Orphaned Land: em uma palavra? Memorável!

Resenha - Orphaned Land (Hangar 110, São Paulo, 30/05/2013)

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Por Durr Campos
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Quem já acompanha o underground mundial sabe que a demo-tape "The Beloved's Cry" é um item bastante especial entre os tape-traders da primeira metade da década de 90. À época o som bastante incomum unindo doom metal e música oriental despertou o interesse e a curiosidade, em especial por conta do grupo responsável por ela vier de um local até então improvável: Israel. O nome também era peculiar, ou Orphaned Land já batizou algum outro nome do cenário nos quatro cantos deste planeta? Não demorou muito para um pequeno selo francês de nome Holy Records lançar o debut "Sahara" em 1994. O impacto continuou, alguns até meio confusos se a banda era white metal ou sabe-se-lá-o-quê-metal. Eu particularmente nem dei bola para rotulá-los e apenas apreciei bastante aquele álbum. Após isso, acabei ouvindo-os de forma mais esporádica, mas sempre prestando atenção no que os caras tinham a dizer/mostrar. Foi então que em 2010 saiu o "The Never Ending Way of ORwarriOR" e não havia como ficar imune. O terreno estava ganho, pelo menos no que diz respeito a este que vos escreve, e não haveria nada mais bacana do que ter a chance de vê-los ao vivo, algo que aconteceu no último dia 30 em São Paulo, no mítico Hangar 110. O Whiplash.Net este por lá, confira as fotos e texto a seguir.

Texto: Durr Campos
Fotos: Diego Cabral da Camara

Por volta das 20h a banda de abertura SEVENTH SEAL iniciou seu set baseado em canções próprias e alguns covers. O grupo formado em Santo André, ABC Paulista, pratica um heavy metal tradicional pesadíssimo e muito cativante, ainda mais com a adição do sensacional vocalista Leandro Caçoilo, a quem tive o prazer de cumprimentar após o show e bater um papo rápido. Certamente uma das melhores vozes de nossa cena, sua entrada só acresceu à banda, apesar do seu antecessor Ricardo Peres também ser dono de um gogó privilegiado. Os guitarristas brincaram com o fato de adorarem a atração principal, sendo que um deles citou o debut e perguntou ao público quem era mais foda, pois o outro mencionara um mais recente.

Apresentaram canções dos seus já cultuados dois álbuns, "Premonition" (2001) e "Days of Insanity" (2007), mas foi com a dobradinha "Heaven and Hell"/ "Neon Knights", ambas do Black Sabbath, que o Hangar 110 foi incendiado por um Caçoilo encarnando o Ronnie James Dio! Que venha o primeiro registro com ele em estúdio.

Já se passava um pouco das 21h quando as cortinas foram abertas e os músicos do ORPHANED LAND entraram em cena com uma das melhores, em minha opinião. "Barakah" faz parte daquele importante "The Never Ending Way of ORwarriOR" já citado acima, mais precisamente iniciando o terceiro ato dele: "Barakah – Enlightening the Cimmerian". O álbum " Mabool: The Story of the Three Sons of Seven" (2004) foi logo lembrado com as duas próximas, talvez as mais conhecidas dele, ou alguém poderia não reconhecer os primeiros acordes de "The Kiss of Babylon (The Sins)" ou "Birth of the Three (The Unification)"? A interação entre o frontman Kobi Farhi, vestindo uma batina como de costume, e público era notável, não precisando muito mais que um sorriso e os pedidos para que o acompanhassem nas palmas. Por falar em sorriso, o mesmo era fácil de encontrar no simpaticíssimo guitarrista Yossi Sassi, o qual ao lado de Kobi e do baixista Uri Zelha está há um bom tempo propagando a arte feita sob o nome Orphaned Land. A seguinte foi bem providencial para sacarmos o que está por vir, pois "Our Own Messiah" fará parte do novíssimo "All Is One", com previsão de lançamento para o mês de junho. A canção é realmente bem promissora e comprovou os talentos individuais dos membros mais recentes, Chen Balbus e Matan Shmuely, guitarrista e baterista respectivamente.

A emenda com "Sapari" foi de tirar o fôlego. O que falar da música que talvez seja unânime como a mais conhecida do quinteto israelense? Adjetivos já foram atribuídos a ela com exaustão, inclusive por mim, mas vou me ater a descrever o momento em que ela foi tocada como um dos mais emocionantes da noite. Fazer a sequência com outra do mesmo disco, isto é, "From Broken Vessels" (nota do redator: Mesma ordem na versão em estúdio, diga-se), não só elevou o nível de lágrimas nos fãs da primeira fila, como deu à apresentação uma atmosfera bastante positiva devido às melodias ímpares de ambas. Outra do "All Is One" com "Let The Truce Be Known" e já estávamos de volta ao "The Never Ending Way of ORwarriOR" por conta de "The Path, pt. 1: Treading Through Darkness", uma de minhas favoritas, passando por "Ocean Land (The Revelation)".

As duas seguintes, "El Meod Na'ala" e "Olat Ha'tamid" possuem letras em hebraico, mas isso não intimidou em nada que fossem cantadas em uníssino. Impressionante que palavra por palavra era entoada com tamanha propriedade que mais parecia que o Orphaned Land estava tocando, literalmente, em casa. Aliás, Kobi até disse que estar ali entre "irmãos e irmãs" no Brasil era, sim, como voltar para o lar. Simpático o rapaz, bem verdade, ainda mais quando seu sotaque na língua inglesa adiciona uma certa inocência em seus discursos. Mas não faltaram "muito obrigados" em um português perfeito. Um pequeno interlúdio acústico entre Farhi e Sassi para a entrada da música que batiza a primeira e supracitada demo-tape "The Beloved's Cry", também no "Sahara". Nostalgia total ouvi-la tão bem executada. Encerraram o set regular com "The Storm Still Rages Inside" seguida de um tímido "boa noite", daqueles típicos antes de um encore.

Pois ele veio mesmo e com uma do "Mabool", a sensacional "Halo Dies (The Wrath of God)". Aquela parte final cantada na língua nativa, que diz "Vayar Habore ki raba ra'at ha'adam baaretz vekol yetzer/ Machshavot libo rak ra kol hayom/ Vayenachem habore ki asa et ha'adam baaretz/ Veyt'atzev el libo" é de arrepiar! (nota do redator: Tradução livre como "E Deus viu que a maldade do homem era grande na terra, e que cada imaginação do pensamento vindo de seu coração era apenas malévolo e contínuo. Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra e pesou-lhe no coração"). Mais uma saidinha estratégica e retornaram com outra do "Mabool", "Norra el Norra (Entering the Ark)", que como o nome já entrega possui temática bíblica. Sonzaço de primeira, performance idem e uma banda mais que satisfeita em estar frente ao seu público cativado por merecimento. Nada melhor que encerrar então com mais uma do "Sahara", desta feita "Ornaments of Gold", a qual só não é superior a "Season Unite", do mesmo trabalho lançado em 1994, pedida à exasutão por boa parte dos presentes. Não muito tempo após e os integrantes do Orphaned Land estavam circulando dentre seus fãs distribuindo autógrafos, abraços e muita cordialidade. Memorável, para ficarmos em um paroxítono simples e funcional.

Set-list

Barakah
The Kiss of Babylon (The Sins)
Birth of the Three (The Unification)
Our Own Messiah
Sapari
From Broken Vessels
Let the Truce Be Known
The Path, pt. 1: Treading Through Darkness
Ocean Land (The Revelation)
El Meod Na'ala
Olat Ha'tamid
Kobi and Yossi Sassi acoustic
The Beloved's Cry
The Storm Still Rages Inside

Encore 1:
Halo Dies (The Wrath of God)

Encore 2:
Norra el Norra (Entering the Ark)
Ornaments of Gold

Line-up:

Kobi Farhi - Vocals
Uri Zelha - Bass
Yossi Sassi - Electric, Acoustic & Nylon-string guitars, Bouzoki, Cumbush
Chen Balbus - Electric guitars
Matan Shmuely - Drums

Links relacionados:

http://www.orphaned-land.com
http://www.myspace.com/orphanedmyspace
http://www.facebook.com/OrphanedLandOfficial

Veja uma galeria de imagens do show no link abaixo:
444 acessosOrphaned Land: galeria de imagens do show em São Paulo

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Sobre Durr Campos

Graduado em Jornalismo, o autor já atuou em diversos segmentos de sua área, mas a paixão pela música que tanto ama sempre falou mais alto e lá foi ele se aventurar pela Europa, onde reside atualmente e possui família. Lendo seus diversos artigos, reviews e traduções publicados aqui no site, pode-se ter uma ideia do leque de estilos que fazem sua cabeça. Como costuma dizer, não vê problema algum em colocar para tocar Napalm Death, seguido de algo do New Order ou Depeche Mode, daí viajar com Deep Purple, bailar com Journey, dar um tapa na Bay Area e finalizar o dia com alguma coisa do ABBA ou Impetigo.

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