Ensiferum: show em SP mostra que foram nascidos para entreter

Resenha - Ensiferum (Carioca Club, São Paulo, 01/06/2013)

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Por Durr Campos
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Desde que retornei de uma temporada fora do país não havia participado de nenhum evento promovido pela Dark Dimensions, mas no último sábado tive o prazer em poder cobrir o show do ENSIFERUM, um dos nomes mais proeminentes e criativos desta safra do folk metal escandinavo. Oriundos de Helsinque, capital da Finlândia, o quinteto formado por Petri Lindroos (vocais/guitarra), Markus Toivonen (guitarra/vocais), Sami Hinkka (baixo/vocais), Janne Parviainen (bateria) e Emmi Silvennoinen (teclado/backing vocais) coleciona uma discografia composta por cinco álbuns de estúdio, um EP, uma coletânea, singles e três demos, nada mau para um grupo formado em 1995. Pela primeira vez excursionando pela América do Sul, mesmo desfalcados de Emmi (nota do redator: A banda soltou um pequeno comunicado em sua página oficial no Facebook explicando que a tecladista não viria por motivos pessoais, mas tranquilizou a todos afirmando não haver quaisquer problemas internos), este foi certamente um dos melhores shows dentre os quais estive envolvido cobrindo pelo Whiplash.Net.

Fotos: Leandro Anhelli. Veja uma galeria completa de imagens no link abaixo.
760 acessosEnsiferum: galeria de fotos do show no Carioca Club de São Paulo

O Ensiferum chegou ao Brasil para promover seu mais recente disco, o aclamado "Unsung Heroes", lançado este ano no país pela Hellion Records. Sendo assim, deram início ao espetáculo exatamente como na bolachinha, isto é, a intro "Symbols" seguida da brilhante "In My Sword I Trust". Seu refrão matador ganhou o público de imediato, como se isso já não fosse latente quando adentrei o Carioca Club pouco antes da festa começar. Aliás, FESTA é a palavra mais correta para descrever uma apresentção desses finlandeses. O tamanho da alegria dos músicos talvez só não fossem superior se observássemos os fãs, visivelmente emocionados por verem seus ídolos pela primeira vez.

Já impressionados, a banda atacou com "Guardians of Fate", clássico do debut que leva o nome do grupo, lançado em 2001. O set inclusive foi muito bem escolhido e abrangeu toda a carreira, algo notável e respeitoso. Tocá-la logo no começo foi acertado, inclusive serviu para notar o quão coesa é sua obra, pois as músicas não destoam mesmo separadas por mais de dez anos. Eles sabem como fazer canções que unem partes extremas e melodias ideais para se cantar junto. Duvida? Então o que falar da seguinte, "From Afar", faixa-título do registro de estúdio editado em 2009? Clássico, lógico! Antes de anunciá-la o vocalista/guitarrista Petri Lindroos cumprimentou os fãs e perguntou se estavam se divertindo! Os berros vindos em resposta não deram outra alternativa que não iniciar a pancadaria. O baixista Sami Hinkka teve uma ótima presença nesta e que levou por todo o show. O que esse cara corre no palco tocando aquele absurdo é qualquer coisa de soberbo. Ainda sobre a música em si, adoro essa pegada thrash metal que o Ensiferum imprime volta e meia nos seus álbuns. As levadas do baterista Janne Parviainen encaixam-se milimetricamente aos riffs certeiros do fundador e líder Markus Toivonen, outro de presença cênica ímpar com suas batidas de bota no palco. Deve até doer os pés tamanha a força com que fez aquilo. Ao final de "From Afar" e com as luzes do Carioca brevemente refletidas diretamente na plateia pude notar a quantidade de fãs pintados como os finlandeses. Se nunca viu uma foto promocional da banda procura rapidinho ali no Google.com e veja como é. Ou melhor ainda: confira as fotos matadoras do nosso colaborador Leandro Anhelli aqui mesmo entre minhas linhas. Belíssimos cliques, concorda?

"Burning Leaves", outra do "Unsung Heroes", veio a seguir e sua beleza não passou despercebida. Eu inclusive a tenho como uma de minhas favoritas neste novo trabalho. "One More Magic Potion" inaugurou no set aquele segmento mais, digamos, "feliz" dentre as músicas do Ensiferum, no bom sentido que isso pode ser escrito. Eu até brinco dizendo que são canções ideais para "bebuns" de bom gosto! Esta jóia foi extraída de um disco muito importante, o "Victory Songs" (2007), responsável por marcar a entrada de 3/5 da banda: Petri Lindroos, Sami Hinkka e Janne Parviainen! Os anteriores, como já é sabido, contavam com os vocais do Jari Mäenpää, hoje no Wintersun. Antes de tocar "One More Magic Potion", em tempo, Sami foi ao microfone e cumprimentou os fãs: "E aí São Paulo, é sábado à noite, vamos nos divertir!", emendando uns slaps maneiros para então Petri provocar pedindo que completassem o nome da canção. Um dos highlights da noite.

Outra das mais festejadas, "Into Battle" fez com que os fãs abrissem uma roda esperando entrar a parte veloz no intuito de realizarem o tradicional "wall of death". Mesmo nunca tendo lido algo a respeito, esta música revela uma certa influência de Blind Guardian antigo. Tocar a sensacional "Stone Cold Metal" em seguida garantiu empolgação ao set. A banda , visivelmente satiesfeita, agradeceu na forma do baixista descer até o público e cumprimentar a TODOS na primeira fileira. Isso tudo sem parar de tocar! "Victory Song" deu aquele clima mais épico ao show, em especial por sua longa parte instrumental e narrações. Os membros da banda agitavam coreografadinhos, super bem ensaiados! Destaque para os ótimos solos de guitarra e linhas vocais. "Retribution Shall Be Mine" mosta o lado mais extremo do Ensiferum, iniciando velocíssima e depois descambando para algo mais thrash. Os bumbos duplos são um primor, bem como os toques de metal tradicional, encaixando-se perfeitamente aos vocais meio Manowar que antecedem um momento mais climático - um tanto quanto black metal por conta dos teclados. A ausência da Emmi foi sentida mais uma vez, até porque há um solo dela nesta música, ali registrado por sampler.

Com "Ahti" retornaram ao lado mais festivo. Os vocais e coros são daqueles para cantar em volta da fogueira e tomar hidromel. Alguns fãs levaram isso bem a sério e estavam encarnando uma espécie de dança da floresta no Carioca. Ficou bonito! Mais uma vez o Blind Guardian me veio à mente, desta feita na fase "Tales From the Twilight World" (1990). Adoro aquele finalzinho com os blasting beats. Outra das antigas, "Token of Time" é para agitar de ponta a ponta. Sua parte instrumental fez com que os fãs abrissem novamente uma roda imensa no início dela esperando as partes mais velozes para pularem juntos, abraçados, na paz. Belíssima música, assim como "Iron", do registro que leva o mesmo nome, lançado em 2004. Antes, porém, Petri pediu a ajuda dos fãs no "tan ran ran tan ran ran". Ensaiou algumas vezes com eles antes e quando todos ficaram satisfeitos madaram bala: "The silence breaks the ground/ A shadow is riding the horizon/ An arcane man arrives to town/ Remorseless and condemned..." Sensacional canção e uma das que mais representa o conceito deles por haver partes intrincadas, festivas, folk, peso, velocidade e muita melodia e os coros. Ou seja, tem tudo nela! E assim a parte normal do repertório foi encerrada.

O encore trouxe primeiro o baixista tocando alguns temas divertidos ainda no escuro. Os fãs continuavam eufóricos como se ali fossem os primeiros minutos do concerto. Aos poucos todos vieram de volta ao palco, sendo que Markus levou a vantagem por trazer a nossa bandeira como manto. Apesar de clichê funciona sempre! Sami elogiou efusivamente seus admiradores e a forma como o público tratava a banda desde que pisou os pés em terras tupiniquins. Petri então questiona se havia alguém ali a fim de ouvir mais algumas músicas. Ele nem esperou e já disse que todos estavam em uma "taverna do crepúsculo". Era a deixa, logicamente, para o hino "Twilight Tavern". O refrão era cantado muito mais alto pela audiência que pelos caras no palco. Eles até deixaram para a galera! Daí as pessoas pediram e lá estava ela: "Lai Lai Hei", uma das mais conhecidas e boas de acompanhar. Funciona ao vivo como poucas e parece ter sido feita sob medida para aquela noite tamanha interação geral. Aliás, as pessoas cantarolavam até as melodias de baixo, guitarra, teclado, tudo!

"Battle Song", item obrigatório nos sets do Ensiferum, encerrou este que foi um dos melhores shows já ocorridos em São Paulo este ano, disparado. O refrão é uma delícia de cantar, há um sentimento bastante especial nela, e sei que não só para mim - mesmo tendo sido a primeira deles que escutei - mas a todos ali. Sem sombra de dúvidas estávamos diante de pessoas nascidas para entreter, mesmo oriundos de um país mais conhecido pela timidez de seu povo. Markus ainda brincou tocando sua guitarra atrás da cabeça, enquanto os demais tomavam uma água. Acabaram por tocar um tema instrumental de nome "Horse Race Song" a qual, se não me falha a memória, figurava em alguns episódios do Pica-Pau.

Set-list

Symbols
In My Sword I Trust
Guardians of Fate
From Afar
Burning Leaves
One More Magic Potion
Into Battle
Stone Cold Metal
Victory Song
Retribution Shall Be Mine
Ahti
Token of Time
Iron

Encore:
Twilight Tavern
Lai Lai Hei
Battle Song
Horse race song

Links relacionados:
http://www.Ensiferum.com
http://www.facebook.com/Ensiferum

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Sobre Durr Campos

Graduado em Jornalismo, o autor já atuou em diversos segmentos de sua área, mas a paixão pela música que tanto ama sempre falou mais alto e lá foi ele se aventurar pela Europa, onde reside atualmente e possui família. Lendo seus diversos artigos, reviews e traduções publicados aqui no site, pode-se ter uma ideia do leque de estilos que fazem sua cabeça. Como costuma dizer, não vê problema algum em colocar para tocar Napalm Death, seguido de algo do New Order ou Depeche Mode, daí viajar com Deep Purple, bailar com Journey, dar um tapa na Bay Area e finalizar o dia com alguma coisa do ABBA ou Impetigo.

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