português é uma responsabilidade grande no estilo que a gente faz. Eu me preocupo em não criar letras bestas e boas. Existe um pouco de pressão quando estou criando uma letra.

Vocês passaram por um tempo sem se apresentar. Recentemente, uma mudança na formação parece ter sido a principal responsável na volta da Flagelo aos palcos. Gostaria de falar mais sobre isso?

FLAGELO. Passamos 4 anos parados por problemas pessoais com todos da banda. Depois desse tempo, resolvemos nos reunir e reativar o FLAGELO. Foi uma volta triunfal em um festival chamado Big Four, só com bandas locais, no Clube Santa Cruz. Foi como se fosse uma primeira apresentação. Depois disso resolvemos não parar mais. Lançamos duas demos e fizemos mais algumas apresentações. Para a banda estar 100% ativa foi preciso fazer algumas mudanças no line up, principalmente com nosso primeiro batera e criador da banda. Problemas profissionais fizeram com que ele se afastasse, mas, foi "de boa", na base do diálogo, sem brigas. E agora estamos bem fortes!!

E sobre a possibilidade de mostrar o som da banda em outros estados? Alguma previsão?

FLAGELO. Bem, fora do Ceará, tocamos em Mossoró (RN) duas vezes e em Natal em dezembro passado. Foram ótimas apresentações, mas, uma turnê é bem difícil, pois todos tem compromissos aqui e, infelizmente, não vivemos da banda.

Como quase todos os músicos do underground, você mantem um emprego formal, em uma loja de CDs especializada em rock e metal, na chamada "Galeria do Rock" de Fortaleza. Não vou esconder que gostaria de um trabalho assim, com a possibilidade de ouvir música o dia inteiro, desde a primeira vez que entrei na Galeria, visitando a Opus Discos. Mas essa é uma visão romântica da coisa. Fale um pouco mais sobre o seu trabalho na Planet CDs. É mesmo como descrevi?

FLAGELO. É sempre bom trabalhar com aquilo que você acha agradável. Pra mim é tudo trabalhar nesse meio. Você fica totalmente atualizado com o que está rolando no meio da música e do underground. É um sonho pra muita gente. Eu já estou na loja a mais de dez anos. Por aí você tira!! (risos)

Vocês já abriram para uma das bandas do Big Teutonic 4, o TANKARD. E agora, vão abrir para mais uma, o DESTRUCTION. Quais as espectativas para este show?

FLAGELO. Pô, estou ansioso. Eu os vi em 2002, em Recife. Foi um dos melhores shows da minha vida... Agora, abrir o show pra eles... Sem palavras!!! As espectativas estão sendo as melhores possíveis, pois o DESTRUCTION é uma banda lendária e está fazendo trinta anos de destruição total. Espero muito que o público compareça, pois vai ser um grande dia. Como disse, o DESTRUCTION ao vivo foi uma das melhores bandas que já vi. Vai ser um grande show!!

E sobre o show ao lado do Tankard, como foi dividir os camarins com os maiores bebedores de cerveja do metal?

FLAGELO. Infelizmente não tivemos esse contato, pois nesse dia choveu muito e tivemos um problema no camarim. Tivemos que sair para não prejudicar os instrumentos. E o TANKARD só chegou na hora de tocar!!!

A Flagelo já lançou duas demos, que foram muito bem recebidas pela crítica e pelo público que comparece aos eventos underground. Quais os planos de selecionar algumas das faixas dessas demos e incluí-las num full-length? No caso, elas seriam regravadas ou já poderiam ir como estão?

FLAGELO. Estamos estudando quais vão entrar e, com certeza, serão gravadas novamente por que mudamos algumas coisas.

Já conversamos sobre isso uma vez, mas volto a afirmar. O caminho para a Flagelo agora seria lançar este full-length. Para quando podemos esperá-lo?

FLAGELO. Depois desse show com o DESTRUCTION iremos focar nas músicas novas, que não estão nas demos, e trabalhar bastante para gravá-las. Espero que no primeiro semestre de 2014 estejamos com esse tão esperado material.

Além dos shows que citamos, Tankard e Destruction, Fortaleza parece ter entrado de vez na rota das bandas internacionais de metal, rivalizando com Recife e talvez equiparando-se a outras cidades com maior frequência de shows gringos, como BH e Curitiba. Alguns veículos chegaram inclusive a noticiar que Iron Maiden e Metallica, talvez os dois maiores nomes da atualidade, fariam shows em terras cearenses. Como você vê a cena do metal cearense hoje? Está esperançoso? Tem algo do que reclamar?

FLAGELO. A cena cresceu bastante em alguns aspectos, mas, em outros está deixando a desejar. Tipo, quase não há espaço para bandas autorais, enquanto para bandas cover o que não falta é espaço. Culpa do público cearense, que lota casas de bandas covers. É muito fácil copiar e se dar bem em cima dos outros. Mas, é isso. Estamos fazendo nosso trabalho sem roubar nada de ninguém. Acho que nossa cena vai sobreviver a essa onda de bandas que copiam bandas!!!

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FLAGELO. Estou muito grato por participar dessa entrevista. E vamos à luta. Enquanto o underground estiver forte e unido, o FLAGELO estará com vocês!!!.




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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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