Kiss e Motley Crue: Agitando o público em Tampa, na Flórida

Resenha - Kiss, Motley Crue (Gary Amphiteatre, Tampa, FL, EUA, 28/07/2012)

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Por Mick Balboa
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

A turnê conjunta do Kiss e do Motley Cure, batizada simplesmente de The Tour, passou por Tampa no dia 28/07. Contando com o The Treatment como banda de abertura, os veteranos mostraram que após décadas de excessos, ainda têm o suficiente para agitar o público que encheu o Gary Amphiteatre.

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Os ingleses do The Treatment fizeram um bom show de abertura, tocando por cerca de meia hora. Eles foram bem tecnicamente, sem chegar a empolgar, embora tenham boas músicas como “The Doctor” e “Nothing to Lose”.

Ainda estava claro quando o início do show do Motley Crue foi anunciado. Mulheres cobertas com túnicas vermelhas caminharam pelo palco e no meio do público carregando bandeiras brancas e azuis antes de Tommy Lee, Nikki Sixx, Mick Mars e Vince Neil aparecerem e mandarem “Saints of Los Angeles”.

“Saints...” já não é mais exatamente uma novidade, conquistando um lugar na galeria de clássicos da banda. Durante a visceral “Wild Side”, outra que também é sempre bem recebida, as dançarianas/backing vocals tomaram o palco, fazendo uma coreografia burlesca e dividindo o microfone com Neil.

A apresentação do Crue foi cheia de explosões, luzes e pirotecnia, mas também demonstrou um agradável equilíbrio entre arte visual e musical. Após “Shout at the Devil”, outra pancada que levanta até defunto, Vince pegou o violão para tocar “S.O.S.”, uma das canções mais melódicas do repertório da banda.

O novo single “Sex” até é uma boa música, pesada e ganchuda, mas, apesar da empolgação da banda na sua execução, a apatia do público foi notável.

Tirando “Saints...” e “Sex”, o setlist foi composto apenas por canções dos primeiros 10 anos do Crue. Apesar da escassez de lançamentos inéditos nos últimos anos, o Crue soube se manter popular. Mesmo ocupando uma posição aparentemente secundária em relação ao KISS, era óbvio o domínio que eles exerciam sobre o público. Tommy, Nikki e Vince têm um carisma canastrão que permanece inabalável após anos de excessos e confusões. Mais discreto, o guitarrista Mick não deixa de impressionar pelos riffs violentos e pela sua figura pitoresca.

Vince Neil nunca foi exatamente conhecido por sua competência técnica, e durante “Don’t Go Awy Mad” ele deu umas claras desafinadas. Depois a banda deu uma saidinha rápida e o rockstar Tommy Lee conversou um pouco com a plateia, sentou ao espelhado piano e introduziu a megabalada “Home Sweet Home”, dedicada a sua mãe, que faleceu esse ano.

O solo de Tommy foi bem interessante, apesar de eu pessoalmente preferir quando ele usa samplers de clássicos do rock, não de hip hop. Ele chamou o vencedor de um concurso para dar um passeio na roda gigante na qual seu kit de bateria está acoplado.

É impensável ir a um show do Motley e não ouvir “Live Wire”, mas infelizmente essa canção entrou no set no lugar de “Looks That Kill”, outra que também faz falta.

Antes de “Primal Scream”, foi a vez de Nikki interagir com a plateia. Ele fez um ovacionado discurso agradecendo a presença de todos e depois chamou uma garotinha do meio do público, que não aparentava ter mais de 8 anos, dizendo que “...o Motley Crue faz rock para pessoas de todas as idades, do berço até a cova”. Mais aplausos e delírio da galera!!!

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“Primal Scream” foi uma grande surpresa. Embora não seja um hit, tem figurado constantemente nos setlists das últimas turnês. Além de um grande jogo de luzes, explosões e nuvens de fumaça, impressionou a empolgação dos músicos, principalmente o Nikki e o Vince, durante sua execução. Os caras já passaram dos 50 e nunca foram exemplos de como cuidar da saúde, mas passada uma hora de show e eles ainda estavam com toda a disposição.

No final do concerto, “Dr. Feelgood”, “Girls,...” e “Kickstart My Heart” para finalizar uma apresentação irretocável. Durante a música final, várias dançarinas, falsos bombeiros, pessoas com pernas de pau, etc. O Motley agradeceu ao público pela presença e se despediu. Agora era a hora da outra estrela do espetáculo: o KISS.

Só o tradicional anúncio do começo do show do KISS já foi o bastante para deixar os fãs em delírio. Quando Eric Singer se posicionou atrás do imenso kit de bateria e Tommy Thayer, Gene Simmons e Paul Stanley desceram em uma plataforma do topo do palco, parecia que todos os presentes no Gary Amphitheatre gritavam como criancinhas encontrando com os ídolos pela primeira vez. É esse o efeito que o Kiss exerce nas pessoas: fazer com que você reviva a mesma emoção sentida quando foi apresentado ao mundo de fantasia e ilusão do rock n’ roll.
Eles iniciaram o show com a tradicional “Detroit Rock City”, com labaredas de fogo se acendendo ao final da canção.

Após “Shout Out Loud” Paul Stanley fez um pequeno discurso, pedindo para o público fazer barulho. Como sempre, ele fez o papel de anfitrião, anunciando as músicas, enquanto Gene Simmons, carrancudo, se limitava a fazer os seus costumeiros trejeitos.

O setlist foi uma versão reduzida dos apresentados nas últimas turnês, a exceção de “War Machine”. “I Love it Loud”, “Love Gun” (quando Paul faz uma espécie de “tirolesa” e canta num mini-palco que se move sobre o público) e “Firehouse” (quando Gene cospe fogo e dá um pequeno voo sobre a plateia).

Eric Singer assumiu os vocais para cantar “Shock Me”, canção-símbolo do “Spaceman” original, Ace Frehley. Ele realmente aparenta querer imitar Ace em tudo, não se sabe se por determinação dos chefões Gene e Paul. Depois, Tommy faz um Jam curto com o baterista Eric Singer.

“Hell or Hallelujah”, o primeiro single do ainda inédito álbum “Monster”, veio em sequência, dando uma energia nova ao show. “The Demon” Simmons cuspiu sangue durante seu manjado solo de baixo. Depois, a banda toda retornou ao palco e mandou “God of Thunder”, que levantou o público, enquanto Gene era içado por uma plataforma até o topo do palco.

A empolgante “Lick it Up” fez com que os fãs cantassem. Depois, o resto da banda deu outra saidinha rápida para que o “Starchild” fizesse um pequeno solo. Com todos os músicos de volta em seus respectivos lugares, o KISS tocou a clássica “Black Diamond” (ao final dessa canção, a bateria de Eric “Catman” flutuou).

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Após mais um intervalo, a banda retornou para a música final, o hino máximo do Kiss, “Rock N’ Roll All Nite”. É incrível a capacidade que essa canção tem de empolgar essa canção após quase 40 anos. A chuva de papel picado e a destruição da guitarra de Paul Stanley marcaram o encerramento do espetáculo final da noite.

Terminadas as três horas de rock n’ roll, a impressão que fica é que tanto os membros do KISS quanto os do Motley ainda têm muitos anos de carreira pela frente, fazendo o que fizeram melhor durante suas respectivas carreiras: entreter e divertir os fãs, mas sem esquecer de se divertir também.

Setlist do Motley Crue:

• Saints of Los Angeles
• Wild Side
• Shout at the Devil
• Same Ol' Situation (S.O.S.)
• Sex
• Don't Go Away Mad (Just Go Away)
• Home Sweet Home
• Solo de bateria
• Live Wire
• Primal Scream
• Dr. Feelgood
• Girls, Girls, Girls
• Kickstart My Heart

Setlist do KISS:

• Detroit Rock City
• Shout It Out Loud
• I Love It Loud
• Love Gun
• Firehouse
• War Machine
• Shock Me
• Hell or Hallelujah
• Solo de baixo
• God of Thunder
• Lick It Up
• Black Diamond
Bis:
• Rock and Roll All Nite

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