G3: mestres das seis cordas em São Paulo

Resenha - G3 (Credicard Hall, São Paulo, 12/10/2012)

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Por Fernando Araújo Del Lama
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No último feriado, parece que muitos paulistanos decidiram trocar suas viagens convencionais por uma “viagem musical”: casa cheia e muita expectativa para ver os três “guitar heros” em ação.

Steve Morse

Pontualmente às 22h, Steve Morse subiu ao palco. Eu tinha sérias dúvidas em relação à escolha de Morse para o G3; pelo menos do ponto de vista técnico, ele não chega nem perto de seus outros dois companheiros de turnê, ou mesmo de Yngie Malmsteen ou de seu xará Steve Vai, da formação áurea do G3. No entanto, tenho que admitir que estava enganado – e minha namorada sabe, mais do que qualquer outra pessoa, o quanto eu odeio estar errado! Mas, desta vez, até gostei de estar engando, já que perdi a batalha com meu ego, mas ganhei um excelente show!

Morse me mostrou que se outros guitarristas são mais técnicos, ele é mais versátil: com um repertório beirando o caleidoscópico, ele passeou por uma enorme quantidade de estilos, desde belas baladas com algumas passagens velozes (“Highland Wedding”), até músicas que flertavam com o blues (“On the Pipe”) e com a música country (“John Deere Letter”), sem deixar de fora, obviamente, os solos rápidos e intrincados. Após as cinco primeiras músicas, o carismático e sorridente guitarrista alegou, durante uma conversa com o público, que havia realmente demorado para trazer ao público brasileiro suas próprias músicas e agradeceu muito – e mais de uma vez – pelo apoio à música ao vivo. Em seguida, assumiu um violão, mostrando erudição e virtuosismo ao dedilhar o instrumento na música “Baroque N’ Dreams”. Retornando à guitarra, Morse toca mais três músicas, finalizando sua apresentação com “Cruise Control”, do Dixie Dregs.

Há que se observar, ainda, o papel fundamental despenhado pelo fenomenal baixista, Dave LaRue. Esbanjando técnica e domínio de seu instrumento, e por vezes até “duelando” com Morse em algumas músicas, LaRue contribui bastante para garantir o sucesso do primeiro terço do show.

John Petrucci

Depois de cerca de vinte minutos de intervalo para a substituição dos equipamentos, as luzes se apagaram e um coral começa a ser executado; a questão que incomodava alguns dos presentes – pelo menos os que estavam próximos a mim – era sobre quem pilotaria as baquetas durante a apresentação de John Petrucci. “Será que a internet ainda não chegou a esses caras?”, pensei eu, que já sabia, desde o show do Rio, que Mike Mangini ocuparia este posto. Os caras à minha frente, por exemplo, esperavam por Virgil Donatti nesta posição; pensei em falar que tinha lido que ela seria ocupada por Mangini, mas pensei melhor e decidi dar a eles o prazer dessa surpresa. Pensado e feito: os caras literalmente piraram ao vê-lo na bateria! O kit trazido por Mangini para esta apresentação era bem mais modesto se comparado ao vistoso kit trazido em Agosto com o Dream Theater, tão grande que facilmente poderia abrigar alguém em dias de frio ou chuva. Mangini vestia uma camiseta do Hangar, banda de Aquiles Priester, o baterista tupiniquim que pleiteou a vaga deixada por Mike Portnoy no Dream Theater, que veio a ser ocupada, como todos sabemos, por Mangini. Com ele na bateria e Petrucci na guitarra, o show ganhou um peso extra.

O repertório de Petrucci foi bastante pesado, não se diferenciando muito de seu trabalho no Dream Theater. Como já era de se esperar, ele mostrou bastante habilidade e agilidade com seu instrumento, dignas de algo que vai além das capacidades meramente humanas; ora, será que Petrucci é o protótipo daquilo que o filósofo alemão Friedrich Nietzsche chamou de “übermensch”, o “além do homem”? Ou seria Petrucci um ciborgue, como sugerido aqui neste link:
5000 acessosDream Theater: Como John Petrucci vê os fãs da banda?

Levantarei alguns indícios a respeito disso.

Logo na primeira música, Petrucci tropeçou e foi ao chão, sem deixar, porém, de tocar uma nota sequer! Eis, pois, o primeiro indício de ele ser um ciborgue! Após “Damage Control”, ele saudou-nos com um sonoro “good evening São Paulo”, tentando se passar por humano. Em “Jaws of Life”, Petrucci pega uma guitarra de sete cordas – o segundo indício, meus caros! –, que dá um peso incrível à música, possível de ser percebido desde os primeiros acordes. Ao fim desta, ele retorna à guitarra para mortais. A quinta música da noite é “Glassy-Eyed Zombies”; bastante progressiva, complexa e intrincada, poderia facilmente pertencer a um álbum do Dream Theater. Repleta de escalas de ciborgue e de palhetadas frenéticas de ciborgue, foi provavelmente o ponto alto do show para os fãs da banda original de Petrucci. Depois desta, Petrucci agradece ao público pela presença, apresentou os músicos – o baixista continuou sendo Dave LaRue, que não se sobressaiu tanto quanto no show de Morse, mas cumpriu, e muito bem, seu papel – e tocou a sua última da noite.

Joe Satriani

Depois do intervalo, apagaram-se novamente as luzes e, repentinamente, enquanto é ovacionado pelo público, entra em cena Joe Satriani e seus inconfundíveis óculos escuros. Sua banda merece especial atenção: absolutamente heterogêneos no visual – um baterista um tanto quanto comportado, um baixista meio “mendigão” e um tecladista “tiozão nerd”, com direito a camiseta do Super Mário – e, ao mesmo tempo, extremamente homogêneos musicalmente.

É notável a relação entre Satriani e sua guitarra: por vezes, parecia não haver diferença entre instrumentista e instrumento, entre guitarrista e guitarra. Satriani fazia sua guitarra gritar, e parecia estar gritando com ela; Satriani fazia sua guitarra chorar, e parecia, do mesmo modo, estar chorando com ela. Quase uma relação simbiótica entre os dois componentes, configurando um show à parte! Isso faz de Satriani um instrumentista único, pois ele consegue, como nenhum outro guitarrista, transmitir a emoção da música apenas com sua guitarra em punhos. Realmente brilhante!

Em “Satch Boogie”, Satriani tocou a guitarra com os dentes, fato que veio a se repetir no duelo entre guitarra e teclado em “God is Crying”, ao que o tecladista responde à altura, tocando seu instrumento também com o nariz. Depois desta última, veio a inspirada balada “Always with Me, Always with You”, seguida em uníssono pelos “ôôs” do público. Em “Crowd Chant”, a guitarra de Satriani ficou muda em alguns momentos, mas nada que pudesse estragar a apresentação; ele mesmo não deu a mínima e continuou tocando até sanarem o problema. E para finalizar com chave de ouro, “Surfing with the Alien”, com Satriani fazendo caras e bocas durante toda a música.
Jam

Satriani chama de volta ao palco Morse e Petrucci para a tão aguardada “jam”. Foram escolhidos três covers: “You Really Got Me” (do The Kinks) e White Room (do Cream), ambas cantadas pelo tecladista da banda de Satriani, Mike Keneally, auxiliado, na segunda música, pelo baixista Allen Whitman. No miolo das músicas, os três guitarristas improvisaram, cada qual fazendo o seu melhor e em seu próprio estilo, marcando bem as diferenças de estilos entre eles. Ao final do show, como de praxe, Satriani assume os vocais – e mostra que como vocalista, é um exímio guitarrista – para a execução de “Rockin’ in the Free World”, cover de Neil Young.

Enfim, o balanço final da noite: 3h30 de show, um guitarrista eclético e versátil de cabelos loiros, outro extremamente técnico e preciso de cabelos castanhos e, por fim, um inconfundível e inigualável careca. Ora, se, além do fator musical, o convite para um eventual G4 no futuro levasse em conta também o fator capilar, acho que só faltaria o ruivo Eddie Van Halen para fechar esse time!

Setlist

Steve Morse

Banda

Dave LaRue (baixo)
Dru Bretts (bateria)

Name Dropping
Highland Wedding
On the Pipe
Vista Grande
John Deere Letter
Baroque n’ Dreams
Rising Power
StressFest
Cruise Control (Dixie Dregs cover)

John Petrucci

Banda:

Dave LaRue (baixo)
Mike Mangini (bateria)

Damage Control
Cloud Ten
Jaws of Life
Zero Tolerance
Glassy-Eyed Zombies
Glasgow Kiss

Joe Satriani

Banda:

Jeff Campitelli (bacteria)
Allen Whitman (baixo)
Mike Keneally (teclado)

Ice 9
Satch Boogie
Flying in a Blue Dream
Crystal Planet
God is Crying
Always with Me, Always with You
Crowd Chant
Surfing with the Alien

Jam

You Really Got Me (The Kinks cover)
White Room (Cream cover)
Rockin’ in the Free World (Neil Young cover)

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