Dream Theater: Virtuosismo na apresentação em Porto Alegre

Resenha - Dream Theater (Pepsi on Stage, Porto Alegre, 24/08/2012)

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Por Paulo Finatto Jr.
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A noite da última sexta-feira dificilmente sairá da memória dos gaúchos que apreciam o que há de melhor e de mais sofisticado no metal progressivo. Em Porto Alegre pela segunda vez em quase trinta anos de carreira, os norte-americanos do DREAM THEATER levaram um bom público ao Pepsi on Stage, para apresentar o seu mais recente trabalho, “A Dramatic Turn of Events” (2011), assim como o seu “novo” baterista, Mike Mangini. O espetáculo impecável do conjunto se estendeu por mais 2h30 e provou o porquê do DREAM THEATER ser o principal nome do gênero que ajudou a construir na metade dos anos oitenta.

Fotos por Liny Rocks (http://www.flickr.com/linyrocks). Mais imagens no link a seguir:
3875 acessosDream Theater: galeria de fotos do show em Porto Alegre

Embora a primeira passagem da banda pela capital gaúcha (em 2010) tenha sido um pouco ofuscada pelo show do GUNS N’ ROSES marcado para o mesmo dia, o novo espetáculo proporcionado por James LaBrie (vocal), John Petrucci (guitarra), John Myung (baixo), Jordan Rudess (teclado) e Mike Mangini (bateria) mostrou uma banda ainda mais afiada e sem nenhum concorrente à altura. Com um palco de encher os olhos e uma iluminação rica em detalhes, o DREAM THEATER entrou em cena às 21h40, com a introdutória “Dream is Collapsing” e com uma espécie de desenho animado da própria banda. O clima criado foi sensacional para que os músicos entrassem com a imponente “Bridges in the Sky”, uma das faixas mais pesadas do seu recente álbum. O carisma acima da média do quinteto e a performance extremamente técnica dos caras deixavam claro o quanto a noite ainda prometia – e não era pouco.

O curioso no set-list do DREAM THEATER é que ele nunca repete o repertório da noite anterior. Há sempre novidades e em Porto Alegre não foi diferente. A cadenciada “These Walls” – retirada do controverso “Octavarium” (2005) – foi cantada por boa parte dos presentes e mostrou que o quinteto norte-americano possui um amplo leque de músicas para executar ao vivo. Com muita habilidade e domínio do instrumento, Mike Mangini foi o principal nome da banda em cena, pelo menos na primeira parte do show. A tarefa de substituir Mike Portnoy não seria fácil, mas poucos imaginavam que o ex-ANNIHILATOR assumiria o posto com tanta naturalidade e competência. Em muitos momentos, como nas pesadas “Build Me Up, Break Me Down” e “Caught in a Web”, Mike Mangini passa a impressão de que ser baterista do DREAM THEATER é uma tarefa extremamente tranquila.

Na sequência, “This is the Life” e “Lost Not Forgotten” comprovaram que John Petrucci & Cia. não precisam fazer uma retrospectiva completa do seu passado para uma excepcional noite de metal progressivo. Os trabalhos mais recentes da banda – como o recente “A Dramatic Turn of Events” (2011) – possuem impacto e mesclam faixas pesadas com músicas cadenciadas e muito bonitas. A variedade rítmica por trás da complexidade musical do repertório do DREAM THEATER evidencia outra figura importantíssima para o sucesso do conjunto em cima do palco. O vocalista James LaBrie é impecável em cena e canta com muita potência e brilho durante todo o show. A presença de palco do cara é empolgante até mesmo no momento mais intimista do do espetáculo: “Wait for Sleep” contou apenas com a performance de LaBrie e de Jordan Rudess. Em meio a um time de músicos excepcionais, o tecladista de visual excêntrico é o verdadeiro maestro do conjunto. A nova “Far From Heaven” trouxe John Myung também para o palco e manteve o mesmo clima emotivo estabelecido anteriormente.

O virtuosismo é um item obrigatório no show do DREAM THEATER. O solo de bateria de Mike Mangini – sentado atrás de um instrumento gigantesco – foi o mais ovacionado. O repertório da banda, por outro lado, construía um retrospecto amplo e variado em todos os sentidos. A faixa “A Fortune in Lies” relembrou o debut “When Dream and Day Unite” (1989) e agradou em cheio a maioria dos presentes. Em seguida, “Outcry” e “On the Backs of Angels”, mostraram o respaldo que o novo álbum do DREAM THEATER possui. No entanto, a resposta conquistada por “Sorrounded” evidenciou o carinho que o público ainda tem pelo disco “Images and Words” (1992), provavelmente o mais bem sucedido da história do grupo. O revezamento de músicas novas – oito das doze faixas de “A Dramatic Turn of Events” (2011) foram executadas – com as faixas mais antigas se mostrou a fórmula quase que perfeita para o sucesso do DREAM THEATER ao vivo. O único porém fica por conta dos sucessos e preciosidades que precisam ficar de fora por conta das faixas novas.

Na sequência, a banda abriu uma brecha no seu repertório para executar uma interessante dobradinha do álbum “Six Degrees of Inner Turbulence” (2002). As faixas “War Inside My Head” e “The Test that Stumped Them All” foram perfeitas para mostrar que o DREAM THEATER é uma banda que dificilmente se cansa sobre o palco. O show manteve o mesmo pique do seu início em uma performance que evidenciou um John Petrucci inspiradíssimo. Entretanto, o melhor momento do show não foi representado pelas músicas de instrumental mais complexo e variado. A faixa “The Spirit Carries On” – a única do set-list retirada do elogiado “Metropolis Pt. 2: Scenes from a Memory” (1999) – foi a que mais sacudiu e emocionou o Pepsi on Stage. A plateia se envolveu com a performance sensacional de James LaBrie de maneira única e surpreendente, antes mesmo do grupo encerrar o show com a extensa “Breaking All Illusions”.

O retorno do DREAM THEATER para o bis reservava a última surpresa da noite. No Chile, duas noites atrás, a banda encerrara o show com “Metropolis Pt. 1: The Miracle and the Sleeper”. Em Porto Alegre, no entanto, a escolha por uma música diferente não poderia ter sido mais óbvia: “Pull Me Under”. A outra faixa retirada do clássico “Images and Words” (1992) finalizou magistralmente o espetáculo que ultrapassou com uma pequena folga a marca de 2h30 de duração. Os que não compareceram ao Pepsi on Stage não fazem ideia o show que perderam: uma aula de música em todos os seus sentidos.

Set-list:

01. Dream ins Collapsing
02. Bridges in the Sky
03. These Walls
04. Build Me Up, Break Me Down
05. Caught in a Web
06. This is the Life
07. Lost Not Forgotten
08. Wait for Sleep
09. Far From Heaven
10. A Fortune in Lies
11. Outcry
12. Surrounded
13. On the Backs of Angels
14. War Inside My Head
15. The Test that Stumped Them All
16. The Spirit Carries On
17. Breaking All Illusions
18. Pull Me Under

Veja uma galeria de fotos no link abaixo:
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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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